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[DIVULGAÇÃO] Vampiresa - J. Modesto

12 dezembro 2018

Olá, viajantes!

Estou em falta com o blog mais uma vez, mas é por conta do meu mestrado, que anda ocupando todo meu tempo. Assim que as coisas se normalizarem por aqui voltarei ao meu ritmo normal de leitura e poderei trazer resenhas mais frequentes aqui para o nosso cantinho. Espero que vocês tenham paciência comigo.

Enquanto isso não acontece, venho trazer para vocês mais uma novidade do nosso autor parceiro, J. Modesto: conheçam Vampiresa, lançamento do escritor!

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TÍTULO: Vampiresa
ANO DE LANÇAMENTO: 2018
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SINOPSE: Amor! Por ele, uma Condessa foi levada a se tornar uma criatura das trevas. E, em meio a essa sua nova existência, transformou-se uma predadora fria e cruel. Contudo, séculos depois, a condessa se depara com alguém muito mais poderoso, que, munido de sua Katana e de venenosas estrelas de prata, vem dizimando os inimigos naturais de sua raça, e, agora, volta sua atenção para os de sua espécie. Mas aquele antigo sentimento, que custara sua humanidade, retorna com toda a força, ditando o relacionamento confuso entre os oponentes. Vampiresa é uma eletrizante aventura, que passa pelo Japão feudal, visitando a Idade Média, e chegando aos nossos dias. Imperdível!

Se interessou pelo livro? Abaixo vocês encontram um trechinho dele para aguçar ainda mais a curiosidade!


"A silhueta de um ser humanóide, agachada a sua frente, pareceu se agigantar, e seus olhos amarelados se destacaram em meio as sombras. Sua forma meio humana meio lupina ficou evidente, quando ele se ergueu, colocando-se de pé sobre as patas traseiras. Com um passo à frente, se colocou sob um facho de luz, vindo da iluminação pública, tornando-o completamente visível. Um rosnado forte e assustador saiu de sua garganta, e os lábios negros recuaram, deixando expostos os pontiagudos dentes, enquanto a saliva viscosa escorria por sua mandíbula, gotejando em direção ao asfalto. Seu tamanho facilmente atingiu dois metros de altura, acentuando ainda mais seu aspecto assustador e sua agressividade. Sem alternativa, que não o confronto, a vampira preparou-se para se defender, retribuindo a expressão ameaçadora."

Sobre o autor: J. MODESTO é um dos Ícones da Literatura Fantástica Nacional. Formado Arquiteto e Urbanista, pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, abandonou suas pranchetas para enveredar pela ficção. Dentre suas influências está seu maior ídolo, H. P. Lovecraft, seguido de nomes importantes como Bram Stoker, Stephen King, Anne Rice, Mary Shelley e Edgar Allan Poe. Seu romance de estreia foi TREVAS (2006), que teve uma grande aceitação do público. É também autor de Anhangá – A fúria do demônio (2008), destaque da Editora na Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2008, Vampiro de Schopenhauer (2012) e Joelma – Antes da escuridão (2014). Participou, junto com outros renomados autores nacionais, das coletâneas Amor vampiro (2008), Anjos rebeldes (2011) e Livro do medo (2012). Vampiresa é seu quinto romance publicado. 

Eu confesso que, como amo história com esses seres noturnos, tô bem ansiosa pra ler o livro. Alguém mais no meu time? Até a próxima postagem, e boa viagem pelos livros a vocês!

[RESENHA] Anhangá, a Fúria do Demônio - J. Modesto

28 setembro 2018

Olá, viajantes!

Hoje trago para vocês mais uma resenha de um livro escrito pelo nosso parceiro J. Modesto, cheio de ação e batalhas de tirar o fôlego. Conheçam Anhangá, a Fúria do Demônio, e embarquem vocês também nessa aventura!

