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[RESENHA] Dias Febris - Francis Graciotto

19 dezembro 2018

Olá, viajantes!

Em pleno final de ano, as resenhas por aqui andam escassas. Mas como vocês já sabem, o blog conseguiu uma parceria que eu mais que desejava com a Aberst, e fomos sorteados com o livro Dias Febris dessa vez, do autor Francis Graciotto. Hoje eu trago minhas impressões dele pra vocês, e eu já posso adiantar que não consegui largar o livro antes de finalizar a leitura! Como eu amei demais o livro, já vou deixar o link de compra aqui na introdução mesmo: clica aqui e vocês podem conferir por si mesmo o motivo de essa resenha estar recheada de elogios!

Dias Febris
TÍTULO: Dias Febris
AUTOR: Francis Graciotto
EDITORA: Cultura em Letras Edições
NÚMERO DE PÁGINAS: 130 páginas
SINOPSE: A Febre Vermelha surgiu na região de Santos e se espalhou pelo Brasil, uma doença que deixa seus infectados com olhos vermelhos e uma insaciável fome por carne humana. A sociedade rui em questão de dias. Policiais, médicos, bombeiros e até os responsáveis por gerenciar as redes de energia elétrica e comunicações estão ocupados tentando sobreviver e não resta nenhuma autoridade para proteger a população da doença e dos infectados. Em todas as regiões do país, cada um está por conta própria. Estes são os Dias Febris. Em uma coletânea de oito histórias em diversas cidades brasileiras, Dias Febris conta pontos de vista diferentes dos dias que seguem à Febre Vermelha. São histórias individuais, podendo ser lidas antes ou depois do primeiro livro.

    

Dias Febris, como a sinopse já informa, é uma coletânea que reúne oito contos. É importante vocês saberem, antes de tudo, que o universo desses contos é o mesmo que o do primeiro livro do autor, Febre Vermelha (que, aliás, eu já quero ler pra ontem!), mas as histórias aqui, como o próprio autor menciona no Prefácio do livro, são individuais e podem, sim, ser lidas antes da leitura do livro. Elas foram escritas em períodos diferentes e não em conjunto: na verdade, o livro começou com um conto publicado no Wattpad pelo autor, que teve um retorno extremamente positivo por parte dos leitores. A partir daí, as escritas começaram, e o resultado delas é o livro do qual vamos falar hoje.

Antes de me deter em cada um dos contos, preciso dizer o quanto eu me senti envolvida por esse universo criado pelo autor. Que eu sou fã de história de zumbis não é segredo pra ninguém, mas o escritor desse título em específico conseguiu contextualizar de uma forma bastante satisfatória seu mundo. Como vocês já devem ter percebido, esse livro se passa em um cenário quase apocalíptico, onde uma doença chamada Febre Vermelha tem contagiado boa parte da população, fazendo com que todos os indivíduos se transformassem em canibais agressivos e preocupados apenas com uma coisa: comida. No caso, carne humana. Esse é o plot do primeiro livro e também dos contos. Nestas histórias paralelas, o leitor vai encontrar diversas visões acerca da tragédia e de todas as consequências que ela trouxe.

O que eu achei mais interessante, nesse ponto, foi a diversidade de personagens que encontramos aqui. Todos eles são extremamente diferentes, seja em questão de personalidade, de aspirações, de preocupações ou até mesmo de posição social e gostos particulares. Conforme conhecemos suas histórias, somos capazes de diferenciá-los claramente e conseguimos entender o que move cada um deles. É impressionante o bom trabalho feito pelo autor no quesito personagem: a tarefa de criar uma figura única, com sua própria voz e individualidade, que se distingua das demais, não pode ser considerada fácil, mas lendo esses contos o leitor pode ser enganado pela simplicidade com que o autor colocar esse procedimento em jogo. O mais importante é que todas elas, de alguma forma, acabam despertando sentimentos no leitor, sejam eles positivos ou negativos. Isso é responsável por boa parte do envolvimento que a obra suscita no público. Como eu já disse, a cada página lida eu me via tão envolvida que foi impossível largar o livro sem terminá-lo.

O processo que vamos adotar nessa resenha, como há muitos enredos, será o de falar de cada um deles individualmente. Prometo controlar minha empolgação ao máximo pra não dar nenhuma spoiler que possa estragar a leitura de vocês. Eu ia mencionar apenas os contos que mais gostei, mas chegando ao final do livro eu percebi que todos eles me agradaram de diferentes formas, então seria difícil selecionar apenas alguns deles. Se você está lendo essa resenha, só tenho uma coisa a dizer: senta, porque lá vem história!

O livro começa com o conto Lucy. Nele, temos quatro protagonistas: Alex, Thiago, Lara e Lucy, que é apenas mencionada, só sendo apresentada no final do conto. Alex e Thiago são jogadores de futebol e estão em pleno jogo quando a Febre decide agir sobre a torcida, transformando quase todos em doentes ensandecidos por sangue. No meio do tumulto, Alex só consegue pensar em Lucy, que está muito longe dali, sozinha. Depois de perceber que o trânsito estava caótico e ele não conseguiria chegar a Lucy em tempo de tirá-la de qualquer situação de perigo, o garoto decide correr uma pequena maratona para enfim conseguir alcançá-la. O conto acompanha essa saga até Lucy e o final dele é simplesmente o melhor de todos, no meu ponto de vista. Foi por causa dele que eu me senti tão íntima do protagonista, por conta dos detalhes apresentados no desfecho eu entendi toda a aflição e as decisões que ele tomou e me peguei pensando se eu não teria feito exatamente o mesmo.

O conto que segue tem o nome de O Jogo. Ele começa com uma cena na qual temos exata descrição de um jogo de tabuleiro, o Zombicide, que dois amigos adoram e que sempre acaba sendo o programa escolhido por eles quando estão juntos. Essa cena é narrada em terceira pessoa: é como se o autor quisesse realmente inserir o leitor dentro do jogo com os garotos, criando uma experiência submersiva. Obviamente a paz desses dois protagonistas precisaria ser atacada, e aqui ela é arrancada deles de forma extremamente agressiva. Não vou contar como, mas posso dizer que é um dos contos mais surpreendentes, na minha opinião. Eu realmente fui enganada pela cena do jogo, pensando que era esse o enredo principal, e arrebatada por todos os acontecimentos que vieram depois dela.

O próximo conto, Era uma vez em Osasco, traz um protagonista bastante misterioso de início. Movido por um instinto forte de vingança, essa personagem decide ir em busca dos homens que destruíram a ele e a sua família algum tempo atrás. Em paralelo, temos os bandidos: Don e seus capangas. Esses homens estão em plena negociação com um cliente, Pablo, quando o nosso anti-herói secreto decide começar sua carnificina. O que nenhum deles poderia esperar era o final inusitado e assustador que essa história teria. Esse é de longo o conto com mais ação do livro. Eu me senti em uma verdadeira cena de filme, porque tudo foi extremamente bem escrito pelo autor, com detalhes, como se estivéssemos lendo um roteiro de cinema. É impressionante a precisão e a intensidade gradativa que o autor consegue construir ao longo dessas poucas páginas, e o suspense só aumenta ao longo da narrativa. Um dos melhores contos pra mim!

O conto seguinte se intitula O último andar e nos apresenta Tássia, uma importante funcionária dentro de uma multinacional que produzia todo tipo de coisa, de papinha de neném a sabão em pó. O dia que esperava pela moça ia ser cheio, com uma reunião logo cedo, mas os planos de Tássia se desmantelaram assim que ela entrou no elevador com mais três colegas de trabalho. O que aconteceu ali aterrorizou a gerente, tão acostumada a uma rotina programada e imutável, mas o que estava por vir poderia ser ainda pior do que o que ela havia enfrentado. Eu confesso que esse conto é um dos meus queridinhos de todo o livro, ele conseguiu inserir vários temas que eu curto muito em apenas uma história. O final já era esperado, pelo menos por mim, mas ainda assim foi de arrepiar até o último fio de cabelo de qualquer leitor!

No conto Dia do Touro, que segue o livro, tudo gira em torno de uma piada. Sim, isso mesmo: uma piada. O protagonista é um universitário que mora numa república com outros seis garotos no momento em que a Febre Vermelha atinge a cidade de Maringá, onde eles vivem. Tudo muda a partir de então e os garotos são obrigados a encontrarem um modo de sobreviver nesse novo mundo, e o jeito que eles encontram não é nada convencional. Esse é um conto bem curto, mas bastante denso. Ele faz o leitor refletir bastante sobre todos os aspectos do universo contemporâneo e o quanto a falta deles impactaria nas nossas vidas cotidianas, além de abordar um dilema ético bastante contundente quando o assunto é sobrevivência.

Assassinato em Maragogi é o conto que segue a coletânea e nos apresenta a um policial militar, Silveira. Depois de auxiliar em uma tragédia ocorrida em um cargueiro que deixou vários mortos, o protagonista estava em busca de um descanso na casa de seu irmão Breno e da cunhada Paty. Algo o estava incomodando desde o início da viagem, no entanto, algo que viria à tona quando todos menos esperassem, mostrando que a tragédia anterior havia deixado marcas bem maiores do que apenas as memórias. Esse foi um conto que eu li bastante rápido e, apesar de o final não ser imprevisível, mais uma vez eu me peguei chocada com a precisão e detalhamento das descrições do autor. Tudo ganha ainda mais vida a partir das palavras dele, e eu acho isso ótimo, mas bem aterrorizante, só pra constar!

