[RESENHA] Dias Febris - Francis Graciotto

Olá, viajantes!

Em pleno final de ano, as resenhas por aqui andam escassas. Mas como vocês já sabem, o blog conseguiu uma parceria que eu mais que desejava com a Aberst, e fomos sorteados com o livro Dias Febris dessa vez, do autor Francis Graciotto. Hoje eu trago minhas impressões dele pra vocês, e eu já posso adiantar que não consegui largar o livro antes de finalizar a leitura! Como eu amei demais o livro, já vou deixar o link de compra aqui na introdução mesmo: clica aqui e vocês podem conferir por si mesmo o motivo de essa resenha estar recheada de elogios!

Dias Febris
TÍTULO: Dias Febris
AUTOR: Francis Graciotto
EDITORA: Cultura em Letras Edições
NÚMERO DE PÁGINAS: 130 páginas
SINOPSE: A Febre Vermelha surgiu na região de Santos e se espalhou pelo Brasil, uma doença que deixa seus infectados com olhos vermelhos e uma insaciável fome por carne humana. A sociedade rui em questão de dias. Policiais, médicos, bombeiros e até os responsáveis por gerenciar as redes de energia elétrica e comunicações estão ocupados tentando sobreviver e não resta nenhuma autoridade para proteger a população da doença e dos infectados. Em todas as regiões do país, cada um está por conta própria. Estes são os Dias Febris. Em uma coletânea de oito histórias em diversas cidades brasileiras, Dias Febris conta pontos de vista diferentes dos dias que seguem à Febre Vermelha. São histórias individuais, podendo ser lidas antes ou depois do primeiro livro.

    

Dias Febris, como a sinopse já informa, é uma coletânea que reúne oito contos. É importante vocês saberem, antes de tudo, que o universo desses contos é o mesmo que o do primeiro livro do autor, Febre Vermelha (que, aliás, eu já quero ler pra ontem!), mas as histórias aqui, como o próprio autor menciona no Prefácio do livro, são individuais e podem, sim, ser lidas antes da leitura do livro. Elas foram escritas em períodos diferentes e não em conjunto: na verdade, o livro começou com um conto publicado no Wattpad pelo autor, que teve um retorno extremamente positivo por parte dos leitores. A partir daí, as escritas começaram, e o resultado delas é o livro do qual vamos falar hoje.

Antes de me deter em cada um dos contos, preciso dizer o quanto eu me senti envolvida por esse universo criado pelo autor. Que eu sou fã de história de zumbis não é segredo pra ninguém, mas o escritor desse título em específico conseguiu contextualizar de uma forma bastante satisfatória seu mundo. Como vocês já devem ter percebido, esse livro se passa em um cenário quase apocalíptico, onde uma doença chamada Febre Vermelha tem contagiado boa parte da população, fazendo com que todos os indivíduos se transformassem em canibais agressivos e preocupados apenas com uma coisa: comida. No caso, carne humana. Esse é o plot do primeiro livro e também dos contos. Nestas histórias paralelas, o leitor vai encontrar diversas visões acerca da tragédia e de todas as consequências que ela trouxe.

O que eu achei mais interessante, nesse ponto, foi a diversidade de personagens que encontramos aqui. Todos eles são extremamente diferentes, seja em questão de personalidade, de aspirações, de preocupações ou até mesmo de posição social e gostos particulares. Conforme conhecemos suas histórias, somos capazes de diferenciá-los claramente e conseguimos entender o que move cada um deles. É impressionante o bom trabalho feito pelo autor no quesito personagem: a tarefa de criar uma figura única, com sua própria voz e individualidade, que se distingua das demais, não pode ser considerada fácil, mas lendo esses contos o leitor pode ser enganado pela simplicidade com que o autor colocar esse procedimento em jogo. O mais importante é que todas elas, de alguma forma, acabam despertando sentimentos no leitor, sejam eles positivos ou negativos. Isso é responsável por boa parte do envolvimento que a obra suscita no público. Como eu já disse, a cada página lida eu me via tão envolvida que foi impossível largar o livro sem terminá-lo.

