[DIVULGAÇÃO + ENTREVISTA] Autor J. Modesto

Olá, viajantes!

Como vocês já sabem, teremos entrevista e divulgação do nosso autor parceiro J. Modesto todo mês, pra apresentar as obras para os nossos leitores. Em breve vocês vão conferir as resenhas de todas elas, mas enquanto isso não acontece que tal se inteira sobre o universo de mais um dos títulos publicados pelo escritor? Conheçam agora Anhangá - A Fúria do Demônio!

Anhangá - A Fúria do Demônio

TÍTULO: Anhangá - A Fúria do Demônio
AUTOR: J. Modesto
EDITORA: Giz Editorial
COMPRAR
SINOPSE: 300 anos antes do descobrimento, um naufrágio no litoral brasileiro traz para o mundo ainda não explorado um demônio que logo será conhecido pelos nativos como Anhangá. Um feiticeiro mouro, único sobrevivente da tripulação da nau que trouxe o demônio aprisionado, um poderoso pajé e guerreiros de tribos rivais formam uma aliança para derrotar a criatura, sabendo que a morte os aguarda!

Crenças indígenas e folclore são inspirações para livro nacional 
Anhangá se passa 300 anos antes do descobrimento do Brasil.

Em busca de recordar a riqueza cultural do Brasil antes mesmo dessas terras serem descobertas e receberem este nome, o escritor J Modesto mergulhou em pesquisas sobre os índios, leu sobre Padre José de Anchieta e sobre os Tupinambás e estudou a gramática de Tupi-Guarani para construir o livro Anhangá – A fúria do demônio.

Inspirado pelo ilustríssimo Monteiro Lobato, Modesto quis escrever uma história mais adulta com as lendas do folclore nacional que até então haviam sido exploradas com o público infantil. 
No livro, uma caravela que traz consigo uma carga maléfica naufraga na costa de um mundo ainda inexplorado deixando livre um demônio poderoso que irá transformar um paraíso tropical num inferno sobre a terra. Para deter o ser maligno, um poderoso Pajé, juntamente com um feiticeiro mouro (único sobrevivente do naufrágio) e guerreiros Tupiniquins se unem para combater o demônio.

Uma das características adotadas para tornar a história um pouco mais adulta foi mesclar ficção com dados históricos. E o autor J Modesto conta a experiência: “Foi bem difícil, principalmente porque tive que alinhar a imaginação com fatos e evidências históricas sem descaracterizá-las, o objetivo era criar uma história fictícia que se encaixasse em fatos históricos já conhecidos”.

Publicado pela Giz Editorial, Anhangá é um livro o qual coragem, magia e sobrenatural se misturam. Ação, aventura, terror e suspense mostram suas garras nesta trama que narra uma batalha épica em um Brasil ainda por nascer.

Querem saber ainda mais sobre o livro? Fiquem com as palavras do próprio autor, na entrevista que ele concedeu ao blog!

1) Qual o enredo do livro?

O enredo é basicamente a lute entre o bem e o mal, e há a união de forças entre antagonistas para combater um mal ainda maior.

2) De onde surgiu a ideia para a história?

A ideia do enredo de Anhangá surgiu da vontade que tinha de escrever alguma coisa sobre o folclore brasileiro, mas sob uma perspectiva adulta. Como não quis escrever novamente sobre vampiros, decidi por em pratica o projeto de Anhangá.

3) O cenário da narrativa é mais uma vez brasileiro, e sabemos o quanto você, como autor, valoriza isso. Apesar disso, esse é um livro que envolve a história do país. Isso envolveu muita pesquisa, como se desenvolveu essa parte da trama?

As pesquisas duraram mais de oito meses e o texto foi reescrito várias vezes. A maior dificuldade foram as pesquisas, principalmente sobre os nossos índios. Encontrei um material escrito por Florestan Fernandes que discorria sobre a organização social dos Tupinambás e penso que poderíamos ter mais informações sobre esses povos. Com várias alterações, o livro teve 11 versões até ser concluído.

4) Um ponto bastante interessante nesse título, na minha opinião, é que ele não tem apenas um protagonista. Além disso, um dos elementos principais é um demônio, um ser mítico e envolvido por muitas lendas. Como aconteceu a criação desse personagem?

Bem, deixe-me ver como vou responder sua pergunta sem dar spoilers.  Anhangá, apesar de não ser um demônio na mitologia indígena, mas sim um dos seus deuses, que foi erroneamente equiparado ao diabo, pelos jesuítas, não carrega o mal como ele é concebido pela igreja. Então tive que resolver isso de uma forma criativa. Como fiz isso, bem, aí vão ter que ler o livro, rs.

5) Para você, qual foi a parte mais difícil da escrita deste livro, em especial?