Anhangá - A Fúria do Demônio

TÍTULO: Anhangá, a Fúria do Demônio
AUTOR: J. Modesto
EDITORA: Giz Editorial
NÚMERO DE PÁGINAS: 246 páginas
SINOPSE: 300 anos antes do descobrimento, um naufrágio no litoral brasileiro traz para o mundo ainda não explorado um demônio que logo será conhecido pelos nativos como Anhangá. Um feiticeiro mouro, único sobrevivente da tripulação da nau que trouxe o demônio aprisionado, um poderoso pajé e guerreiros de tribos rivais formam uma aliança para derrotar a criatura, sabendo que a morte os aguarda!
 

   

Nossa história começa ainda antes do descobrimento do Brasil. Kaudemuns, um poderoso e ganancioso feiticeiro, queria dominar o poder total a qualquer custo. Para isso, decidiu que precisava de ajuda. Foi nesse momento que, munido de uma magia incontrolavelmente forte, deu vida aos Demônios Elementais, juntamente às Pedras Elementais, que permitiam ao feiticeiro controlar as criaturas. Mas a ambição de Kaudemuns fazia-o cego para qualquer outra coisa e assim, utilizando seu poder de manipulação, e demônio do elemento Terra conseguiu enganar o feiticeiro e libertar a ele e seus irmãos do encantamento. Desesperado, de algum modo o feiticeiro conseguiu fugir do golpe fatal das criaturas e fugiu, levando consigo as Pedras Elementais. 

Anos após o acontecido, o Demônio da Água foi, enfim, aprisionado em seu próprio elemento pelos guerreiros templários, ajudados por um mago mouro de nome Mohamed com uma magia poderosa. Os guerreiros, então, decidiram colocar a criatura em um navio e transportá-la através do além-mar, por onde acreditariam chegar à borda do mundo. Lá, eles pretendiam jogar o Demônio ao abismo, condenando-o à morte. Mesmo contrariado, Mohamed aceitou participar da viagem, para que pudesse ele mesmo manter a prisão da abominável criatura intacta. O que a comitiva não esperava era que o Demônio, ajudado pela água do mar, conseguisse libertar-se. O resultado foi a destruição total do barco onde se encontravam e a morte de todos os guerreiros. Apenas Mohamed conseguiu, milagrosamente, sair com vida.

Longe de toda essa confusão estão os índios Tupiniquins e Tupinambás, que mal imaginam, ainda, que serão jogados no meio do furacão com a chegada do Demônio em suas terras. Avisado por Tupã de um companheiro recém-chegado que poderia ajudá-los na luta contra a poderosa criatura, que já havia devastado várias aldeias e matas, um Pajé da tribo Tupiniquim receber Mohamed como o guerreiro que é e, junto aos índios sobreviventes, eles partem em mais um jornada perigosa para exterminar a temida criatura.

Anhangá, a Fúria do Demônio, é um livro cheio de intensidade. Diferente do livro anterior do autor já resenhado aqui no blog (vocês podem conferir a resenha nesse link), essa é uma narrativa que tem ação do início ao fim, literalmente. O autor nos brinda com uma história bastante particular em todos os seus elementos, mas extremamente envolvente, cujas leitura é fluida e tão rápida que fica difícil acompanhar todos os acontecimentos.

Narrado em terceira pessoa, o livro tem vários focos narrativos, que se alternam no decorrer dos capítulos. Isso é um estratégia interessante pois, como temos diversos personagens para acompanhar e entender ao longo do enredo, ver a história através da perspectiva de cada um deles, mesmo que estas personagens não sejam as vozes da narrativa, dá ao leitor a oportunidade de compreender o desenvolvimento não apenas destes protagonistas, mas também do enredo como um todo, com todas as suas implicações e intrincamentos.