O processo que vamos adotar nessa resenha, como há muitos enredos, será o de falar de cada um deles individualmente. Prometo controlar minha empolgação ao máximo pra não dar nenhuma spoiler que possa estragar a leitura de vocês. Eu ia mencionar apenas os contos que mais gostei, mas chegando ao final do livro eu percebi que todos eles me agradaram de diferentes formas, então seria difícil selecionar apenas alguns deles. Se você está lendo essa resenha, só tenho uma coisa a dizer: senta, porque lá vem história!

O livro começa com o conto Lucy. Nele, temos quatro protagonistas: Alex, Thiago, Lara e Lucy, que é apenas mencionada, só sendo apresentada no final do conto. Alex e Thiago são jogadores de futebol e estão em pleno jogo quando a Febre decide agir sobre a torcida, transformando quase todos em doentes ensandecidos por sangue. No meio do tumulto, Alex só consegue pensar em Lucy, que está muito longe dali, sozinha. Depois de perceber que o trânsito estava caótico e ele não conseguiria chegar a Lucy em tempo de tirá-la de qualquer situação de perigo, o garoto decide correr uma pequena maratona para enfim conseguir alcançá-la. O conto acompanha essa saga até Lucy e o final dele é simplesmente o melhor de todos, no meu ponto de vista. Foi por causa dele que eu me senti tão íntima do protagonista, por conta dos detalhes apresentados no desfecho eu entendi toda a aflição e as decisões que ele tomou e me peguei pensando se eu não teria feito exatamente o mesmo.

O conto que segue tem o nome de O Jogo. Ele começa com uma cena na qual temos exata descrição de um jogo de tabuleiro, o Zombicide, que dois amigos adoram e que sempre acaba sendo o programa escolhido por eles quando estão juntos. Essa cena é narrada em terceira pessoa: é como se o autor quisesse realmente inserir o leitor dentro do jogo com os garotos, criando uma experiência submersiva. Obviamente a paz desses dois protagonistas precisaria ser atacada, e aqui ela é arrancada deles de forma extremamente agressiva. Não vou contar como, mas posso dizer que é um dos contos mais surpreendentes, na minha opinião. Eu realmente fui enganada pela cena do jogo, pensando que era esse o enredo principal, e arrebatada por todos os acontecimentos que vieram depois dela.

O próximo conto, Era uma vez em Osasco, traz um protagonista bastante misterioso de início. Movido por um instinto forte de vingança, essa personagem decide ir em busca dos homens que destruíram a ele e a sua família algum tempo atrás. Em paralelo, temos os bandidos: Don e seus capangas. Esses homens estão em plena negociação com um cliente, Pablo, quando o nosso anti-herói secreto decide começar sua carnificina. O que nenhum deles poderia esperar era o final inusitado e assustador que essa história teria. Esse é de longo o conto com mais ação do livro. Eu me senti em uma verdadeira cena de filme, porque tudo foi extremamente bem escrito pelo autor, com detalhes, como se estivéssemos lendo um roteiro de cinema. É impressionante a precisão e a intensidade gradativa que o autor consegue construir ao longo dessas poucas páginas, e o suspense só aumenta ao longo da narrativa. Um dos melhores contos pra mim!

O conto seguinte se intitula O último andar e nos apresenta Tássia, uma importante funcionária dentro de uma multinacional que produzia todo tipo de coisa, de papinha de neném a sabão em pó. O dia que esperava pela moça ia ser cheio, com uma reunião logo cedo, mas os planos de Tássia se desmantelaram assim que ela entrou no elevador com mais três colegas de trabalho. O que aconteceu ali aterrorizou a gerente, tão acostumada a uma rotina programada e imutável, mas o que estava por vir poderia ser ainda pior do que o que ela havia enfrentado. Eu confesso que esse conto é um dos meus queridinhos de todo o livro, ele conseguiu inserir vários temas que eu curto muito em apenas uma história. O final já era esperado, pelo menos por mim, mas ainda assim foi de arrepiar até o último fio de cabelo de qualquer leitor!