Ele todo, por diversos motivos, dentre os quais já revelei alguns: A falta de informação sobre a vida e organização dos indígenas, lendas indígenas descritas de forma sucinta e simplória e dificuldades de encontrar coisas sobre a língua Tupi-Guarani. Some-se a isso a dificuldade de utilizar uma narrativa semelhante a feita em Trevas, tendo que me ater a uma mais clássica e focar na aventura.

6) Qual a grande diferença (se ela existe) entre Anhangá – A Fúria do Demônio e os outros títulos escritos por você?

É, de longe, o mais brasileiro de todos.

7) Esse é um livro que mistura diversos elementos culturais e históricos da trajetória do Brasil. Como foi lidar com outras culturas, das quais não temos tanto conhecimento quanto desejado, dentro do livro?

Foi bem difícil, principalmente porque tive que alinhar a imaginação com fatos e evidências históricas sem descaracterizá-las. O objetivo era criar uma história fictícia que se encaixasse em fatos históricos conhecidos. 

8) Existiu uma parte em que você mais se divertiu ou se emocionou na escrita do livro? Se sim, qual foi?

Sim, a batalha final entre o demônio e os deuses, que se aliaram aos protagonistas (Iara e Curupira). 

9) O que o público pode esperar de Anhangá – A Fúria do Demônio?

Uma nova visão sobre os índios e suas crenças, se divertindo com uma história genuinamente brasileira e, quem sabe, sentir um pouquinho mais de amor pelo nosso país, que está precisando muito.

10) Deixe uma mensagem aos leitores.

Agradeço a todos a oportunidade e espero encontrar os leitores, fãs ou não, para um bate-papo, assim que possível. Um grande abraço!

Curiosos? Eu estou! Não vejo a hora de ler o livro e vir correndo contar tudo pra vocês (sem spoilers, claro!). Até a próxima, viajantes!

[RESENHA] As Mãos de Jacó - J. Modesto

Olá, viajantes!

Eu não sei se vocês compartilham da minha opinião, mas eu curto muito os contos. Eles são rápidos, intensos e bastante instigantes, acabam nos conquistando em poucas palavras. E a resenha de hoje é exatamente de um conto, escrito pelo nosso mais novo escritor parceiro, J. Modesto. Confiram as minhas impressões sobre As Mãos de Jacó!

As Mãos de Jacó

TÍTULO: As Mãos de Jacó
AUTOR: J. Modesto
EDITORA: Dragonfly
NÚMERO DE PÁGINAS: 60 páginas
SINOPSE: Todos nós escondemos segredos e os guardamos nos espaços mais profundos de nossa alma. Mas o que acontece quando esses segredos chegam ao ponto de nominá-lo, afetando aqueles que ama, e os expondo aos seus demônios?


    

Jacó nasceu em uma família de lavradores, sendo o oitavo de nove irmãos. Desde o início, sua vida nunca foi fácil: com muitas bocas para alimentar, seu pai trabalhava muito e os irmãos o ajudavam. Mesmo assim, as condições de vida não eram boas e as necessidades aumentavam. Em algum momento da vida, Jacó desenvolveu verdadeira fascinação por um órgão do corpo humano: as mãos. E foi essa obsessão que o levou a especializar-se nesse assunto e abrir seu próprio consultório, alcançando relativo sucesso. Ao longo do tempo, porém, essa obsessão escapa ao controle e passar a conduzir os atos de Jacó, transformando sua vida completamente.

As Mãos de Jacó é considerado um conto, apesar de eu caracterizá-lo mais como novela (muito longa pra ser conto, muito curta pra ser romance). Por conta da extensão menor do que na maioria dos livros que trago aqui pra vocês, vou me ater aos destalhes técnicos. Se eu falar muito do enredo possa dar algum spoiler indesejado e estragar a leitura de vocês, e não é isso que eu quero.

Contado através de cartas escritas pelo próprio Jacó a um remetente específico, a história se desenrola bem rapidamente. Na minha opinião, as cartas são sempre uma boa escolha pra narração em primeira pessoa, porque dão mais individualidade à narrativa, como se estivéssemos mesmo ouvindo aquela história da boca do narrador. Além disso, elas nos dão a possibilidade de conhecer o narrador ainda mais a fundo, sabendo o que ele pensa, sente ou a forma como age frente às diferentes situações que aparecem.

Quanto às personagens, elas nos são apresentadas de maneira bastante direta e sem rodeios, o que é relativamente normal dentro deste gênero. Além do protagonista, poucas delas tem um maior aprofundamento psicológico, físico ou moral e nas poucas vezes em que isso acontece é a visão do narrador que prevalece. Apenas ele fala durante toda a narrativa, o que restringe, de alguma forma, o restante das personagens e o próprio leitor, que acaba ficando apenas com os apontamentos do narrador sobre os fatos, ou seja, a perspectiva aqui não é totalmente imparcial. Precisamos levar em conta, no entanto, que esse é uma recorrência bastante comum quando se trata de narração em primeira pessoa.