Kasulo é um conto fora da curva, em todos os aspectos possíveis. A cena inicial nos apresenta a protagonista, Júlia, em um dia normal de trabalho. Os instantes seguintes seguem a rotina da garota até uma catástrofe acontecer e ela precisar lutar pela sua vida. Nesse momento somos levados novamente à cena inicial, e tudo parece igual até que o desenrolar do dia da menina fica completamente diferente. Paralelamente, tudo termina exatamente igual. Essa cena inicial se repete algumas vezes, e eu achei essa escolha de narração o máximo, porque mostra ao leitor todas as possibilidades de construção de uma história. Mesmo que elas compartilhem o mesmo final, é impressionante ver a capacidade criativa do autor em ação. Confesso que terminei o conto chocada!

O último conto, O diário de Pietro, na realidade tem um formato diferente de todos os outros: ele é constituído por diários. Diários escritos por Pietro Giovannini, um capitão do Exército Brasileiro destacado para uma missão especial e super confidencial nas ilhas de Trindade e Martim Vaz. Ao longo do conto, acompanhamos a trajetória desse protagonista: desde a descoberta enorme que ele acaba fazendo, até sua perplexidade diante dela, para enfim chegarmos ao fatídico dia em que tudo deu errado pra todos nas ilhas. O mais interessante desse conto é que ele praticamente explica ao leitor o início de tudo, de toda a epidemia mas, em contrapartida, é o enredo que fecha o livro. Achei essa escolha bastante acertada do autor. Ao longo das histórias, o leitor fica à vontade pra formular todas as teorias possíveis sobre essa doença: sua origem, sua possível causa, se existe ou não uma cura. Só chegando ao final dos contos é que entendemos, implicitamente, como tudo chegou onde chegou. E, confesso, o final foi muito satisfatório, na minha opinião, e o conto que fecha o livro não poderia ser outro!

Antes de terminar a resenha, eu preciso falar pra vocês sobre essa diagramação. Eu li o livro no aplicativo do Kindle para celular, e mesmo assim achei a fonte muito confortável à leitura. Além disso, além da ilustração divina da capa, todo início de capítulo acompanhar um desenho que segue o mesmo padrão da capa e que resume, mais ou menos, o enredo do conto que vamos ler a seguir. Essas ilustrações são neutras, dando destaque aos pontos em vermelho que existem em todas elas (bastante sugestivo quando falamos de histórias de criaturas canibais, certo?). Isso, além de dar um charme a mais ao livro, torna ainda mais ricos os contos, cuja linguagem verbal se juntas às ilustrações pra construir um sentido complexo e próprio.

Eu li essa coletânea com um sorriso no rosto desde a primeira página. Eu sei que é estranho falar isso, porque em vários momentos das histórias nada motivava felicidade, mas na verdade meu sorriso teve outro motivo: eu conheci mais um universo fantástico criado por um autor brasileiro super talentoso, e pra mim nada pode ser mais reconfortante e encantador que isso. Se você curte os nossos bons e velhos amigos zumbis, se quer entender como é adentrar um mundo dominado por essas criaturinhas famintas e nada amigáveis, pode chegar porque é sucesso na certa! Até a próxima postagem e uma boa viagem nos livros a todos vocês!

[RESENHA] Ecos Bastardos - Antonio DiMarco

29 outubro 2018

Olá, viajantes!

Há algum tempo, anunciei na página do blog no Facebook (se você ainda não curte a página, clica aqui e acompanhe a gente por lá também!) a nossa parceria com a Aberst, uma associação de escritores dedicada exclusivamente aos gêneros suspense, terror e policial. Hoje, trago para vocês a primeira resenha dessa parceria: conheçam Ecos Bastardos, um conto de Antonio DiMarco!

Ecos Bastardos

TÍTULO: Ecos Bastardos
AUTOR: Antonio DiMarco
EDITORA: Pyxidis
NÚMERO DE PÁGINAS: 18 páginas
SINOPSE: Alzira era casada com Augusto e moravam em uma bela residência na serra de Nova Friburgo. Frustrações encobriram a felicidade que um dia existiu e Augusto teve um filho com a empregada da casa. Uma década depois, a criança desapareceu, a empregada também e o tempo levou Augusto e, por fim, Alzira. Todos se foram, mas o casarão permaneceu firme, esquecido em meio à crescente vegetação, assim como seus muitos segredos. Intrigado com a história contada por Clarissa, Sergio a convida para um final de semana romântico na serra, incluindo uma providencial visita ao misterioso casarão. Descobrirão algo sobre o passado? Ou sobre o presente? Entre no velho casarão e descubra por sua conta e risco!

    

Clarissa e Sergio são um casal jovem, aventureiro e cheio de vida. Em uma conversa entre os dois, Sergio menciona seu interesse por uma história que a companheira nunca esclareceu: a de seus tios Alzira e Augusto, cujo casamento era marcado por tragédias cheias de mistério e segredos. Contar a história do casal para Sergio obviamente incluiria falar acerca do casarão onde eles moravam, e é assim que Clarissa se vê envolvida involuntariamente em um passeio ao lugar, por insistência de seu namorado. Mas esta aventura reservaria surpresas nada atraentes para os dois e eles vão precisar estar preparados para as consequências.

Olhando para o enredo do conto escrito por DiMarco, um leitor mais desavisado pode ser levado a acreditar que a trama nele contida é bastante despretenciosa. O que eu quero deixar claro já no início dessa resenha é: nada aqui é o que vocês estão pensando! Com cerca de vinte páginas e uma história marcada por segredos, mentiras, traição e reviravoltas, Ecos Bastardos foi uma grata surpresa para mim. Eu li o conta em bem menos de uma hora, não devido a sua extensão, mas ao fato de que eu não consegui tirar os olhos da leitura até tê-la terminado.

Com uma narrativa fluida e gostosa de acompanhar, o autor conseguiu criar um enredo original e envolvente em cima daquilo que todos nós já conhecemos do gênero suspense: a aura de intrigas, perigo e tensão sempre presente. Somos apresentados ao casal protagonista logo de cara e é com eles que vamos conhecer a história de Alzira e Augusto e, consequentemente, a do casarão onde os dois residiram em vida. A narração em terceira pessoa foi uma escolha muito acertada por parte do autor, uma vez que ela permite apreender vários detalhes que as próprias personagens não conheciam, ao mesmo tempo que dá ao leitor uma visão mais completa e ampla de tudo que acontece ao longo da trama.

Apesar de não termos uma construção aprofundada de personagens, conseguimos saber tudo que precisamos a respeito deles. Clarissa é uma jovem cheia de vida e apaixonada e Sergio é um amante de leitura curioso e persuasivo. Ao revirar as memórias de sua família, a mocinha não esperava o desfecho que estava por vir, assim como seu companheiro foi surpreendido por tudo que aconteceu na incursão ao casarão. Falando em casarão, eu preciso dizer que, na minha opinião, ele é uma das figuras mais imponentes e fundamentais dessa narrativa: é lá que acontece toda a história de Alzira e Augusto e é lá que conhecemos o desenvolvimento da viagem de Clarissa e Sergio. Existe dentro da casa um eterno clima de nostalgia, aliado a uma presença constante, que o leitor vai sentir junto aos dois pombinhos no decorrer da visita ao local.

Independente de não ser o foco, não posso deixar de mencionar aqui o fator histórico que também entra em jogo ao longo do conto. O enredo envolvendo Alzira e Augusto passou-se em outra época, diferente da atualidade, na qual se desenrola o conto em questão. Por conta disso, a narrativa dos dois é marcado por costumes sociais daquele período: o grande problema do casamento dos dois era o fato de que Alzira não poderia ter filhos e foi exatamente isso que levou Augusto a se relacionar com a empregada da casa, cujo ventre gerou, enfim, o herdeiro que ele tanto queria. A partir daí, vários paralelos se desenvolvem: a convivência dos três dentro da mesma casa, a submissão de Alzira ao marido e sua aceitação da traição, a vida da criança e as tragédias que se seguem a esse cenário. De alguma forma, esse aspecto histórico se torna extremamente relevante se pensarmos na consistência e na riqueza do enredo em si. É esse pezinho na história que traz complexidade à trama aqui contada.

Por último, mas não menos importante, eu não posso encerrar essas impressões sem falar do final desse conto, que me deixou completamente sem fôlego. Apesar de eu já prever que algo fosse acontecer (porque, afinal, é um conto de suspense) e conseguir elaborar alguns desfechos possíveis na minha cabeça, nada poderia me preparar para a angústia que o autor conseguiu transmitir ao longo das últimas páginas do conto. Tudo aconteceu rápido, de forma precisa e sem enrolação; os fatos são apresentados, as cartas são jogadas e todas as pontas soltas se encaixam de alguma maneira.

Antes que eu dê algum spoiler que possa estragar a leitura de vocês, termino por aqui minhas considerações, mas não sem antes destacar mais uma vez o quanto eu curti a experiência de leitura. Foi a primeira vez que eu li algo do autor e com certeza não será a única! Se você ficou curioso e também quer conhecer a história de Ecos Bastardos, esse é o link da Amazon para vocês baixarem o conto. Mas não esqueçam de vir me contar suas impressões e dizer se ficaram tão pasmos quanto eu ao final da leitura. Até a próxima postagem, viajantes!

[RESENHA] A Irmã - Louise Jensen

02 outubro 2018

Olá, viajantes, tudo bem com vocês?

Hoje a gente vai de resenha, e o livro que eu apresento a vocês foi lançado pela editora Única e escrito por Louise Jensen. Conheçam A Irmã, e se surpreendam comigo com o fato de que nem tudo parece realmente é.