No conto Dia do Touro, que segue o livro, tudo gira em torno de uma piada. Sim, isso mesmo: uma piada. O protagonista é um universitário que mora numa república com outros seis garotos no momento em que a Febre Vermelha atinge a cidade de Maringá, onde eles vivem. Tudo muda a partir de então e os garotos são obrigados a encontrarem um modo de sobreviver nesse novo mundo, e o jeito que eles encontram não é nada convencional. Esse é um conto bem curto, mas bastante denso. Ele faz o leitor refletir bastante sobre todos os aspectos do universo contemporâneo e o quanto a falta deles impactaria nas nossas vidas cotidianas, além de abordar um dilema ético bastante contundente quando o assunto é sobrevivência.

Assassinato em Maragogi é o conto que segue a coletânea e nos apresenta a um policial militar, Silveira. Depois de auxiliar em uma tragédia ocorrida em um cargueiro que deixou vários mortos, o protagonista estava em busca de um descanso na casa de seu irmão Breno e da cunhada Paty. Algo o estava incomodando desde o início da viagem, no entanto, algo que viria à tona quando todos menos esperassem, mostrando que a tragédia anterior havia deixado marcas bem maiores do que apenas as memórias. Esse foi um conto que eu li bastante rápido e, apesar de o final não ser imprevisível, mais uma vez eu me peguei chocada com a precisão e detalhamento das descrições do autor. Tudo ganha ainda mais vida a partir das palavras dele, e eu acho isso ótimo, mas bem aterrorizante, só pra constar!

Kasulo é um conto fora da curva, em todos os aspectos possíveis. A cena inicial nos apresenta a protagonista, Júlia, em um dia normal de trabalho. Os instantes seguintes seguem a rotina da garota até uma catástrofe acontecer e ela precisar lutar pela sua vida. Nesse momento somos levados novamente à cena inicial, e tudo parece igual até que o desenrolar do dia da menina fica completamente diferente. Paralelamente, tudo termina exatamente igual. Essa cena inicial se repete algumas vezes, e eu achei essa escolha de narração o máximo, porque mostra ao leitor todas as possibilidades de construção de uma história. Mesmo que elas compartilhem o mesmo final, é impressionante ver a capacidade criativa do autor em ação. Confesso que terminei o conto chocada!

O último conto, O diário de Pietro, na realidade tem um formato diferente de todos os outros: ele é constituído por diários. Diários escritos por Pietro Giovannini, um capitão do Exército Brasileiro destacado para uma missão especial e super confidencial nas ilhas de Trindade e Martim Vaz. Ao longo do conto, acompanhamos a trajetória desse protagonista: desde a descoberta enorme que ele acaba fazendo, até sua perplexidade diante dela, para enfim chegarmos ao fatídico dia em que tudo deu errado pra todos nas ilhas. O mais interessante desse conto é que ele praticamente explica ao leitor o início de tudo, de toda a epidemia mas, em contrapartida, é o enredo que fecha o livro. Achei essa escolha bastante acertada do autor. Ao longo das histórias, o leitor fica à vontade pra formular todas as teorias possíveis sobre essa doença: sua origem, sua possível causa, se existe ou não uma cura. Só chegando ao final dos contos é que entendemos, implicitamente, como tudo chegou onde chegou. E, confesso, o final foi muito satisfatório, na minha opinião, e o conto que fecha o livro não poderia ser outro!