Jacó é um protagonista bastante incomum, na minha opinião. Extremamente objetivo e racional, ele tem uma dificuldade grande em se relacionar com o sexo oposto, o que acaba por gerar alguns boatos maldosos acerca de sua figura. Por outro lado, temos uma outra face da personagem, que é descontrolada e entregue aos impulsos, e que aos poucos vai ficando evidente, conforme avançamos na leitura. É interessante perceber que essas duas facetas convivem dentro de uma mesma pessoa, ao mesmo tempo e pacificamente. Ao menor desequilíbrio, tragédias acontecem, e essa é a frágil linha na qual o protagonista se equilibra: dentro de sua objetividade, ele precisar manter-se são e focado em não perder o controle, ou pelo menos não deixar que as pessoas saibam que esse controla é praticamente impossível de existir.

Tudo acontece muito rápido na narrativa e sim, eu sei que eu já disse isso muitas vezes ao longo dessa resenha. Eu acho importante frisar esse ponto, no entanto, porque é algo que realmente chama a atenção, algo que não passa despercebido, principalmente para leitores acostumados com longos desfechos e enredos complexos. O que temos aqui é uma história relativamente simples, mas que trata da essência do ser humano, das suas vontades mais profundas e dos seus impulsos mais emergentes. Na minha opinião, essa é a verdadeira sacada do autor: ele traz à tona reflexões acerca do próprio ser humano e nos leva em uma viagem interior não apenas do protagonista, mas de nós mesmos, nos desafiando em diversas situações, fazendo-nos reconsiderar conceitos e valores. Está aí a principal função dessa leitura, se é que ela precisa de uma.

Ao mesmo tempo, a narração é fluida e envolvente, tu simplesmente não vê as páginas passarem, e como elas são poucas, em questão de horas a leitura está terminada. É interessante, porém, observar o contraste entre a quantidade diminuta de páginas e a densidade da história. Os temas tratados são interessantes, mas exigem do leitor atenção e perspicácia, ao mesmo tempo em que a forma leve como o narrador conduz a história, bem como o formato de cartas, dão ao conto uma sutileza que quase engana quanto ao seu potencial. 

Um dos únicos pontos menos positivos pra mim foi o desfecho do conto. Não pela rapidez com que acontece, porque acho que o autor soube muito bem preparar o terreno pra isso e não deixa pontas soltas: tudo é explicado no decorrer do conto, basta estar atento. Em compensação, essa mesma atenção acaba te entregando o final da narrativa cedo demais, e é aqui que está o meu problema: as coisas se tornaram previsíveis pra mim. Estou acostumada ao gênero, é verdade, e talvez por isso o ocorrido, mas esse fato acabou fazendo com que eu não surpreendesse com o final.

Independente disso, dei cinco estrelas ao conto porque acho que ele cumpre satisfatoriamente o que promete: uma história sobre obsessão e loucura, uma linha tênue que vamos entender ao longo de As Mãos de Jacó. Recomendo a leitura a todos vocês, viajantes! Até a próxima postagem!

[ENTREVISTA] Autor J. Modesto

Olá, viajantes!

Como vocês viram no post anterior, o blog firmou parceria com mais um autor nacional, J. Modesto, e estamos muito felizes com isso. A cada mês vocês terão uma obra do autor resenhada aqui no LV, então fiquem ligados! Antes da resenha, é interessante que vocês conheçam não só a obra a ser lida no respectivo mês, mas também um pouco de como foi o processo de escrita desse livro para o autor. Assim, nossos viajantes tem a oportunidade de conhecer mais a fundo o título do qual estamos falando e o próprio escritor. Vamos, então, começar a viagem!

Autor se inspira em cinema e super-heróis para escrever terror

Trevas mistura realidade e ficção e resgata o mito do vampiro. O livro Trevas narra a história de um embate de forças antagônicas e se destaca pelo modo como essa luta é feita. Os personagens se unem para enfrentar um mal maior e o texto é trabalhado em um formato para parecer que o leitor está assistindo a um filme. Escrita por J Modesto e publicada pela Giz Editorial, a obra foi lançada em 2006 e registrou sucesso de vendas no lançamento.

Para escrever Trevas, o autor se inspirou em suas experiências e também realizou pesquisas para construir esse livro. Para o autor este livro traz muito de sua essência e de seu gosto por HQs, histórias policiais e de terror. Nessa história Modesto passa a mensagem de que a vingança contra algo ou alguém pode existir, mas que isso trará consequências. Uma trama que prende o leitor do início ao fim e possui personagens bem construídos e que instigam a vontade de ler.