A Irmã

TÍTULO: A Irmã
AUTOR: Louise Jensen
EDITORA: Única
NÚMERO DE PÁGINAS: 304 páginas
SINOPSE: Grace nunca mais foi a mesma depois da morte de sua melhor amiga, Charlie. Sua vida estava desmoronando sem que ela conseguisse se mexer: não conseguia mais trabalhar nem sair, e o abismo entre ela e Dan, seu único amor, parecia aumentar a cada dia. Atordoada pelas palavras que Charlie lhe disse no último encontro que tiveram, Grace sabe que precisa fazer alguma coisa para conseguir seguir em frente antes que seja tarde demais. Em busca de respostas, Grace resolve recuperar uma antiga caixa de memórias que ela e Charlie haviam enterrado ainda na adolescência. Lá, Grace descobre uma carta de Charlie, revelando o desejo da amiga de encontrar seu pai, Paul, a quem ela nunca conhecera. Será que foi por isso que Charlie fugiu por seis anos? Será que Paul teria alguma pista que explicasse o que aconteceu com sua melhor amiga? Enquanto procura por Paul, Grace conhece Anna, uma garota que se declara irmã de Charlie, alguém que rapidamente invade a vida e a casa de Grace. Mas algo não está certo. Dan está Cada vez mais distante e Grace tem certeza de que alguém a está seguindo. Será tudo isso coisa de sua cabeça? Quanto mais Grace se aproxima da verdade sobre Charlie e Anna, mais ela corre perigo. Ela conseguirá se salvar?

    

Grace sempre foi uma garota insegura por estar fora do padrão de beleza estabelecido pela sociedade, e por isso encontrava em sua melhor amiga Charlie seu abrigo e exemplo. Totalmente oposta a ela, Charlie emanava personalidade, feminilidade e confiança, apesar de todos os problemas que a envolviam, e isso era uma das coisas que Grace mais admirava na amiga. Por conta de toda essa ligação entre as meninas, foi um choque terrível para Grace perder Charlie tão repentinamente, sem nenhum tipo de aviso prévio e em uma situação totalmente atípica. O mundo da garota desmoronou, e com ele qualquer relação mais efetiva que ela poderia ter com Dan, seu então marido.

O sofrimento não deixava o coração de Grace, que logo se viu ainda mais envolvida com a situação ao encontrar uma caixa que as garotas construíram juntas e enterraram em um lugar simbólico para as duas. Nela, Grace encontrou um bilhete misterioso de Charlie, que não conseguia compreender. Em busca de respostas e de uma maneira de, enfim, descansar e seguir adiante com sua vida, Grace resolve realizar a maior vontade da amiga: identificar e contatar seu pai biológico. O que ela não esperava é que, ao invés do pai da garota, batesse de frente com uma irmã que, assim como Charlie, entrou intensa e definitivamente nos dias e na mente de Grace. Anna era parecida com a amiga que ela havia há pouco perdido e, por mais que não pudesse substituir Charlie, trazia uma pontinha de consolo para Grace. Mas logo coisas estranhas começam a acontecer e Grace vai perceber que as aparências, na maioria das vezes, são apenas máscaras ocultando as verdadeiras intenções.

Falar de A Irmã é um pouco difícil pra mim, confesso, porque esse foi um livro que mexeu muito comigo, em todos os sentidos. Se existisse uma palavra com a qual eu definiria essa história, a palavra seria intensidade. A trama não inicia frenética; nos primeiros capítulos somos introduzidos ao contexto e às personagens, entendemos seus dramas, seus medos, suas angústias, e só então o enredo principal começa a se desenrolar. Essa é uma escolha interessante da autora, assim conseguimos aprofundar-nos nas personagens, conhecer suas personalidades e entender as atitudes que levaram a tais caminhos, que trouxeram determinados desfechos como consequência. Acho importante destacar que a história não é linear, mas sim repleta de flashbaks. Com capítulos divididos entre "Antes" e "Agora", somos apresentados aos sentimentos mais íntimos da Grace, narradora da história, e é a partir da visão dela que conhecemos não apenas a trama, mas as outras personagens que fazem parte dessa história. 

Quando entramos na segunda parte do livro, aquela em que tudo realmente acontece, as coisas se tornam obscuras, cruéis e até mesmo assustadoras. A partir desse momento, a aura do livro muda, e o leitor é envolvido em um clima de tensão, permanente e crescente, que desemboca em surpresas tão sinistras quanto perturbadoras. Eu confesso que o desfecho do livro foi um pouco previsível para mim, pelo menos parte dele, mas isso não anula em momento algum o impacto que os acontecimentos tem sobre mim, como leitora, ou o poder que eles possuem de me chocar, total e constantemente.

Na minha opinião, um thriller que se preze precisa ser também um suspense, o que quer dizer que o mistérios, os segredos e a ambiguidade são elementos definidores de grande parte do sucesso de uma trama desse gênero. E Jensen nos entrega tudo isso magistralmente: as peças do quebra-cabeças que essa história se torna não são dadas todas de uma vez ou de uma maneira fácil. O leitor descobre os fatos verdadeiros no mesmo momento em que a protagonista e precisa, assim como ela, colocar cada pedacinho em seu devido lugar para que, enfim, tenhamos as respostas que buscamos. E quando elas chegam, senhores, todos os forninhos vão cair por terra! Jensen construiu um enrendo complexo, cheio de possíveis alternativas, e ela consegue escolher justamente aquela que nos deixa mais estarrecidos. São várias as ligações e intrincamentos que acontecem ao longo da narrativa, sejam elas de personagens, de fatos, de histórias, é um entrecruzamento danado que, ao mesmo tempo em que te deixa confuso e doido para entender tudo logo, é o que mantém a trama interessante e, eu diria até, viva e pulsante, pulando das páginas do livro.

Grace é uma protagonista com a qual eu me identifiquei bastante. As inseguranças dela com relação ao próprio corpo, à própria auto-confiança, à própria autossuficiência, já forma e ainda são as minhas também, e tenho certeza que as de muita gente por aí. Apesar da inteligência, do bom-humor, da meiguice, a garota nunca se percebe definitivamente boa. É como se Charlie representasse tudo aquilo que ela jamais seria, e isso a fazia praticamente idolatrar a amiga. Ao contrário do que possa parecer, não havia nenhuma inveja na relação das duas: elas realmente se amavam e se protegiam, independente dos problemas que cada uma pudesse ter. É bonito acompanhar a amizade entre as personagens porque é um sentimento mútuo e extremamente verdadeiro, que comove e encanta. Por isso eu sofri tanto com a Grace com tudo que acontece durante e depois da morte de Charlie, porque é impossível não exercer a empatia quando se trata dessa personagem. É claro que algumas vezes eu perdi a paciência com ela (principalmente com relação à autopiedade, que afastava praticamente todos que ela mais amava), mas eu consegui entender as razões que a levavam a tais atitudes ou pensamentos, e por isso ficava fácil me solidarizar com ela.

O mesmo, na verdade, aconteceu com Anna. Ela é uma das personagens mais emblemáticas que eu já conheci e eu não posso falar muito dela para não correr o risco de soltar um spoiler gigante e atrapalhar a leitura de vocês, mas eu posso dizer que Anna me surpreendeu a todo momento. Ela é extremamente parecida com a Charlie, aquele tipo de menina que sabe o poder que tem e não tem medo de usá-lo, a qual muitos admiram e outros simplesmente invejam, mas ninguém consegue ser indiferente. Nem mesmo Grace. Depois que se conheceram, as duas se aproximaram tanto e tão rapidamente, que até eu fiquei surpresa. Anna tinha a habilidade de quebrar todas as barreiras que Grace havia imposto entre si e o resto do mundo e foi por isso que ela conseguiu chegar tão perto da garota. E foi por isso que eu a odiei em muitos momentos, e a amei em outros tantos.

Lexie é a mãe de Charlie e é uma mulher complicada. Ela sempre teve todo tipo de problemas, todos eles relacionados ao seu vício em bebida alcoólica. Exagerada, desbocada, encrenqueira, Lexie era todos os extremos juntos, desde o início do livro. Não sei se posso classificá-la como uma boa mãe, mas ao longo da narrativa vamos descobrindo que ela realmente amava Charlie, apenas não sabia como demonstrar isso, porque nunca havia sentido amor de nenhum lado. Assim como aconteceu com as outras personagens (com o Dan inclusive), minha relação com a Lexie foi do amor ao ódio e do ódio ao amor muito rapidamente, e as vezes eu nem conseguia distinguir o motivo que me levou a isso. Na verdade, esse é o ponto mais interessante das personagens para mim: elas são tão reais, tão comuns, tão humanas, que não é possível julgá-las a partir de parâmetros únicos e imutáveis. Assim como qualquer um de nós, elas são capazes de coisas abomináveis, que vão fazer o leitor detestá-las, mas também são capazes de realizar ações altruístas. É difícil dizer que não é possível compreender cada uma delas, cada pensamentos e traço de personalidade. Tudo aqui tem um porquê, e as vezes vai doer descobri-los, então estejam preparados.

Quando todos os enigmas estão solucionados, quando nosso coração já está em pedaços e a gente realmente acha que não existe mais nada, a autora nos brinda com um final maravilhoso, que deixa acesa aquela pontinha de esperança no final do túnel das desgraças. É por isso que esse livro me marcou tanto: ele definitivamente retrata a vida humana. É claro que nem todo mundo vai passar pelas situações que as personagens enfrentam aqui, nem literal nem figurativamente, mas essa aura de final mais ou menos feliz, de existir uma chance de felicidade pelo menos, é o que faz todos nós seguirmos em frente depois de uma situação complicada. Olhar para frente, enxergar tudo e todos que temos, e superar é uma das possibilidades mais bonitas que a vida nos proporciona, e é exatamente isso que acontece aqui.

Se você, querido viajantes, está esperando uma leitura fácil, passe longe de A Irmã, por enquanto. Mas se possível, depois de preparado e dispostos, dê uma chance a esse livro. Ele não é apenas um thhriller muito bem composto e escrito, é também uma história de medo, perdas e superação. Depois que lerem venham debater comigo, por favor! Até a próxima postagem!