Falando em personagens, assim como em Trevas, aqui o elenco é vasto. Temos o Pajé, o índio Acauã, Mohamed, o próprio Demônio Elemental, isso sem falar em todos aqueles que acabam por padecer nas batalhas (e de alguns, eu confesso, senti falta). O mais interessante e admirável em toda essa gama de personagens é que o autor consegue construir cada um com sua personalidade única e diferente de todos os outros. Não só através dos diálogos, mas também das atitudes de cada um, somos capazes de reconhecê-los e diferenciá-los sem maiores dificuldades. E nenhum deles é deixado de lado no enredo: todos tem sua função bem definida e fundamental para o desenvolvimento da narrativa e, até mesmo, o desfecho final. Alguns deles, como o feiticeiro Kaudemuns, não aparecem ao longo do livro, são apenas mencionados, e mesmo assim são indispensáveis à trama como um todo. Temos até uma aparição do Curupira, gente!

Aqui entramos em outro ponto fundamental e super positivo do livro pra mim: o cenário. O autor fez um trabalho incrível com esse livro! Como o próprio nome já diz, grande parte da história se passa em terras brasileiras, antes do descobrimento, quando as tribos indígenas ainda habitavam e eram donas dessas terras. O que leva o leitor a uma viagem incrível sobre os costumes, a cultura e toda a riqueza que envolve esses nossos antepassados. Temos nomenclaturas indígenas, cenários paradisíacos dos quais nem fazíamos ideia, temos rituais, celebrações e batalhas, tudo isso num complexo e intrincado enredo. A exaltação que o autor faz não apenas do país, mas dos povos indígenas, tão importantes na história do Brasil, é não apenas interessante como mágica e encantadora.

Agora o porquê das quatro estrelas, enfim: eu sei que esse não é o foco do livro e, apesar de o autor ter feito um belíssimo trabalho tecendo o cenário e as personagens, eu confesso que senti um pouco de falta de um pouco mais de aprofundamento nos costumes e na própria cultura indígena, além da questão dos templários, que são essenciais para a trama (temos um capítulo dedicado à explicação da fuga do Demônio, mas aqui eu estou falando da própria ordem). Mas, Patrini, isso não é um livro de história! Sim, galera, eu sei, mas eu sou extremamente curiosa, e se é pra realmente mergulhar em assuntos tão interessantes, ricos e encantadores quantos esses, eu gostaria de ir com tudo, de cabeça mesmo.

No entanto, esse foi um detalhe do qual eu, unicamente, senti falta. Em momento nenhum isso atrapalha a leitura ou diminui a grandiosidade da história aqui narrada. Eu adorei ter contato com essas culturas distintas, adorei a mistura do sobrenatural com o histórico que, mais uma vez, deu muito certo e trouxe riqueza e complexidade ao enredo, adorei mais ainda as batalhas épicas que foram travadas entre Demônios e humanos, que são de tirar o fôlego ao ponto de não conseguirmos desgrudar os olhos da leitura. Se você, assim como eu, curte livros cheios de ação, intensidade e surpresas, Anhangá, a Fúria do Demônio, é um prato cheio! Garanto que vocês não vão se arrepender da leitura. Boa viagem e cuidado: a criatura pode estar à espreita em qualquer etapa do caminho! Até a próxima postagem!

[RESENHA] Trevas - J. Modesto

10 julho 2018

Olá, pessoas! Hoje é dia de resenha e eu venho apresentar pra vocês mais um livro recebido em parceria com o autor J. Modesto. Trevas é um livro de J. Modesto, cheio de ação, aventuras e criaturas sobrenaturais. Neste post vocês vão conhecer as minhas impressões sobre a leitura e um pouco mais da história do livro. 