Livro: Trevas
Autor: J Modesto
Editora: Giz Editorial
Gênero: Terror
Ano:  2006
ISBN:  8599822241
Encadernação: Brochura
Páginas:  288
Link para compra
Sinopse:
 O Sol ardente contribuía para irradiar a luz própria das igrejas da Cidade do Vaticano. Cenário ideal para uma misteriosa conversa entre o Cardeal Giglio e Sua Santidade, o Papa. Diante de um secreto dossiê, o Papa dá carta branca ao cardeal, para combater o Mal com o Mal. Perante tal contexto, não se iluda o leitor que está diante de uma mera ficção religiosa. O autor, J. Modesto reuniu neste livro suas diversas cenas de terror e suspense, e que, de forma inteligente contextualizou-as no submundo do tráfico de entorpecentes de São Paulo e Rio de Janeiro. Lugar no qual o bem e o mal, o certo e o errado, confrontam-se diariamente, mas do que se possa imaginar. Com esta mistura engenhosa de realidade e ficção, o leitor se depara frequentemente com a dúvida do que é ou não real.
Para aquele leitor curioso (que eu sei que no fundo todos somos), o autor J. Modesto gentilmente aceitou responder uma entrevista sobre a obra em questão, que vocês conferem na íntegra aqui embaixo.

1. Antes de falarmos sobre a obra, poderia fazer uma pequena apresentação aos leitores que ainda não conhecem sua escrita?

Claro! Sou Arquiteto e Urbanista, formado pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, pós-graduado em Gestão Empresarial, palestrante, administrador de empresas há quase 35 anos e adoro literatura. Tenho como meus inspiradores escritores como Bram Stoker, Edgard Allan Poe, Stephen King, Clive Baker e o mestre dos mestres H. P. Lovecraft. Sou fã ardoroso de cinema e HQs.

2. Com relação à vontade de se tornar escritor, em que momento ela surgiu? Como se desenvolveu?

Gosto de escrever desde minha juventude. Tomei gosto pela leitura lendo os gibis da Turma da Mônica, e desde então não parei mais, evoluindo para as HQs da DC/Marvel e livros. Tive várias fases, indo desde literatura policial (Agatha Christie, Edgar Wallace, etc), passando por livros de aventura, em especiais aqueles que tinham como pano de fundo as artes marciais (James Olsen, James Clavel, etc), ficção cientifica (Issac Asimov) e tantas outras, até chegar ao terror. De um leitor ávido, passei a rabiscar alguns contos, até minha estreia, em 2006, com o Trevas.

3. Trevas foi sua primeira obra publicada. Qual foi o ponto de partida para a criação do livro? Como e quando a história começou a tomar forma?

O Trevas teve origem num pequeno conto, que escrevi na minha adolescência, mas que só foi ganhar corpo muitos anos depois. A narrativa, na verdade, foi inspirada em muitas coisas de que gosto e gostei na época. Pratiquei karatê por muitos anos, e gosto de artes marciais, como também gosto de cinema, literatura policial, HQs, em especial da DC e Marvel e, é claro, terror. Tudo isso o leitor encontrará no livro Trevas, então é difícil dizer o que o inspirou. Na verdade foi um conjunto de coisas e não uma história específica. O que posso te dizer de antemão é que não foi uma história de vampiro. O livro originalmente era sobre demônios, tanto que o título original era “Demônio Elemental”. O vampiro, que depois iria se tornar um dos protagonistas, entrou na história bem depois. 

4. Qual é o enredo de Trevas? De onde surgiu a ideia para ele?

O enredo de Trevas é bastante simples. Narra o embate de forças antagônicas, mas o que o difere dos demais é a forma como isso é feito. O destino acaba colocando personagens antagônicos como aliados para enfrentar um mal maior, personificado em um demônio elemental, que tem o poder de manipular o elemento terra. Todo o texto é escrito de forma a dar a impressão de estar assistindo um filme, possuindo cenas em que o leitor pode ter um breve vislumbre da mesma situação sob a ótica de vários personagens.

5. Quais as maiores dificuldades que você encontrou enquanto estava escrevendo?

A maior dificuldade que encontrei em Trevas  foi a obrigação de manter a coerência e verossimilhança da história. Mesmo sendo uma ficção, ela deve ser coerente. A história fluiu naturalmente, mas a revisão foi um pouco mais demorada, devido a que acabo de relatar.

6. Como os personagens foram construídos? De onde veio a inspiração para eles?

Como já disse antes, a inspiração, tanto para a construção da narrativa, quanto dos personagens, veio de minhas próprias experiências. Todas essas coisas que gosto, e já citei nas outras questões, estão presentes na história e, consequentemente, nos personagens.