Antes de terminar a resenha, eu preciso falar pra vocês sobre essa diagramação. Eu li o livro no aplicativo do Kindle para celular, e mesmo assim achei a fonte muito confortável à leitura. Além disso, além da ilustração divina da capa, todo início de capítulo acompanhar um desenho que segue o mesmo padrão da capa e que resume, mais ou menos, o enredo do conto que vamos ler a seguir. Essas ilustrações são neutras, dando destaque aos pontos em vermelho que existem em todas elas (bastante sugestivo quando falamos de histórias de criaturas canibais, certo?). Isso, além de dar um charme a mais ao livro, torna ainda mais ricos os contos, cuja linguagem verbal se juntas às ilustrações pra construir um sentido complexo e próprio.

Eu li essa coletânea com um sorriso no rosto desde a primeira página. Eu sei que é estranho falar isso, porque em vários momentos das histórias nada motivava felicidade, mas na verdade meu sorriso teve outro motivo: eu conheci mais um universo fantástico criado por um autor brasileiro super talentoso, e pra mim nada pode ser mais reconfortante e encantador que isso. Se você curte os nossos bons e velhos amigos zumbis, se quer entender como é adentrar um mundo dominado por essas criaturinhas famintas e nada amigáveis, pode chegar porque é sucesso na certa! Até a próxima postagem e uma boa viagem nos livros a todos vocês!

[DIVULGAÇÃO] Vampiresa - J. Modesto

Olá, viajantes!

Estou em falta com o blog mais uma vez, mas é por conta do meu mestrado, que anda ocupando todo meu tempo. Assim que as coisas se normalizarem por aqui voltarei ao meu ritmo normal de leitura e poderei trazer resenhas mais frequentes aqui para o nosso cantinho. Espero que vocês tenham paciência comigo.

Enquanto isso não acontece, venho trazer para vocês mais uma novidade do nosso autor parceiro, J. Modesto: conheçam Vampiresa, lançamento do escritor!

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TÍTULO: Vampiresa
ANO DE LANÇAMENTO: 2018
COMPRAR
SINOPSE: Amor! Por ele, uma Condessa foi levada a se tornar uma criatura das trevas. E, em meio a essa sua nova existência, transformou-se uma predadora fria e cruel. Contudo, séculos depois, a condessa se depara com alguém muito mais poderoso, que, munido de sua Katana e de venenosas estrelas de prata, vem dizimando os inimigos naturais de sua raça, e, agora, volta sua atenção para os de sua espécie. Mas aquele antigo sentimento, que custara sua humanidade, retorna com toda a força, ditando o relacionamento confuso entre os oponentes. Vampiresa é uma eletrizante aventura, que passa pelo Japão feudal, visitando a Idade Média, e chegando aos nossos dias. Imperdível!

Se interessou pelo livro? Abaixo vocês encontram um trechinho dele para aguçar ainda mais a curiosidade!


"A silhueta de um ser humanóide, agachada a sua frente, pareceu se agigantar, e seus olhos amarelados se destacaram em meio as sombras. Sua forma meio humana meio lupina ficou evidente, quando ele se ergueu, colocando-se de pé sobre as patas traseiras. Com um passo à frente, se colocou sob um facho de luz, vindo da iluminação pública, tornando-o completamente visível. Um rosnado forte e assustador saiu de sua garganta, e os lábios negros recuaram, deixando expostos os pontiagudos dentes, enquanto a saliva viscosa escorria por sua mandíbula, gotejando em direção ao asfalto. Seu tamanho facilmente atingiu dois metros de altura, acentuando ainda mais seu aspecto assustador e sua agressividade. Sem alternativa, que não o confronto, a vampira preparou-se para se defender, retribuindo a expressão ameaçadora."