[RESENHA] Entre Quatro Paredes - B. A. Paris

09 agosto 2018


Olá, viajantes!
A resenha de hoje traz para vocês um livro que há algum tempo andava parado aqui na estante, mas que eu sentia muita curiosidade em ler. E posso dizer que a experiência de leitura superou as minhas expectativas, de forma quase dolorosa. Vocês vão entender porque ao longo das minhas impressões. Agora, sem mais delongas, vamos falar de Entre Quatro Paredes, de B. A. Paris!

Entre Quatro Paredes
TÍTULO: Entre Quatro Paredes
AUTOR: B. A. Paris
EDITORA: Record
NÚMERO DE PÁGINAS: 266 páginas
SINOPSE: Grace é a esposa perfeita. Ela abriu mão do emprego para se dedicar ao marido e à casa. Agora prepara jantares maravilhosos, cuida do jardim, costura e pinta quadros fantásticos. Grace mal tem tempo de sentir falta de sua antiga vida. Ela é casada com Jack, o marido perfeito. Ele é um advogado especializado em casos de mulheres vítimas de violência e nunca perdeu uma ação no tribunal. Rico, charmoso e bonito, todos se perguntavam por que havia demorado tanto a se casar. Os dois formam um casal perfeito. Eles estão sempre juntos. Grace não comparece a um almoço sem que Jack a acompanhe. Também não tem celular, que ela diz ser uma perda de tempo. E seu e-mail é compartilhado com Jack, afinal, os dois não guardam segredos um do outro. Parece ser o casamento perfeito. Mas por que Grace não abre a porta quando a campainha toca e não atende o telefone de casa? E por que há grades na janela do seu quarto? Às vezes o casamento perfeito é a mentira perfeita.


     

*ATENÇÃO: A RESENHA PODE CONTER SPOILER DO LIVRO

Grace é uma garota como qualquer outra, com várias responsabilidades, no entanto. Sua irmã Millie tem síndrome de Down e ela sabe que, assim que seus pais resolverem aposentarem-se de vez e sua irmãzinha sair do colégio interno onde vive, a tarefa de cuidar da pequena ficará em suas mãos, o que não é nenhum sacrifício, já que as duas se amam e se dão muito bem. Porém, com todo seu tempo dedicado ao emprego que lhe exigia viagens frequentes por diversas partes do mundo, Grace preocupava-se em não poder dar a Millie todo o amor e atenção que merecia e por isso se jogou de cabeça na oportunidade que surgiu em sua vida a partir do momento que conheceu Jack, um advogado de renome, conhecido por ajudar mulheres vítimas de violência por parte de seus maridos.

Jack surgiu como um fôlego novo na vida de Grace e ela se apaixonou perdidamente por ele rapidamente. Por esse motivo, ninguém se surpreendeu quando os pombinhos anunciaram seu casamento. Agora Grace não iria precisar trabalhar, podendo dedicar-se exclusivamente a sua nova casa, à Millie e ao marido que ela tanto amava. Além disso, ao fazer 18 anos sua irmã teria um lar e uma família esperando por ela, uma vez que Jack generosamente ia trazê-la para morar com os dois. Um futuro que parecia infinitamente promissor e feliz transformou-se, entretanto, em algo negro e obscuro, a partir de uma revelação que Grace jamais poderia imaginar ou supor. O que você faria de descobrisse que o homem pelo qual se apaixonou e com o qual sonhou construir uma vida não é nada daquilo que você havia imaginado?

Entre Quatro Paredes foi indicação de uma amiga num clube de leituras do qual participei algum tempo atrás e, pela sinopse, eu me interessei pelo livro. Comprei meu exemplar mas infelizmente ele foi parar na enorme pilhas de títulos para ler assim que a oportunidade surgisse. Quando eu enfim comecei a leitura, não imaginava a quantidade imensa de emoções que ele faria surgir e isso me pegou desprevenida, mas não foi algo ruim, no sentido prático da palavra: pelo contrário, eu me vi totalmente envolvida com a história de Grace e Jack, torcendo para um final feliz que dificilmente viria.

A narrativa é organizada de forma a alternar capítulos entre passado e presente e o foco narrativo aqui é totalmente voltado para Grace, sendo, portanto, em primeira pessoa. Acredito que essa escolha não poderia ser mais acertada no caso específico desse título. O leitor acompanha todas as cenas através da visão da protagonista, e por isso consegue acompanhar de um jeito quase íntimo todos os sentimentos, as emoções e as sensações que vão surgindo com o desenrolar da trama. Essa visão tão detalhista da própria história faz de Grace uma narradora exemplar e dá ao leitor a possibilidade de entender e, mais do que isso, sentir, exatamente o que a personagem passa durante cada situação e, na minha opinião, é essa perspectiva em primeira pessoa que dá o tom definitivo de intensidade e dramaticidade que o livro carrega.

O livro inicia com a cena de um jantar entre o casal protagonista e seus amigos mais próximos. Ali somo apresentados ao relacionamento perfeito de Jack e Grace e conhecemos o início de sua história. A sensação de desconforto, que vai se estender ao longo de toda a narrativa, começa já nesta parte inicial da trama, na qual o leitor consegue perceber pistas (pequenas, mas contundentes) de que talvez a relação entre Jack e Grace não seja assim tão consistente e irrepreensível como eles querem fazer parecer. Espero não dar um spoiler gigante, mas não há maneira de continuar essa resenha sem mencionar esse detalhe tão importante na história: esse é um livro que trata de abuso. E não, eu não estou falando de todos os casos que Jack bravamente defende como advogado, das mulheres que salva ou dos covardes que manda para a cadeia. Estou falando, sim, da relação entre ele e sua tão amada esposa.

Acho que aqui vale destacar, caso você, caro viajante, ainda não tenha se dado conta disso, que a violência não se dá apenas em um nível físico. Muito além das dores que qualquer machucado pode causar, um dos piores lados de relacionamentos abusivos se mostra psicológico, a partir de palavras, ameaças e restrições que afetam diretamente a vida do parceiro. É exatamente esse abuso psicológico que tanto incomoda ao longo deste livro em específico, e mais do incomoda inquieta: é como se o leitor pudesse entrar na história e sentisse todos os medos, angústias e aflições de Grace a partir do momento que seu marido se revela um perfeito psicopata. E, diferente do que muitos de vocês podem estar imaginando, isso não acontece logo de cara, apesar de ser rápida a percepção para quem está de fora da situação. Pequenas atitudes, caprichos que não fazem sentido (como Grace deixar de lado seu emprego), um controle que parece possessivo, são essas as pistas principais que Jack deixa em seus discursos, em seus gestos, em qualquer coisa que faça relacionada à Grace. E uma das piores consequências dessa dominação exercida por ele, na minha opinião, é o fato de fazê-la pensar que todo esse cerco, essa bolha que ele criou em volta da esposa, vai fazer bem a ela de alguma forma.

É no mínimo triste ver a mudança que ocorre em Grace, interna e externamente, a partir do momento que Jack entra em sua vida. De uma mulher decidida, segura de si e bem-sucedida profissional e pessoalmente, a nossa protagonista se transforma em um ser apático, submisso e obediente, incapaz de pensar ou agir por conta própria. Grace se anula completamente dentro desse relacionamento, no início por amor, mais tarde por medo. Medo não apenas por si mesma, mas pela irmãzinha, que viria a ser mais uma vítima nas mãos de Jack. Revolta, choca e faz doer toda a situação com a qual Grace se vê envolvida. Jack, que no início mostrou-se o parceiro ideal, torna-se frio, cruel e sádico ao longo da narrativa, e também é doloroso acompanhar esse desenvolvimento.

Em várias passagens do livro me senti acuada, indefesa e frágil, junto com Grace. Em vários momentos consegui me envolver tanto com a narração de Grace, me sentir tão tocada por ela, que as lágrimas vieram quase naturalmente. Em vários trechos do livro precisei parar a leitura, controlar a respiração e pensar duas vezes antes de voltar às páginas, sempre nutrindo a esperança vã (que é também o que move Grace) de que tudo ficará bem no fim. É difícil, para não dizer impossível, não entrar dentro da trama, não se comover com a situação da protagonista, não ser empático e sensível à dor quase palpável que a destruição de todos os sonhos que Grace tanto acalentou causa dentro dela mesma. Talvez sejam esses mesmos sonhos que dão forças a ela para aguentar o que lhe é infligido, talvez seja o amor que nutre por sua irmã, talvez seja a última chama ainda acesa de que tudo aquilo não passe de um pesadelo. Na verdade, não importa. O que importa aqui é que, com uma narrativa delicada e ao mesmo tempo forte, somos levados a sentir o soco no estômago que é Entre Quatro Paredes. A autora consegue transmitir, através de sua narradora, uma situação tão real, tão concreta, que amedronta, afugenta e faz sofrer, ao mesmo tempo em que chama o leitor à realidade, coloca sobre ele a responsabilidade de não apenas acompanhar essa história, mas também pensar em qualquer atitude que possa ser tomada para remediar (se é que isso é possível) a dor e a tristeza causadas por esses abusos.