7. No que se refere à lenda dos vampiros utilizada, por que a escolha dessas criaturas?

Sou bem tradicional quando se refere a lendas e costumo inovar pouco. Em Trevas o leitor irá encontrar vampiros bem próximos do vampiro clássico. Já a escolha passa por uma questão comercial. A história origina era sobre demônios. Por ser meu livro de estreia, e vampiros ter uma boa aceitação do público, o editor sugeriu que se incluísse um vampiro na história. A princípio ele seria um mero figurante, mas conforme a narrativa foi sendo reescrita, o personagem tomou uma dimensão bem maior do que o esperado e acabou se tornando um dos protagonistas.

8. O cenário da obra é em território brasileiro e traz também um caráter religioso. Isso influencia de alguma maneira na trama em si?

Não. A história poderia acontecer em qualquer parte do mundo, mas por ser brasileiro, quis valorizar o que é nosso. Porque uma história desse tipo não pode acontecer no Brasil? Só se for por puro preconceito, e isso em não tenho. Sou de uma época em que se estudava Educação Moral e Cívica nas escolas, e tenho um carinho muito grande por meu país. Se os grandes escritores narram historias que acontecem em seus respectivos países, por que não posso? Trevas veio para provar que posso e, ainda hoje, é meu título de maior sucesso e vendagem. Estou negociando uma terceira edição, agora pela minha atual casa editorial, a LIVRUS. O próximo passo é buscar alcançar as terras de além mar. Vamos ver se é possível.

9. O que os leitores podem esperar do livro Trevas?

Diversão e muitas surpresas.

10. Deixe um recado para nossos viajantes dos livros.

Antes de mais nada, gostaria de agradecer a oportunidade dada e convidar a todos a mergulhar no mundo fantástico de Trevas. Tenho certeza de que não irão se arrepender. Um grande abraço!

E aí, curtiram a postagem? O LV quer agradecer imensamente ao autor por ter topado essa entrevista, e esperamos que essa parceria renda lindas resenhas pra todos vocês, viajantes! Até a próxima viagem!

[PARCERIA] Autor J. Modesto

Olá, viajantes dos livros!

A postagem de hoje é bastante especial, porque viemos anunciar mais uma parceria para o blog. Como vocês sabem, apoiar a literatura nacional sempre foi um grande compromisso do LV, e esse é mais um autor de terras brasileiras que entra à bordo para nossa viagem. Quero que vocês conheçam J. Modesto!


J. Modesto é paulistano, nascido em 1966 e formado em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo. Publicou o primeiro livro, Trevas, em 2006. Já em 2008, participou da antologia Amor Vampiro, junto com outros seis autores. Por conta desta obra ganhou o prêmio Codex de Ouro de melhor antologia em conjunto com os contos Amante Notívago e O Anjo e a Vampira. No mesmo ano lançou Anhangá – A Fúria do Demônio, que foi destaque na Bienal do Livro. Em 2011 o autor participou da coletânea Anjos Rebeldes e em 2012 da coletânea O Livro do Medo. As obras mais recentes do autor são Vampiro de Schopenhauer (2012), Joelma - Antes da escuridão (2014) e Vampiresa (2017). Modesto é fascinado pelos gêneros de terror e suspense, tem entre seus ídolos H.P. Lovecraft, Stephen King, Mary Shelley, Anne Rice e Edgar Allan Poe. Ele também histórias em quadrinhos, cinema e literatura fantástica, vem se tornando um ícone do gênero literário nacional. Em conjunto com outros autores fundou o site Fontes da Ficção.



O Sol ardente contribuía para irradiar a luz própria das igrejas da Cidade do Vaticano. Cenário ideal para uma misteriosa conversa entre o Cardeal Giglio e Sua Santidade, o Papa. Diante de um secreto dossiê, o Papa dá carta branca ao cardeal, para combater o Mal com o Mal. Perante tal contexto, não se iluda o leitor que está diante de uma mera ficção religiosa. O autor, J. Modesto reuniu neste livro suas diversas cenas de terror e suspense, e que, de forma inteligente contextualizou-as no submundo do tráfico de entorpecentes de São Paulo e Rio de Janeiro. Lugar no qual o bem e o mal, o certo e o errado, confrontam-se diariamente, mas do que se possa imaginar. Com esta mistura engenhosa de realidade e ficção, o leitor se depara frequentemente com a dúvida do que é ou não real.