Trevas

TÍTULO: Trevas
AUTOR: J. Modesto
EDITORA: Giz Editorial
NÚMERO DE PÁGINAS: 288 páginas
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SINOPSE: O Sol ardente contribuía para irradiar a luz própria das igrejas da Cidade do Vaticano. Cenário ideal para uma misteriosa conversa entre o Cardeal Giglio e Sua Santidade, o Papa. Diante de um secreto dossiê, o Papa dá carta branca ao cardeal, para combater o Mal com o Mal. Perante tal contexto, não se iluda o leitor que está diante de uma mera ficção religiosa. O autor, J. Modesto reuniu neste livro suas diversas cenas de terror e suspense, e que, de forma inteligente contextualizou-as no submundo do tráfico de entorpecentes de São Paulo e Rio de Janeiro. Lugar no qual o bem e o mal, o certo e o errado, confrontam-se diariamente, mas do que se possa imaginar. Com esta mistura engenhosa de realidade e ficção, o leitor se depara freqüentemente com a dúvida do que é ou não real.

    

Paulo é um homem destemido e persistente, movido por um desejo de vingança muito grande, desde que perdeu sua família em um ataque, promovido pela máfia que controla todas as esferas de poder em São Paulo. Munido de um disfarce e muita coragem, o homem tenta a todo custo prejudicar os negócios dos bandidos e eliminar quantos criminosos for possível. Samuel Macuco é o grande chefe do crime organizado e nenhuma decisão será acatada se não passar por ele, o que faz de Macuco, portanto, o alvo principal de nosso vingador mascarado. Acontece que seus ataques à rede já foram detectados por Samuel, que agora não medirá esforços para destruir o principal motivo da crise em seus “negócios”.

Giuseppe Giglio é um cardeal que serve diretamente ao Papa no Vaticano. Pela importância de sua função e pela lealdade demonstrada, ele foi o encarregado de uma missão fundamental para a manutenção da paz e da ordem dentro da Igreja e entre o povo: encontrar e extinguir um demônio há muito tempo aprisionado dentro de uma Pedra Elemental, que agora perambula pelo nosso país em busca de domínio, poder e destruição. Para esta tarefa, a Igreja uniu-se a um aliado pouco ortodoxo e nada previsível: o vampiro Jean, maior inimigo e oponente do monstro. Juntos, Giglio e Jean travam uma árdua procura pelo demônio, para então mandá-lo de volta para o lugar do qual ele nunca deveria ter saído.

Trevas foi uma das leituras mais gostosas que eu fiz nos últimos tempos. Encontrei vários pontos dentro da narrativa que me chamaram atenção e um deles foi a escrita do autor. Leve e fluida, a forma de narrar de J. Modesto tem o poder de colocar o leitor dentro da trama, como uma personagem efetiva do elenco. O mais interessante é que as informações não são dadas ao público como um todo: ao longo da narração, o leitor age como um caçador em busca de pistas, que juntas formam o quebra-cabeça a ser montado para a construção do enredo. Dessa maneira, nós, que estamos acompanhando a história, descobrimos tudo ao mesmo tempo que as personagens, o que possibilita vários sentimentos distintos durante a leitura: surpresa, tristeza, raiva, compaixão, angústia, medo, todas essas sensações passam das páginas para a vida real, e fica difícil largar o livro antes de saber o que realmente acontece no desfecho da narrativa. A linguagem acessível utilizada pelo autor foi um dos aspectos que tornou a leitura ainda mais agradável, dando ao leitor os meios para se inteirar da história das personagens e compreender suas ações, por mais estranhas ou controversas que elas sejam.

É importante ressaltar que, ao longo da narração de Trevas, J. Modesto nos apresenta a várias personagens, cujas histórias se desenrolam ao mesmo tempo. O livro é narrado inteiramente em terceira pessoa, sendo o narrador o responsável por conduzir o leitor dentro desses enredos paralelos que compõem o livro. Esse foi um aspecto que me confundiu no início, mas conforme a leitura avança, tudo se encaixa em seu devido lugar e o público consegue definir a trajetória particular de cada protagonista. Eu particularmente achei uma jogada muito inteligente do autor construir essa verdadeira teia de narrativas distintas, principalmente porque ele conseguiu algo muito difícil de se fazer: todas as histórias, em algum momento, se entrelaçam e fazem sentido juntas, dando ao livro uma complexidade e riqueza ainda maiores.