Eu entendo, também, que talvez exista em Jack algum tipo de anomalia que o torna tão cruel e o leva a tomar determinadas atitudes. Em diversas passagens da narrativa o protagonista menciona uma necessidade funesta pela violência, por se alimentar, de alguma maneira, da dor do outro. Quem sabe essa seja a verdadeira face desses abusos, o verdadeiro fator que o leva a cometer tantas atrocidades. Porém, em outras diversas passagens o leitor acompanha o sofrimento que essa situação causa em Grace, e a satisfação tremenda e incontestável que essa dor provoca em Jack. É difícil, para não dizer impossível, ficar alheio e se manter racional frente a todas as provações pelas quais a personagem principal passa. É difícil não torcer por ela, e odiar Jack, de forma avassaladora e irreversível. É difícil não querer estender a mão, abraçá-la e arrastá-la da casa que ela um dia sonhou chamar de lar. E é esse o sentimento que nos acompanha até o final da narrativa, junto a tantas outras emoções incômodas, dolorosas e fortes, que nos tiram da zona de conforto e nos desmascaram uma realidade nada bonita, mas extremamente verídica.

Mas essa resenha não é apenas feita de dor e sofrimento. Em meio a esse turbilhão de emoções, também encontramos um alívio, um sopro de brisa fresca e doce, que se chama Millie. A irmãzinha de Grace é sem dúvidas uma das melhores personagens que eu já pude conhecer nessa longa vida literária. Apesar de ninguém além de Grace acreditar realmente na capacidade da menina, sua inteligência e perspicácia vão além dos limites impostos a ela pela opinião alheia. Divertida, alegre e sempre grata aos pequenos presentes que a vida lhe reserva, Millie é um exemplo para todos nós. O amor e a admiração que ela nutre por Grace são tão fortes que ela quer protegê-la de todo e qualquer sofrimento. É impressionante a forma como a garotinha realmente sente quando algo está errado, quando Grace não se mostra bem e feliz. E é mais impressionante ainda a disposição que Millie demonstra para mudar essa situação e reverter o que tanto incomoda sua irmã. Meiga, esperta e encantadora, essas são as reais características que tornam impossível não se apaixonar pela garota.

O final da narrativa foi um dos pontos menos positivos para mim no livro. Apesar de eu respirar aliviada com ele, na minha opinião ele aconteceu de forma muito rápida, sem o aprofundamento necessário. Gostei da forma como a narrativa foi construída, de modo a entregar aos poucos para o leitor os elementos desse desfecho, e realmente não existiram pontas soltas. Minha ressalva está mais ligada ao fato de ele parecer muito corrido, como se a autora estivesse com pressa para fechar a narrativa. Independente disso, Entre Quatro Paredes não é apenas uma ótima recomendação, mas também um livro necessário, em qualquer época ou lugar. A obra criada por B. A. Paris nos faz refletir não apenas sobre um tema que bate a nossa porta em vários momentos ao longo da vida, mas também sobre nós mesmos e nossas atitudes (ou a falta delas) frente a situações como essa. Talvez por isso seja tão duro e doloroso terminar essa narrativa, ao mesmo tempo em que é preciso terminá-la. Mais do que isso: é preciso compreender que ela não se encerra na última página lida. Há muitas Graces esperando ajuda por aí, muitos Jacks espalhando terror e medo, e nós, como seres humanos, temos o dever de ficar atentos a esse tipo de situação e fazer o que for possível para ajudar.

E vocês, já leram o livro? O que acharam? Me contem nos comentários, combinado? E perdoem a resenha gigante de alguém que realmente se sentiu extremamente tocada por esse livro (rs). Até a próxima postagem!

[RESENHA] Trevas - J. Modesto

10 julho 2018

Olá, pessoas! Hoje é dia de resenha e eu venho apresentar pra vocês mais um livro recebido em parceria com o autor J. Modesto. Trevas é um livro de J. Modesto, cheio de ação, aventuras e criaturas sobrenaturais. Neste post vocês vão conhecer as minhas impressões sobre a leitura e um pouco mais da história do livro. 

Trevas

TÍTULO: Trevas
AUTOR: J. Modesto
EDITORA: Giz Editorial
NÚMERO DE PÁGINAS: 288 páginas
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SINOPSE: O Sol ardente contribuía para irradiar a luz própria das igrejas da Cidade do Vaticano. Cenário ideal para uma misteriosa conversa entre o Cardeal Giglio e Sua Santidade, o Papa. Diante de um secreto dossiê, o Papa dá carta branca ao cardeal, para combater o Mal com o Mal. Perante tal contexto, não se iluda o leitor que está diante de uma mera ficção religiosa. O autor, J. Modesto reuniu neste livro suas diversas cenas de terror e suspense, e que, de forma inteligente contextualizou-as no submundo do tráfico de entorpecentes de São Paulo e Rio de Janeiro. Lugar no qual o bem e o mal, o certo e o errado, confrontam-se diariamente, mas do que se possa imaginar. Com esta mistura engenhosa de realidade e ficção, o leitor se depara freqüentemente com a dúvida do que é ou não real.

    

Paulo é um homem destemido e persistente, movido por um desejo de vingança muito grande, desde que perdeu sua família em um ataque, promovido pela máfia que controla todas as esferas de poder em São Paulo. Munido de um disfarce e muita coragem, o homem tenta a todo custo prejudicar os negócios dos bandidos e eliminar quantos criminosos for possível. Samuel Macuco é o grande chefe do crime organizado e nenhuma decisão será acatada se não passar por ele, o que faz de Macuco, portanto, o alvo principal de nosso vingador mascarado. Acontece que seus ataques à rede já foram detectados por Samuel, que agora não medirá esforços para destruir o principal motivo da crise em seus “negócios”.

Giuseppe Giglio é um cardeal que serve diretamente ao Papa no Vaticano. Pela importância de sua função e pela lealdade demonstrada, ele foi o encarregado de uma missão fundamental para a manutenção da paz e da ordem dentro da Igreja e entre o povo: encontrar e extinguir um demônio há muito tempo aprisionado dentro de uma Pedra Elemental, que agora perambula pelo nosso país em busca de domínio, poder e destruição. Para esta tarefa, a Igreja uniu-se a um aliado pouco ortodoxo e nada previsível: o vampiro Jean, maior inimigo e oponente do monstro. Juntos, Giglio e Jean travam uma árdua procura pelo demônio, para então mandá-lo de volta para o lugar do qual ele nunca deveria ter saído.

Trevas foi uma das leituras mais gostosas que eu fiz nos últimos tempos. Encontrei vários pontos dentro da narrativa que me chamaram atenção e um deles foi a escrita do autor. Leve e fluida, a forma de narrar de J. Modesto tem o poder de colocar o leitor dentro da trama, como uma personagem efetiva do elenco. O mais interessante é que as informações não são dadas ao público como um todo: ao longo da narração, o leitor age como um caçador em busca de pistas, que juntas formam o quebra-cabeça a ser montado para a construção do enredo. Dessa maneira, nós, que estamos acompanhando a história, descobrimos tudo ao mesmo tempo que as personagens, o que possibilita vários sentimentos distintos durante a leitura: surpresa, tristeza, raiva, compaixão, angústia, medo, todas essas sensações passam das páginas para a vida real, e fica difícil largar o livro antes de saber o que realmente acontece no desfecho da narrativa. A linguagem acessível utilizada pelo autor foi um dos aspectos que tornou a leitura ainda mais agradável, dando ao leitor os meios para se inteirar da história das personagens e compreender suas ações, por mais estranhas ou controversas que elas sejam.

É importante ressaltar que, ao longo da narração de Trevas, J. Modesto nos apresenta a várias personagens, cujas histórias se desenrolam ao mesmo tempo. O livro é narrado inteiramente em terceira pessoa, sendo o narrador o responsável por conduzir o leitor dentro desses enredos paralelos que compõem o livro. Esse foi um aspecto que me confundiu no início, mas conforme a leitura avança, tudo se encaixa em seu devido lugar e o público consegue definir a trajetória particular de cada protagonista. Eu particularmente achei uma jogada muito inteligente do autor construir essa verdadeira teia de narrativas distintas, principalmente porque ele conseguiu algo muito difícil de se fazer: todas as histórias, em algum momento, se entrelaçam e fazem sentido juntas, dando ao livro uma complexidade e riqueza ainda maiores.

Na minha opinião, apesar de não estar explicitamente dividido dessa maneira, o livro tem duas partes bastante distintas: na primeira, o autor se dedica a apresentar ao leitor as personagens, suas motivações e objetivos e o cenário que envolve a narrativa. Obviamente, esta parcela introdutória do livro é bastante descritiva e não contempla muita ação. Já na segunda metade da narração, com o leitor já inteirado sobre todos os aspectos importantes do enredo, a leitura flui ainda mais rápido e os acontecimentos se sobrepõem uns aos outros, deixando pouco tempo para que o público respire entre uma ação e outra. Acredito que essa suposta divisão foi uma escolha acertada do autor. Ela permite ao leitor entender as atitudes das personagens e conhecê-las mais profundamente, bem como ao mundo ao qual elas pertencem.

Outro fator que não poder passar despercebido nessa resenha é o fato de Trevas ser um livro com diversos protagonistas. O elenco de personagens é relativamente grande, e eu confesso que não consegui classificar nenhum deles como secundário. Todos, na minha opinião, têm um papel bastante definido dentro das tramas do livro e um porquê de estar ali. Isso foi o que mais me conquistou neles. J. Modesto construiu todos de maneira bastante transparente e ao mesmo tempo muito complexa: Paulo é um jovem que não consegue superar a perda da família e todo esse rancor pelos responsáveis é o que o torna implacável. Mas, junto dessa suposta inteligência invencível, existe uma obsessão que move suas ações e determina seu destino, o que o deixa, de alguma maneira, preso a essas pessoas que tanto despreza. Samuel Macuco é um líder nato, mas também exigente, que não perdoa falhas e não tolera ser desobedecido. Seus capangas pagam com a vida qualquer erro que cometem e Macuco não tem medo de usar seu poder para conseguir o que quer e levantar ainda mais seu império. Macuco é uma personagem bastante dúbia para mim, uma vez que, apesar de odiá-lo por muitos motivos, por muitas atitudes cruéis e sádicas que ele toma, ao longo do livro conhecemos sua história, e fica difícil não sentir um resquício de compaixão por ele. 