Nos primeiros dias após a fundação da vila de São Paulo de Piratininga, o Padre Jesuíta José de Anchieta tenta acalmar um indiozinho aflito que se escondera no pequeno barracão do colégio. O medo do maléfico demônio Anhangá é o motivo do pavor do menino de pele avermelhada. Com todo o carisma que possuí, o jesuíta acolhe o pequenino enquanto a natureza, lá fora, demonstra toda a sua fúria através de uma tempestade que castiga impiedosamente a vila, sem saberem que o Mal está bem próximo. 




Até as suas convicções irão mudar! Arthur Schopenhauer foi um dos maiores filósofos alemães do século XIX. Seu pensamento era caracterizado por não encaixar-se em nenhum dos grandes sistemas de sua época. Ele introduziu o Budismo e o pensamento indiano na metafísica alemã. Ficou conhecido por seu pessimismo e sua visão sobre a Morte, a Imortalidade e o Divino, mexendo com os alicerces da Filosofia da época. Agora, imagine esse homem ranzinza e pouco sociável, no auge de sua fama e pouco tempo antes de sua morte, encontrando-se com um ser Imortal, com séculos de existência, avesso ao divino, cuja própria existência coloca em xeque os fundamentos de tudo que ele acredita.




Em 1974, uma das mais modernas e imponentes construções da cidade de São Paulo ardeu em chamas, num dos mais traumáticos incêndios de que se tem notícia. As chamas teriam supostamente começado, de forma misteriosa, em um aparelho de ar condicionado. Se espalharam rapidamente, vitimando centenas de pessoas, e provocando mais de 190 mortes. A fama de edifício amaldiçoado perdurou desde então, mas o que poucos sabem é que sua aura, que impregnou suas paredes de concreto, teve início muito tempo antes. Conheça, agora, os fatos que deram origem ao chamado Enigma do Edifício Joelma. A maior Lenda Urbana da capital paulista. 




Amor! Por ele, uma Condessa foi levada a se tornar uma criatura das trevas. E, em meio a essa sua nova existência, transformou-se uma predadora fria e cruel. Contudo, séculos depois, a condessa se depara com alguém muito mais poderoso, que, munido de sua Katana e de venenosas estrelas de prata, vem dizimando os inimigos naturais de sua raça, e, agora, volta sua atenção para os de sua espécie. Mas aquele antigo sentimento, que custara sua humanidade, retorna com toda a força, ditando o relacionamento confuso entre os oponentes. VAMPIRESA é uma eletrizante aventura, que passa pelo Japão feudal, visitando a Idade Média, e chegando aos nossos dias. Imperdível!

Minha relação com os vampiros, como alguns de vocês já sabem, vem desde muito cedo. Eu me interesso muito pela criatura, pelas lendas em torno dela, e por isso estou bem ansiosa pra conhecer as histórias desses livros. Agradeço ao autor pela confiança em nosso trabalho!

E vocês, já conheciam a obra do autor? Me contem tudo nos comentários! Até a próxima postagem, viajantes!



[RESENHA] Nunca Olhe Para Dentro - Amanda Ághata Costa

Hey, pessoas!

Faz algum tempo que não trago resenhas no blog pra vocês (aliás, faz algum tempo que não escrevo nada por aqui), e por isso nada melhor do que retomar os trabalhos com o mais novo lançamento da nossa parceira Amanda Ághata Costa, um livro que vai te arrancar lágrimas e sorrisos e deixar seu mundo muito mais colorido. Conheçam e se apaixonem por Nunca Olhe Para Dentro!

Nunca Olhe Para Dentro

TÍTULO: Nunca Olhe Para Dentro
AUTOR:
Amanda Ághata Costa

EDITORA:
Amazon

NÚMERO DE PÁGINAS:
482 páginas

COMPRE NA AMAZON

SINOPSE: 
Nem sempre a vida é colorida como um quadro ou suave como uma pincelada, às vezes é o contrário de tudo isso. Depois de perder os pais em um acidente de carro aos oito anos, a única coisa que Betina precisa fazer é encontrar o responsável por ter destruído sua família na noite que daria início à sua próspera carreira como pintora. Agora, longe dos pincéis e das paletas, ela está focada em terminar a primeira graduação e procurar na justiça um pouco de consolo para o caos que o seu passado ainda traz. Ao lado de seus amigos e sob o teto de uma tia que a detesta, ela perceberá de que cores as pessoas são feitas, e do quanto é realmente necessário olhar para dentro de tudo aquilo que a assombra, mesmo que para isso precise passar por uma inesperada decepção.