Na minha opinião, apesar de não estar explicitamente dividido dessa maneira, o livro tem duas partes bastante distintas: na primeira, o autor se dedica a apresentar ao leitor as personagens, suas motivações e objetivos e o cenário que envolve a narrativa. Obviamente, esta parcela introdutória do livro é bastante descritiva e não contempla muita ação. Já na segunda metade da narração, com o leitor já inteirado sobre todos os aspectos importantes do enredo, a leitura flui ainda mais rápido e os acontecimentos se sobrepõem uns aos outros, deixando pouco tempo para que o público respire entre uma ação e outra. Acredito que essa suposta divisão foi uma escolha acertada do autor. Ela permite ao leitor entender as atitudes das personagens e conhecê-las mais profundamente, bem como ao mundo ao qual elas pertencem.

Outro fator que não poder passar despercebido nessa resenha é o fato de Trevas ser um livro com diversos protagonistas. O elenco de personagens é relativamente grande, e eu confesso que não consegui classificar nenhum deles como secundário. Todos, na minha opinião, têm um papel bastante definido dentro das tramas do livro e um porquê de estar ali. Isso foi o que mais me conquistou neles. J. Modesto construiu todos de maneira bastante transparente e ao mesmo tempo muito complexa: Paulo é um jovem que não consegue superar a perda da família e todo esse rancor pelos responsáveis é o que o torna implacável. Mas, junto dessa suposta inteligência invencível, existe uma obsessão que move suas ações e determina seu destino, o que o deixa, de alguma maneira, preso a essas pessoas que tanto despreza. Samuel Macuco é um líder nato, mas também exigente, que não perdoa falhas e não tolera ser desobedecido. Seus capangas pagam com a vida qualquer erro que cometem e Macuco não tem medo de usar seu poder para conseguir o que quer e levantar ainda mais seu império. Macuco é uma personagem bastante dúbia para mim, uma vez que, apesar de odiá-lo por muitos motivos, por muitas atitudes cruéis e sádicas que ele toma, ao longo do livro conhecemos sua história, e fica difícil não sentir um resquício de compaixão por ele. 

Giglio nos é apresentado como um homem de fé inabalável, capaz de qualquer coisa para proteger a Igreja que ele tanto defende. Inteligente e culto, a personagem se vê constantemente em um conflito interno por conta da aliança que precisou fazer para cumprir a missão que lhe foi dada, aliança essa que vai contra todos os princípios que aprendeu ao longo da vida como cardeal. Jean, ao contrário, é uma personagem extremamente carismática e, diferente da maioria dos vampiros, não muito misteriosa: tudo que ele deseja é exterminar o demônio que já tirou tanta coisa de sua vida, e ele não vai medir esforços e muito menos deixar os escrúpulos atrapalharem nesta vingança. Suas falas carregadas de ironia e sarcasmo rendem bons momentos ao longo do livro. Maria é uma voluntária na Igreja onde Paulo se refugiou por algum tempo após um embate com os criminosos que persegue, e acaba se tornando uma das personagens mais cativantes de todo o elenco. Valente e decidida, a mocinha está longe de ser uma das donzelas em perigo que costumamos encontrar: ela sabe muito bem se defender e cuidar de si mesma, apesar de seus momentos de medo e receio. Bondosa e perspicaz, se transforma em uma figura indispensável ao desfecho da narrativa.

Um dos aspectos que eu mais curti ao longo do livro foi a mistura que o autor fez entre ficção e realidade em sua narrativa. Ao mesmo tempo em que temos criaturas sobrenaturais que só existem dentro de livros fictícios, temos também datas, espaços e acontecimentos que realmente fazem parte do nosso mundo e que são facilmente reconhecidos por nós ao longo da leitura. Essa fusão entre dois elementos tão contrastantes e, paradoxalmente, tão complementares entre si é a grande responsável pela veracidade intrínseca à história. Em união às personagens extremamente críveis, com defeitos e qualidades com as quais o leitor pode facilmente se identificar, a junção entre o real e o ilusório dá o tom verossímil do livro, enriquecendo ainda mais uma trama já bastante trabalhada e pensada em seus mínimos detalhes.