Giglio nos é apresentado como um homem de fé inabalável, capaz de qualquer coisa para proteger a Igreja que ele tanto defende. Inteligente e culto, a personagem se vê constantemente em um conflito interno por conta da aliança que precisou fazer para cumprir a missão que lhe foi dada, aliança essa que vai contra todos os princípios que aprendeu ao longo da vida como cardeal. Jean, ao contrário, é uma personagem extremamente carismática e, diferente da maioria dos vampiros, não muito misteriosa: tudo que ele deseja é exterminar o demônio que já tirou tanta coisa de sua vida, e ele não vai medir esforços e muito menos deixar os escrúpulos atrapalharem nesta vingança. Suas falas carregadas de ironia e sarcasmo rendem bons momentos ao longo do livro. Maria é uma voluntária na Igreja onde Paulo se refugiou por algum tempo após um embate com os criminosos que persegue, e acaba se tornando uma das personagens mais cativantes de todo o elenco. Valente e decidida, a mocinha está longe de ser uma das donzelas em perigo que costumamos encontrar: ela sabe muito bem se defender e cuidar de si mesma, apesar de seus momentos de medo e receio. Bondosa e perspicaz, se transforma em uma figura indispensável ao desfecho da narrativa.

Um dos aspectos que eu mais curti ao longo do livro foi a mistura que o autor fez entre ficção e realidade em sua narrativa. Ao mesmo tempo em que temos criaturas sobrenaturais que só existem dentro de livros fictícios, temos também datas, espaços e acontecimentos que realmente fazem parte do nosso mundo e que são facilmente reconhecidos por nós ao longo da leitura. Essa fusão entre dois elementos tão contrastantes e, paradoxalmente, tão complementares entre si é a grande responsável pela veracidade intrínseca à história. Em união às personagens extremamente críveis, com defeitos e qualidades com as quais o leitor pode facilmente se identificar, a junção entre o real e o ilusório dá o tom verossímil do livro, enriquecendo ainda mais uma trama já bastante trabalhada e pensada em seus mínimos detalhes.

Com relação à diagramação do livro, eu gostei muito do trabalho feito. A capa nos remete bastante a um livro de fantasia, que é o principal gênero utilizado pelo autor para a construção desta narrativa. As páginas são amareladas e a letra tem um tamanho agradável, o que colabora no processo de leitura rápida e fluida. Se tiver que apontar um possível defeito no livro, seria alguns erros de pontuação que encontrei no decorrer da leitura, mas isso não foi sério a ponto de prejudicar a história em parte alguma.

Trevas é um livro que vai agradar a muitos tipos de leitores: se você curte perseguições, muita ação e um esquema de mocinho e bandido em combate, esse é o livro pra você; se quiser fantasia, criaturas lendárias e batalhas, esse é também o livro pra você; e se desejar aventuras, cheias de adrenalina e momentos tensos e decisivos, esse é, ainda mais, um livro indicado pra você. J. Modesto conseguiu, em poucas páginas, mostrar o valor de um trabalho de pesquisa bem feito, de uma preocupação em juntar todas as pontas da sua história e de dedicar-se para envolver e entreter o leitor. O resultado foi uma narrativa instigante, apesar de simples, que prende do início ao fim. 

E vocês, já conheciam o autor ou o livro? Me contem tudo nos comentários! Até a próxima, viajantes!

[RESENHA] Nunca Olhe Para Dentro - Amanda Ághata Costa

16 fevereiro 2018

Hey, pessoas!

Faz algum tempo que não trago resenhas no blog pra vocês (aliás, faz algum tempo que não escrevo nada por aqui), e por isso nada melhor do que retomar os trabalhos com o mais novo lançamento da nossa parceira Amanda Ághata Costa, um livro que vai te arrancar lágrimas e sorrisos e deixar seu mundo muito mais colorido. Conheçam e se apaixonem por Nunca Olhe Para Dentro!

Nunca Olhe Para Dentro

TÍTULO: Nunca Olhe Para Dentro
AUTOR:
Amanda Ághata Costa

EDITORA:
Amazon

NÚMERO DE PÁGINAS:
482 páginas

COMPRE NA AMAZON

SINOPSE: 
Nem sempre a vida é colorida como um quadro ou suave como uma pincelada, às vezes é o contrário de tudo isso. Depois de perder os pais em um acidente de carro aos oito anos, a única coisa que Betina precisa fazer é encontrar o responsável por ter destruído sua família na noite que daria início à sua próspera carreira como pintora. Agora, longe dos pincéis e das paletas, ela está focada em terminar a primeira graduação e procurar na justiça um pouco de consolo para o caos que o seu passado ainda traz. Ao lado de seus amigos e sob o teto de uma tia que a detesta, ela perceberá de que cores as pessoas são feitas, e do quanto é realmente necessário olhar para dentro de tudo aquilo que a assombra, mesmo que para isso precise passar por uma inesperada decepção.

     

Um acidente trágico marcou a vida de Betina pra sempre e definiu seu destino. Depois de perder os pais, a pintora prodígio de Ostala vai morar com Cecília, sua tia. O que ninguém poderia imaginar é que Cecília está longe de ser uma proteção para Betina: a mulher faz tudo que pode para deixar claro seu ódio pela menina, inclusive lhe tirar o que ela mais ama, a pintura. Violência e ameaças são constantes na vida da garota, e tudo que ela quer agora é se manter distante de tudo isso para, enfim, conseguir desvendar a verdade por trás da morte de seus pais. Em meio a todo esse caos em que Betina se encontra, um ponto de equilíbrio aparece quando ela conhece Nicolas, um médico atencioso e compreensivo pelo qual Betina se vê completamente envolvida. Mas coisas importantes estão em jogo, e esse amor vai ser posto à prova. Agora, Betina precisa lutar pra que Nicolas, aquele que dá cor a sua vida, continue pincelando alegria e felicidade nos seus dias, apesar de tudo.

Que eu sou fã do trabalho da Amanda vocês já sabem e que A Escolhida é meu livro preferido também não é novidade pra ninguém. O que vocês não imaginam ainda é que esse é um livro totalmente diferente do primeiro escrito pela autora, não só no gênero, mas também nos temas que aborda e nos personagens que apresente. NOPD é intenso, profundo e real, tão real que dói ler cada linha ali escrita. Narrado em primeira pessoa, o livro nos faz conhecer a vida de Betina desde sua infância até a convivência com Cecília, turbulenta e cheia de conflitos. Nada é poupado do leitor: Amanda traz uma história envolvente e crua, que prende o leitor do início ao fim, mas nem por isso deixa de ser angustiante e triste. Se eu tivesse que escolher apenas um adjetivo para caracterizar NOPD seria esse: doloroso.

Betina é nossa protagonista e também a narradora do livro. É a partir do seu ponto de vista que conhecemos a história, e essa foi uma escolha inteligente da Amanda, visto que existem coisas e momentos que apenas a própria Betina poderia descrever. No livro, temos duas versões da garota: um delas, alegre e divertida, apaixonada pela vida e sonhadora, aparece em uma pequena parte, em raros momentos, mas encanta e nos faz gostar dela logo de cara; a outra versão, frágil, cheia de dor e com anseio de justiça é a que nos acompanha na maior parte da trama, e essa Betina me assusta, simplesmente porque não deveria existir. Betina é completamente apaixonada pelas cores, mas elas deixaram de fazer parte da sua vida a partir do momento que seus pais se foram. A garota não consegue se desligar desse acidente, nem ao menos entende porque continuou viva. A sombra da injustiça a persegue, e as ameaças de Cecília, que faz questão de demonstrar a todo tempo que ela não vale nada e que tudo que sente por ela é ódio e rancor, tornam insuportável a vida dentro do próprio ambiente que ela deveria chamar de lar. Apesar disso, bem lá no fundo, em alguns momentos, conseguimos vislumbrar a Betina cheia de luz e cores, e esses são os melhores momentos do livro. A protagonista é uma personagem marcante pela sua força e persistência, apesar das adversidades em seu caminho. Sua história serve de inspiração pra todos.

Nicolas é o par romântico de Betina e também aquele tipo de cara que toda garota sonha encontrar. Muito mais do que um rostinho lindo, Nic é inteligente, engraçado e completamente dedicado à garota que ama (Betina, no caso). Compreensivo ao extremo e muito paciente, é Nicolas que ajuda Betina a enxergar as cores que ainda faziam parte da sua essência, e é junto dele que a nossa protagonista vai se redescobrir viva e cheia de sonhos por realizar. O amor entre eles é construído aos poucos e nós, leitores, conseguimos acompanhar cada etapa dele, cada defesa da Betina ruindo perante a delicadeza e cuidados de Nicolas. O desenvolvimento dessa relação de doação e entrega é uma das coisas mais bonitas do livro inteiro, e é impossível não se emocionar com as cenas entre os dois. Juntos, eles ajudam um ao outro a descobrir que a vida pode ser mágica, colorida e linda novamente, se tu simplesmente se permitir viver.

Paola e Caio são os melhores amigos da Betina e os responsáveis pela grande maioria dos momentos hilários e cômicos do livro. Espontâneo, Caio é o senhor das piadas em momento inoportunos e rei dos apelidos mais icônicos que alguém poderia pensar. Paola é decidida, forte e sem medo de expressar sua opinião em todas as situações, doa a quem doer, e essa sinceridade toda que acaba nos envolvendo. Juntos eles formam a dupla dinâmica sempre pronta pra tirar Betina dos momentos mais difíceis e dar um pouco de alegria à menina. A amizade que existe entre os três é um dos sentimentos mais palpáveis e reais do livro, dá pra notar que eles estão um ao lado do outro em qualquer ocasião, prontos pra se apoiar e se ajudar mutuamente. Betina, Paola e Caio são o exemplo de como o carinho e a amizade pode unir três pessoas tão diferentes e transformá-las em uma só, sempre dispostos a lutar e enfrentar o mundo pelo outro.