     

Um acidente trágico marcou a vida de Betina pra sempre e definiu seu destino. Depois de perder os pais, a pintora prodígio de Ostala vai morar com Cecília, sua tia. O que ninguém poderia imaginar é que Cecília está longe de ser uma proteção para Betina: a mulher faz tudo que pode para deixar claro seu ódio pela menina, inclusive lhe tirar o que ela mais ama, a pintura. Violência e ameaças são constantes na vida da garota, e tudo que ela quer agora é se manter distante de tudo isso para, enfim, conseguir desvendar a verdade por trás da morte de seus pais. Em meio a todo esse caos em que Betina se encontra, um ponto de equilíbrio aparece quando ela conhece Nicolas, um médico atencioso e compreensivo pelo qual Betina se vê completamente envolvida. Mas coisas importantes estão em jogo, e esse amor vai ser posto à prova. Agora, Betina precisa lutar pra que Nicolas, aquele que dá cor a sua vida, continue pincelando alegria e felicidade nos seus dias, apesar de tudo.

Que eu sou fã do trabalho da Amanda vocês já sabem e que A Escolhida é meu livro preferido também não é novidade pra ninguém. O que vocês não imaginam ainda é que esse é um livro totalmente diferente do primeiro escrito pela autora, não só no gênero, mas também nos temas que aborda e nos personagens que apresente. NOPD é intenso, profundo e real, tão real que dói ler cada linha ali escrita. Narrado em primeira pessoa, o livro nos faz conhecer a vida de Betina desde sua infância até a convivência com Cecília, turbulenta e cheia de conflitos. Nada é poupado do leitor: Amanda traz uma história envolvente e crua, que prende o leitor do início ao fim, mas nem por isso deixa de ser angustiante e triste. Se eu tivesse que escolher apenas um adjetivo para caracterizar NOPD seria esse: doloroso.

Betina é nossa protagonista e também a narradora do livro. É a partir do seu ponto de vista que conhecemos a história, e essa foi uma escolha inteligente da Amanda, visto que existem coisas e momentos que apenas a própria Betina poderia descrever. No livro, temos duas versões da garota: um delas, alegre e divertida, apaixonada pela vida e sonhadora, aparece em uma pequena parte, em raros momentos, mas encanta e nos faz gostar dela logo de cara; a outra versão, frágil, cheia de dor e com anseio de justiça é a que nos acompanha na maior parte da trama, e essa Betina me assusta, simplesmente porque não deveria existir. Betina é completamente apaixonada pelas cores, mas elas deixaram de fazer parte da sua vida a partir do momento que seus pais se foram. A garota não consegue se desligar desse acidente, nem ao menos entende porque continuou viva. A sombra da injustiça a persegue, e as ameaças de Cecília, que faz questão de demonstrar a todo tempo que ela não vale nada e que tudo que sente por ela é ódio e rancor, tornam insuportável a vida dentro do próprio ambiente que ela deveria chamar de lar. Apesar disso, bem lá no fundo, em alguns momentos, conseguimos vislumbrar a Betina cheia de luz e cores, e esses são os melhores momentos do livro. A protagonista é uma personagem marcante pela sua força e persistência, apesar das adversidades em seu caminho. Sua história serve de inspiração pra todos.

Nicolas é o par romântico de Betina e também aquele tipo de cara que toda garota sonha encontrar. Muito mais do que um rostinho lindo, Nic é inteligente, engraçado e completamente dedicado à garota que ama (Betina, no caso). Compreensivo ao extremo e muito paciente, é Nicolas que ajuda Betina a enxergar as cores que ainda faziam parte da sua essência, e é junto dele que a nossa protagonista vai se redescobrir viva e cheia de sonhos por realizar. O amor entre eles é construído aos poucos e nós, leitores, conseguimos acompanhar cada etapa dele, cada defesa da Betina ruindo perante a delicadeza e cuidados de Nicolas. O desenvolvimento dessa relação de doação e entrega é uma das coisas mais bonitas do livro inteiro, e é impossível não se emocionar com as cenas entre os dois. Juntos, eles ajudam um ao outro a descobrir que a vida pode ser mágica, colorida e linda novamente, se tu simplesmente se permitir viver.

Paola e Caio são os melhores amigos da Betina e os responsáveis pela grande maioria dos momentos hilários e cômicos do livro. Espontâneo, Caio é o senhor das piadas em momento inoportunos e rei dos apelidos mais icônicos que alguém poderia pensar. Paola é decidida, forte e sem medo de expressar sua opinião em todas as situações, doa a quem doer, e essa sinceridade toda que acaba nos envolvendo. Juntos eles formam a dupla dinâmica sempre pronta pra tirar Betina dos momentos mais difíceis e dar um pouco de alegria à menina. A amizade que existe entre os três é um dos sentimentos mais palpáveis e reais do livro, dá pra notar que eles estão um ao lado do outro em qualquer ocasião, prontos pra se apoiar e se ajudar mutuamente. Betina, Paola e Caio são o exemplo de como o carinho e a amizade pode unir três pessoas tão diferentes e transformá-las em uma só, sempre dispostos a lutar e enfrentar o mundo pelo outro.