Com relação à diagramação do livro, eu gostei muito do trabalho feito. A capa nos remete bastante a um livro de fantasia, que é o principal gênero utilizado pelo autor para a construção desta narrativa. As páginas são amareladas e a letra tem um tamanho agradável, o que colabora no processo de leitura rápida e fluida. Se tiver que apontar um possível defeito no livro, seria alguns erros de pontuação que encontrei no decorrer da leitura, mas isso não foi sério a ponto de prejudicar a história em parte alguma.

Trevas é um livro que vai agradar a muitos tipos de leitores: se você curte perseguições, muita ação e um esquema de mocinho e bandido em combate, esse é o livro pra você; se quiser fantasia, criaturas lendárias e batalhas, esse é também o livro pra você; e se desejar aventuras, cheias de adrenalina e momentos tensos e decisivos, esse é, ainda mais, um livro indicado pra você. J. Modesto conseguiu, em poucas páginas, mostrar o valor de um trabalho de pesquisa bem feito, de uma preocupação em juntar todas as pontas da sua história e de dedicar-se para envolver e entreter o leitor. O resultado foi uma narrativa instigante, apesar de simples, que prende do início ao fim. 

E vocês, já conheciam o autor ou o livro? Me contem tudo nos comentários! Até a próxima, viajantes!

[RESENHA] As Mãos de Jacó - J. Modesto

16 abril 2018

Olá, viajantes!

Eu não sei se vocês compartilham da minha opinião, mas eu curto muito os contos. Eles são rápidos, intensos e bastante instigantes, acabam nos conquistando em poucas palavras. E a resenha de hoje é exatamente de um conto, escrito pelo nosso mais novo escritor parceiro, J. Modesto. Confiram as minhas impressões sobre As Mãos de Jacó!

As Mãos de Jacó

TÍTULO: As Mãos de Jacó
AUTOR: J. Modesto
EDITORA: Dragonfly
NÚMERO DE PÁGINAS: 60 páginas
SINOPSE: Todos nós escondemos segredos e os guardamos nos espaços mais profundos de nossa alma. Mas o que acontece quando esses segredos chegam ao ponto de nominá-lo, afetando aqueles que ama, e os expondo aos seus demônios?


    

Jacó nasceu em uma família de lavradores, sendo o oitavo de nove irmãos. Desde o início, sua vida nunca foi fácil: com muitas bocas para alimentar, seu pai trabalhava muito e os irmãos o ajudavam. Mesmo assim, as condições de vida não eram boas e as necessidades aumentavam. Em algum momento da vida, Jacó desenvolveu verdadeira fascinação por um órgão do corpo humano: as mãos. E foi essa obsessão que o levou a especializar-se nesse assunto e abrir seu próprio consultório, alcançando relativo sucesso. Ao longo do tempo, porém, essa obsessão escapa ao controle e passar a conduzir os atos de Jacó, transformando sua vida completamente.

As Mãos de Jacó é considerado um conto, apesar de eu caracterizá-lo mais como novela (muito longa pra ser conto, muito curta pra ser romance). Por conta da extensão menor do que na maioria dos livros que trago aqui pra vocês, vou me ater aos destalhes técnicos. Se eu falar muito do enredo possa dar algum spoiler indesejado e estragar a leitura de vocês, e não é isso que eu quero.

Contado através de cartas escritas pelo próprio Jacó a um remetente específico, a história se desenrola bem rapidamente. Na minha opinião, as cartas são sempre uma boa escolha pra narração em primeira pessoa, porque dão mais individualidade à narrativa, como se estivéssemos mesmo ouvindo aquela história da boca do narrador. Além disso, elas nos dão a possibilidade de conhecer o narrador ainda mais a fundo, sabendo o que ele pensa, sente ou a forma como age frente às diferentes situações que aparecem.