Cecília é a personagem mais odiável que vocês puderem imaginar. Pensem na madrasta da Cinderela e agora multipliquem toda essa maldade por um número infinito de crueldade, e vocês chegarão perto de entender quem é a tia da nossa protagonista. Rancorosa e até um pouco sádica, Cecília é a junção de tudo que há de pior num ser humano: sua vida é cheia de vazios, seu coração é oco, e ela desconta toda a mágoa e negatividade em cima da sobrinha, a pessoa que ela mais odeia no mundo. O pior disso tudo é que em nenhum momento ficamos sabendo de um motivo plausível para tudo que ela sente pela Betina, ela simplesmente não suporta a garota, e é isso. Não que as atitudes de Cecília sejam justificáveis de alguma forma, mas saber que ela faz tudo isso por maldade pura e simples deixa tudo ainda mais perturbador. Alguns de vocês podem, apesar de tudo, sentir pena de Cecília, pela vida fútil que ela leva, pelo fato de ela não ter ninguém que fique do seu lado porque realmente a ama. Mas acreditem: a Cecília não merece nada disso. Ela é má, no pior e mais cruel sentido da palavra, e nada mudaria isso. Faz parte dela, está na essência do seu ser, e essa é a parte mais triste da história da megera.

NOPD tem uma linguagem poética e sutil, cheia de metáforas e alegorias, a maioria relacionada às cores, que guiam a vida da nossa protagonista. Esse é o tipo de escrita da Amanda, desde A Escolhida, mas em Nunca Olhe Para Dentro essa linguagem se torna peça fundamental do livro, porque ela ajuda a tratar de um tema nada fácil, com a delicadeza e cuidado que o assunto merece: violência doméstica. Todas as ameaças e agressões físicas sofridas por Betina ocorrem dentro da casa, que deveria ser seu lar, e são cometidas por sua tia, a pessoa que devia zelar pela sua felicidade bem-estar. O ponto alto de NOPD é trazer à debate, de forma branda, mas consistente, um tema tão importante e atemporal como esse. Em cada cena de violência, nosso coração diminui um milímetro mais, nossas mãos suam e, em vários momentos, eu precisei parar a leitura, porque as lágrimas não me deixavam mais continuar a ler. É impossível não se sentir tocado pela história da protagonista e imaginar quantas Betinas existem por aí, bem à frente dos nossos olhos, passando muitas vezes despercebidas porque não prestamos a devida atenção, ou simplesmente não queremos enxergar. O livro é muito mais do que uma forma de resistência: é um choque de realidade necessário e explícito, que nos aterroriza e faz refletir ao mesmo tempo não só sobre as atitudes desse tipo de agressor, mas também sobre as nossas próprias ações frente a essas situações.

NOPD foi disponibilizado pela Amanda em formato de e-book, mas eu confesso que isso não atrapalhou em nenhum momento a leitura. A fonte é agradável aos olhos e não cansa o leitor, eu li o livro inteiro em dois dias, mas quando acabou eu queria mais. É assim que eu sei quando o livro é incrível: ele sempre me deixa querendo mais. Apesar de toda a angústia, de toda a tristeza e dor que eu senti durante a leitura, as cores da Betina, que ela esconde até de si mesma, te contagiam de formar verdadeira e irreversível, e é difícil largar o livro antes da última linha e não sentir saudades da história depois.

Ao final dessa resenha, acho que eu posso classificar NOPD como um grito: um grito de socorro, um grito de resistência, um grito de luta, um grito, enfim, de amor e solidariedade. Com a Betina, aprendemos que, independente de toda a escuridão que nos cerca, sempre haverá uma cor com a qual pintarmos nosso mundo. Amanda mais uma vez nos pega de surpresa com um livro cheio de sentimentos e capaz de despertar as mais fortes sensações. Porque Nunca Olhe Para Dentro é exatamente isso: uma caixa de emoções, de surpresas, de afirmações e encontros, mas, acima de tudo, uma caixa de lembranças, lembranças da Betina, que nos conduzem por essas páginas e nos mostram um mundo fictício e ao mesmo tempo real, distante e ao mesmo tempo tão próximo. Um mundo no qual nós podemos agir, devemos agir, para transformar o cinza em vermelho e espalhar esperança e amor, independente da dificuldade que encontrarmos pelo caminho. Com NOPD, aprendemos, enfim, que a vida é uma tela em branco, e cabe a nós pintá-la com todas as cores possíveis, de todas as maneiras que pudermos imaginar.

Se curtiram a resenha, vocês vão amar ainda mais o livro! Ele está disponível na Amazon e eu deixei o link no comecinho da postagem. Corram lá e depois me contem o que acharam! Até a próxima, viajantes!

[RESENHA] A Garota do Cemitério (Os Impostores #1)

03 abril 2017

Hey, pessoas!

Há algum tempo, nossa parceira, a editora Valentina, nos mandou um email de um lançamento em graphic novel perguntando se os blogueiros teriam interesse em resenhar. Eu, como sou aficcionada por quadrinhos desde muito pequena, não pensei duas vezes antes de conferir a história, e eu confesso que não me decepcionei. Vamos conferir as impressões de A Garota do Cemitério?

Os Impostores
TÍTULO: A Garota do Cemitério (Os Impostores #1)
AUTOR: Charlene Harris, Christopher Golden e Don Kramer
EDITORA: Valentina
NÚMERO DE PÁGINAS: 128 páginas
SINOPSE: Ela adotou o nome Calexa Rose Dunhill, inspirada numa lápide do sombrio ambiente em que acordou, ferida e apavorada, sem qualquer lembrança de sua identidade, de quem a jogou lá para morrer ou mesmo do porquê. Fez do cemitério o seu lar, vivendo escondida numa cripta. Mas Calexa não pode se esconder dos mortos – e, quando descobre que possui a estranha capacidade de ver as almas se desprenderem de seus corpos... Então, certa noite, Calexa presencia um grupo de jovens praticando uma sinistra magia. Horrorizada, testemunha o ato insano que eles cometem. Quando o espírito da vítima abandona o corpo, ele entra em Calexa, atormentando sua mente com visões e lembranças que parecem não ser dela. Agora, Calexa deve tomar uma decisão: continuar escondida para se proteger – afinal, alguém acredita que ela está morta – ou sair das sombras para trazer justiça ao angustiado espírito que foi até ela em busca de ajuda?

    

A Garota do Cemitério é uma graphic novel que faz parte da trilogia Os Impostores, já bem famosa lá nos states. Construída a três mãos habilidosas e conhecidas do público, nesta história vamos conhecer Calexa, uma garota misteriosa, que acorda num cemitério em um certo dia, sem lembrar nada do seu passado ou de como veio parar ali. Só o que a jovem sabe é que, de alguma forma, seu alerta de sobrevivência está ligado, e é por isso que, a partir daquele momento, ela passa a viver entre as lápides do cemitério, protegendo-se do que quer que esteja tentando encontrá-la. Para sua surpresa, no entanto, depois de presenciar um ritual macabro entre amigos, Calexa descobre uma habilidade um tanto quanto incomum: ela não só consegue ver as almas das pessoas deixando seu corpo, como pode se comunicar com elas. É assim que a garota é jogada dentro de uma situação que a deixa dividida entre fazer justiça ou continuar sobrevivendo isolada e oculta nas sombras.

Gostaria de começar dizendo que esta será uma resenha um pouco menor do que as que vocês estão acostumados a ver por aqui. Em virtude da novela ser bastante curta, pretendo evitar ao máximo dar detalhes minuciosos que possam entregar qualquer parte do enredo e acabar estragando a leitura para os que, assim como eu, detestam um spoiler. O que posso dizer é que a trama da novela é tão intrigante, que eu realizei a leitura em menos de duas horas! Isso mesmo, não consegui largar o livro antes de chegar ao final, e tenho certeza que o mesmo vai acontecer com vocês.

Logo de cara, somos jogados junto com a protagonista numa situação de extremo mistério, que permanece até o final do livro. Como é o primeiro livro da trilogia, existem muitas perguntas que ficam sem resposta no decorrer da leitura, mas eu acredito que isso já seja um gancho proposital para os próximos volumes. Em todo caso, mesmo sendo um livro introdutório a esse universo, o suspense e o clima de total falta de pistas deixa o leitor tão ou mais intrigado quando Calexa sobre o que aconteceu com ela e como ela foi parar naquele cemitério. De alguma forma, durante o enredo, os autores deixam implícito algumas informações, por isso a leitura precisa não só ser dinâmica, mas também bastante atenta.

Calexa é uma personagem cheia de discrição e muito mistério em torno de si. Aliás, se eu tivesse que descrever a protagonista com uma palavra, seria exatamente essa: mistério. Tudo nela é oculto e nebuloso, até pra ela mesma. O que fica claro através de suas ações é que seu caráter, ao contrário de sua vida, é claro e sólido: ela é uma verdadeira guerreira. Não digo isso apenas pela questão de sobrevivência, mas também pela forma como ela reage aos acontecimentos da trama. Mesmo cheia de receio e medo de ser capturada por quem quer que seja, a garota dá um jeito de fazer tudo de um modo que ela considera correto, e essa insistência no justo me conquistou de primeira. Passei a não só torcer pela personagem, mas também a desejar conhecê-la melhor, ter detalhes de sua história, pra poder entender um pouco mais sobre a criatura por trás de todo essas imprecisões.