Cecília é a personagem mais odiável que vocês puderem imaginar. Pensem na madrasta da Cinderela e agora multipliquem toda essa maldade por um número infinito de crueldade, e vocês chegarão perto de entender quem é a tia da nossa protagonista. Rancorosa e até um pouco sádica, Cecília é a junção de tudo que há de pior num ser humano: sua vida é cheia de vazios, seu coração é oco, e ela desconta toda a mágoa e negatividade em cima da sobrinha, a pessoa que ela mais odeia no mundo. O pior disso tudo é que em nenhum momento ficamos sabendo de um motivo plausível para tudo que ela sente pela Betina, ela simplesmente não suporta a garota, e é isso. Não que as atitudes de Cecília sejam justificáveis de alguma forma, mas saber que ela faz tudo isso por maldade pura e simples deixa tudo ainda mais perturbador. Alguns de vocês podem, apesar de tudo, sentir pena de Cecília, pela vida fútil que ela leva, pelo fato de ela não ter ninguém que fique do seu lado porque realmente a ama. Mas acreditem: a Cecília não merece nada disso. Ela é má, no pior e mais cruel sentido da palavra, e nada mudaria isso. Faz parte dela, está na essência do seu ser, e essa é a parte mais triste da história da megera.

NOPD tem uma linguagem poética e sutil, cheia de metáforas e alegorias, a maioria relacionada às cores, que guiam a vida da nossa protagonista. Esse é o tipo de escrita da Amanda, desde A Escolhida, mas em Nunca Olhe Para Dentro essa linguagem se torna peça fundamental do livro, porque ela ajuda a tratar de um tema nada fácil, com a delicadeza e cuidado que o assunto merece: violência doméstica. Todas as ameaças e agressões físicas sofridas por Betina ocorrem dentro da casa, que deveria ser seu lar, e são cometidas por sua tia, a pessoa que devia zelar pela sua felicidade bem-estar. O ponto alto de NOPD é trazer à debate, de forma branda, mas consistente, um tema tão importante e atemporal como esse. Em cada cena de violência, nosso coração diminui um milímetro mais, nossas mãos suam e, em vários momentos, eu precisei parar a leitura, porque as lágrimas não me deixavam mais continuar a ler. É impossível não se sentir tocado pela história da protagonista e imaginar quantas Betinas existem por aí, bem à frente dos nossos olhos, passando muitas vezes despercebidas porque não prestamos a devida atenção, ou simplesmente não queremos enxergar. O livro é muito mais do que uma forma de resistência: é um choque de realidade necessário e explícito, que nos aterroriza e faz refletir ao mesmo tempo não só sobre as atitudes desse tipo de agressor, mas também sobre as nossas próprias ações frente a essas situações.

NOPD foi disponibilizado pela Amanda em formato de e-book, mas eu confesso que isso não atrapalhou em nenhum momento a leitura. A fonte é agradável aos olhos e não cansa o leitor, eu li o livro inteiro em dois dias, mas quando acabou eu queria mais. É assim que eu sei quando o livro é incrível: ele sempre me deixa querendo mais. Apesar de toda a angústia, de toda a tristeza e dor que eu senti durante a leitura, as cores da Betina, que ela esconde até de si mesma, te contagiam de formar verdadeira e irreversível, e é difícil largar o livro antes da última linha e não sentir saudades da história depois.

Ao final dessa resenha, acho que eu posso classificar NOPD como um grito: um grito de socorro, um grito de resistência, um grito de luta, um grito, enfim, de amor e solidariedade. Com a Betina, aprendemos que, independente de toda a escuridão que nos cerca, sempre haverá uma cor com a qual pintarmos nosso mundo. Amanda mais uma vez nos pega de surpresa com um livro cheio de sentimentos e capaz de despertar as mais fortes sensações. Porque Nunca Olhe Para Dentro é exatamente isso: uma caixa de emoções, de surpresas, de afirmações e encontros, mas, acima de tudo, uma caixa de lembranças, lembranças da Betina, que nos conduzem por essas páginas e nos mostram um mundo fictício e ao mesmo tempo real, distante e ao mesmo tempo tão próximo. Um mundo no qual nós podemos agir, devemos agir, para transformar o cinza em vermelho e espalhar esperança e amor, independente da dificuldade que encontrarmos pelo caminho. Com NOPD, aprendemos, enfim, que a vida é uma tela em branco, e cabe a nós pintá-la com todas as cores possíveis, de todas as maneiras que pudermos imaginar.

Se curtiram a resenha, vocês vão amar ainda mais o livro! Ele está disponível na Amazon e eu deixei o link no comecinho da postagem. Corram lá e depois me contem o que acharam! Até a próxima, viajantes!