Quanto às personagens, elas nos são apresentadas de maneira bastante direta e sem rodeios, o que é relativamente normal dentro deste gênero. Além do protagonista, poucas delas tem um maior aprofundamento psicológico, físico ou moral e nas poucas vezes em que isso acontece é a visão do narrador que prevalece. Apenas ele fala durante toda a narrativa, o que restringe, de alguma forma, o restante das personagens e o próprio leitor, que acaba ficando apenas com os apontamentos do narrador sobre os fatos, ou seja, a perspectiva aqui não é totalmente imparcial. Precisamos levar em conta, no entanto, que esse é uma recorrência bastante comum quando se trata de narração em primeira pessoa.

Jacó é um protagonista bastante incomum, na minha opinião. Extremamente objetivo e racional, ele tem uma dificuldade grande em se relacionar com o sexo oposto, o que acaba por gerar alguns boatos maldosos acerca de sua figura. Por outro lado, temos uma outra face da personagem, que é descontrolada e entregue aos impulsos, e que aos poucos vai ficando evidente, conforme avançamos na leitura. É interessante perceber que essas duas facetas convivem dentro de uma mesma pessoa, ao mesmo tempo e pacificamente. Ao menor desequilíbrio, tragédias acontecem, e essa é a frágil linha na qual o protagonista se equilibra: dentro de sua objetividade, ele precisar manter-se são e focado em não perder o controle, ou pelo menos não deixar que as pessoas saibam que esse controla é praticamente impossível de existir.

Tudo acontece muito rápido na narrativa e sim, eu sei que eu já disse isso muitas vezes ao longo dessa resenha. Eu acho importante frisar esse ponto, no entanto, porque é algo que realmente chama a atenção, algo que não passa despercebido, principalmente para leitores acostumados com longos desfechos e enredos complexos. O que temos aqui é uma história relativamente simples, mas que trata da essência do ser humano, das suas vontades mais profundas e dos seus impulsos mais emergentes. Na minha opinião, essa é a verdadeira sacada do autor: ele traz à tona reflexões acerca do próprio ser humano e nos leva em uma viagem interior não apenas do protagonista, mas de nós mesmos, nos desafiando em diversas situações, fazendo-nos reconsiderar conceitos e valores. Está aí a principal função dessa leitura, se é que ela precisa de uma.

Ao mesmo tempo, a narração é fluida e envolvente, tu simplesmente não vê as páginas passarem, e como elas são poucas, em questão de horas a leitura está terminada. É interessante, porém, observar o contraste entre a quantidade diminuta de páginas e a densidade da história. Os temas tratados são interessantes, mas exigem do leitor atenção e perspicácia, ao mesmo tempo em que a forma leve como o narrador conduz a história, bem como o formato de cartas, dão ao conto uma sutileza que quase engana quanto ao seu potencial. 

Um dos únicos pontos menos positivos pra mim foi o desfecho do conto. Não pela rapidez com que acontece, porque acho que o autor soube muito bem preparar o terreno pra isso e não deixa pontas soltas: tudo é explicado no decorrer do conto, basta estar atento. Em compensação, essa mesma atenção acaba te entregando o final da narrativa cedo demais, e é aqui que está o meu problema: as coisas se tornaram previsíveis pra mim. Estou acostumada ao gênero, é verdade, e talvez por isso o ocorrido, mas esse fato acabou fazendo com que eu não surpreendesse com o final.

Independente disso, dei cinco estrelas ao conto porque acho que ele cumpre satisfatoriamente o que promete: uma história sobre obsessão e loucura, uma linha tênue que vamos entender ao longo de As Mãos de Jacó. Recomendo a leitura a todos vocês, viajantes! Até a próxima postagem!