Outro ponto importante para a história é a rapidez com que tudo acontece. São muitos eventos ao mesmo tempo, o clima é bastante frenético e não te deixa muito espaço pra respirar e acompanhar todos os acontecimentos. Particularmente, isso é um fator bastante positivo da obra pra mim, sempre gostei de enredos cheios e tensos, me deixam com ainda mais vontade de ler o livro. Além disso, por incrível que pareça, os autores conseguiram fazer os eventos girarem em torno da protagonista, apesar de envolverem outros personagens, tão interessantes quanto ela, sem nunca perder o foco, que é Calexa e suas verdadeiras origens.

A diagramação feita pela editora Valentina é um detalhe à parte, que merece muito reconhecimento. Além de figuras cheias de vida e cor, os diálogos e cenas foram muito bem distribuídos e souberam ocupar o espaço das páginas de forma extremamente contundente, o que, dentro de um gênero como graphic novel, é de importância gigante. A fonte escolhida foi pensada com cuidado, isso fica claro, e auxilia na hora da leitura. A textura do papel e as cores são outro ponto forte da edição e que nenhum leitor mais atento vai deixar passar em branco.

Finalizo essa resenha recomendando a todos o livro, tenho certeza que vocês vão se envolver com a história de Calexa tanto quanto eu e vão ficar doidos procurando pistas em todos os lugares possíveis. Abaixo vocês podem conferir algumas fotos da edição, só pra dar um gostinho a mais em quem ainda não tem seu exemplar:





Espero que tenham curtido a resenha, e se já conhecem o livro me contem suas impressões nos comentários também! Até a próxima postagem! 😚😚

[RESENHA] Hunter (Caçadores de Santa Fé #1) - Kate Willians

03 março 2017

Hey, pessoas!

Como vocês já sabem, se acompanham o blog, nós fomo selecionados para parceria com a linda Kate Williams, e a resenha de hoje traz pra vocês as impressões sobre o primeiro livro dela lido por mim, Hunter, publicado pela editora Coerência!

Hunter

TÍTULO: Hunter (Caçadores de Santa Fé #1)
AUTOR: Kate Willians
EDITORA: Coerência
NÚMERO DE PÁGINAS: 286 páginas
SINOPSE: Não existem heróis, tampouco vilões. Por trás de atos raivosos e atrocidades tenebrosas, há sempre uma verdade triste. Ninguém consegue mascarar a maldade que há dentro de si, por muito tempo. Hunter, O caçador de monstros, conta a história de Nicholas Blanco - um adolescente comum, com objetivos comuns e aparência mais comum ainda - que se depara com uma verdade surpreendente sobre seu passado e a confirmação que pode ser e fazer muito mais do que o que sempre imaginou para o seu futuro. Conta também a história de Ramon Blake, um jovem caçador no passado, que teve o amor de sua vida brutalmente arrancado de si e se deixou dominar pela dor e pelo ódio. Essa é uma história sobre caçadores que descobrem ser tão ou mais horríveis que as próprias criaturas que caçam.

    

Nicholas é um garoto nada popular na escola, além de tipicamente adolescente. Seus melhores amigos são os irmãos Sara e Jason, e em comum os três possuem a falta dos pais. Os de Nick morreram em um misterioso acidente com um animal, que ninguém sabe explicar exatamente. Toda sua vida muda de uma hora pra outra quando seu amigo Jason o convida para ir em busca do pai biológico dos irmãos, no Novo México. A partir daí, os dois garotos nem imaginam, mas farão descobertas que transformarão sua visão sobre o mundo e a si mesmos.

O livro Hunter chegou até mim através da parceria com a autora e logo de início já me surpreendeu pela construção que a Kate conseguiu fazer, com relação ao enredo e aos personagens, principalmente. Os caçadores são divididos em três famílias maiores: Blanco, Blake e Santos e seu objetivo maior era deter qualquer tipo de criatura sobrenatural que pudesse causar algum mal aos humanos. Eles eram convocados e treinados para a caça desde muito novos, o que fazia com que acabassem quase invencíveis com suas habilidades. Por falar em habilidades, cada família é destinada a uma das mais essenciais na caça e na luta, e juntos eles complementam-se e formam um só povo e ser. Todo esse mundo criado pela Kate é novo pra mim e me impressionou pela construção detalhada e cheia de minuciosidades que não passam despercebidas até ao leitor menos atento. O universo de Hunter não é apenas bem montado e encenado, mas é quase palpável, de forma a envolver ainda mais o leitor na história e torná-lo parte de toda a trama.

Nicholas é um adolescente impopular no colégio que possui apenas dois grandes amigos e uma paixão impossível. Criado por sua tia desde que perdeu seus pais num acidente misterioso, o garoto se culpa por, de alguma forma, ter tirado o pouco de liberdade que a mulher possuía. Quieto, fechado e sempre na dele, poucas pessoas conseguem conhecer o verdadeiro Nick, um garoto divertido, inteligente e determinado, capaz de tudo para proteger aqueles que ama, que sente falta do amor e carinho de seus pais. É fácil identificar-se com o personagem, as fases e conceitos pelos quais ele passa no decorrer do livro nos representam em muitas ocasiões, e nos vemos mesmo que inconscientemente torcendo e vibrando com cada conquista do menino.

Sara é uma mocinha não-convencional. A garota foi criada afastada de seu pai e sua única família é seu irmão Jason, pelo qual ela faria qualquer coisa. Desinibida e despreocupada com a impressão que causa, Sara não dá a menor importância a má fama que carrega e faz tudo o que tem vontade, sem pensar nas consequências. No fundo, ela é só uma garota solitária e perdida, que quer acima de tudo encontrar-se e encontrar alguém que a entenda e dê o carinho que lhe foi negado desde a infância. Confesso que eu em alguns momentos as atitudes dela me deixaram insuportavelmente parecida com uma velha de oitenta anos que repreende qualquer gesto fora do correto, mas logo depois eu me via envolvida com os sentimentos demonstrados por Sara e entendia completamente seu lado da história. Minha única vontade então era abraçá-la e dizer que ela não precisava de nada disso pra chamar atenção, pois havia pessoas que a amavam e fariam tudo por ela bem ao seu lado.

Jason é o típico irmão mais velho: protetor, cuidadoso, cheio de amor para com Sara. Descolado, divertido e inteligente, o garoto faz piadas das próprias desgraças, e faz o maior sucesso com as garotas, não só por isso, mas pela sua aparência abundantemente bela. No entanto, ele é muito mais do que um simples rostinho bonito. Jason é determinado e corajoso, e sonha, acima de tudo, em reencontrar o pai e juntar sua família novamente. É difícil não ficar comovida com a relação entre os dois irmãos, ela é forte, verdadeira e admirável, exemplo pra muitos de nós. A amizade entre os irmãos e Nick também é um laço inquebrável, e é lindo e emocionante acompanhar o quanto eles se doam um pelo outro, como se protegem e cuidam-se mutuamente.

Ramón é um homem injustiçado e ferido. Acho que essa é a melhor definição para ele. Depois de perder o grande amor de sua vida para as pessoas que ele mais confiava, e ser obrigado a se unir a uma caçadora apenas para perpetuação da espécie, o homem tornou-se amargurado, preocupado apenas em alcançar uma vingança que ele achava ser a solução para a dor que carregava continuamente consigo. É claro que em muitos momentos eu fiquei morrendo de vontade de socar a cara do homem e dizer que os filhos precisavam dele mais do que nunca, mas no fundo, eu o entendia, profundamente. Para mim, Ramón passa longe de um vilão: na verdade, ele é uma das maiores vítimas do clã dos caçadores, e todas as suas atitudes condenáveis advém da incapacidade de compreender, respeitar ou superar as decisões tomadas em seu lugar por aquelas pessoas que se importavam apenas com sua própria raça.

Walter é o mais terrível homem que vocês puderem imaginar. Sem escrúpulo nenhum, ele usa as pessoas para alcançar seus objetivos sórdidos e egoístas, e não se importa com quem precisará ferir no caminho. Ele é ambicioso e cheio de maldade, ardiloso, estrategista e frio, ao extremo. Confesso que aquela voz mansa e a vontade de sempre fazer o melhor para todos nunca me enganou, mas um leitor mais desatento pode ficar surpreso com a extensão não só da maldade, mas também da engenhosidade do homem, que ele usa para seus propósitos desleais, na busca incessante por apenas uma coisa: poder infinito.

Um ponto importante no livro são as reviravoltas que a Kate conseguiu inserir no decorrer da história. Enquanto eu, como leitora, esperava alguns momentos e finais para as personagens, a autora decidiu-se por outros, e isso me surpreendeu e deixou mais do que satisfeita. Alguns episódios e acontecimentos me deixaram de queixo caído, outros me tiraram o fôlego e outro ainda fizeram meu coração confranger-se de emoção ou tristeza. Acho que a única coisa que eu gostaria de ter visto seria um pior final para Walter, mais elaborado talvez, porque ele realmente merecia sofrer muito mais do que sofreu depois de todas as atrocidades que cometeu durante a trama.

Hunter foi um livro que marcou o início da minha trajetória como leitora da Kate, e posso dizer que eu não poderia ter escolhido uma história melhor. Tudo no livro me ajudou a mergulhar nesse mundo novo e cheio de mistérios e perigos, e agora tudo que eu quero é voltar pra lá e não precisar mais sair. Vou lembrar desses personagens ainda por muito tempo, vou recordar da trama com carinho sempre, e só tenho uma coisa a dizer ao final dessa resenha: que venham mais livros da Kate, porque eu tenho certeza que todos serão tão ou mais maravilhosos que este! Até a próxima postagem! 😚😚