Sobre o autor: J. MODESTO é um dos Ícones da Literatura Fantástica Nacional. Formado Arquiteto e Urbanista, pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, abandonou suas pranchetas para enveredar pela ficção. Dentre suas influências está seu maior ídolo, H. P. Lovecraft, seguido de nomes importantes como Bram Stoker, Stephen King, Anne Rice, Mary Shelley e Edgar Allan Poe. Seu romance de estreia foi TREVAS (2006), que teve uma grande aceitação do público. É também autor de Anhangá – A fúria do demônio (2008), destaque da Editora na Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2008, Vampiro de Schopenhauer (2012) e Joelma – Antes da escuridão (2014). Participou, junto com outros renomados autores nacionais, das coletâneas Amor vampiro (2008), Anjos rebeldes (2011) e Livro do medo (2012). Vampiresa é seu quinto romance publicado. 

Eu confesso que, como amo história com esses seres noturnos, tô bem ansiosa pra ler o livro. Alguém mais no meu time? Até a próxima postagem, e boa viagem pelos livros a vocês!

[RESENHA] Ecos Bastardos - Antonio DiMarco

Olá, viajantes!

Há algum tempo, anunciei na página do blog no Facebook (se você ainda não curte a página, clica aqui e acompanhe a gente por lá também!) a nossa parceria com a Aberst, uma associação de escritores dedicada exclusivamente aos gêneros suspense, terror e policial. Hoje, trago para vocês a primeira resenha dessa parceria: conheçam Ecos Bastardos, um conto de Antonio DiMarco!

Ecos Bastardos

TÍTULO: Ecos Bastardos
AUTOR: Antonio DiMarco
EDITORA: Pyxidis
NÚMERO DE PÁGINAS: 18 páginas
SINOPSE: Alzira era casada com Augusto e moravam em uma bela residência na serra de Nova Friburgo. Frustrações encobriram a felicidade que um dia existiu e Augusto teve um filho com a empregada da casa. Uma década depois, a criança desapareceu, a empregada também e o tempo levou Augusto e, por fim, Alzira. Todos se foram, mas o casarão permaneceu firme, esquecido em meio à crescente vegetação, assim como seus muitos segredos. Intrigado com a história contada por Clarissa, Sergio a convida para um final de semana romântico na serra, incluindo uma providencial visita ao misterioso casarão. Descobrirão algo sobre o passado? Ou sobre o presente? Entre no velho casarão e descubra por sua conta e risco!

    

Clarissa e Sergio são um casal jovem, aventureiro e cheio de vida. Em uma conversa entre os dois, Sergio menciona seu interesse por uma história que a companheira nunca esclareceu: a de seus tios Alzira e Augusto, cujo casamento era marcado por tragédias cheias de mistério e segredos. Contar a história do casal para Sergio obviamente incluiria falar acerca do casarão onde eles moravam, e é assim que Clarissa se vê envolvida involuntariamente em um passeio ao lugar, por insistência de seu namorado. Mas esta aventura reservaria surpresas nada atraentes para os dois e eles vão precisar estar preparados para as consequências.

Olhando para o enredo do conto escrito por DiMarco, um leitor mais desavisado pode ser levado a acreditar que a trama nele contida é bastante despretenciosa. O que eu quero deixar claro já no início dessa resenha é: nada aqui é o que vocês estão pensando! Com cerca de vinte páginas e uma história marcada por segredos, mentiras, traição e reviravoltas, Ecos Bastardos foi uma grata surpresa para mim. Eu li o conta em bem menos de uma hora, não devido a sua extensão, mas ao fato de que eu não consegui tirar os olhos da leitura até tê-la terminado.

Com uma narrativa fluida e gostosa de acompanhar, o autor conseguiu criar um enredo original e envolvente em cima daquilo que todos nós já conhecemos do gênero suspense: a aura de intrigas, perigo e tensão sempre presente. Somos apresentados ao casal protagonista logo de cara e é com eles que vamos conhecer a história de Alzira e Augusto e, consequentemente, a do casarão onde os dois residiram em vida. A narração em terceira pessoa foi uma escolha muito acertada por parte do autor, uma vez que ela permite apreender vários detalhes que as próprias personagens não conheciam, ao mesmo tempo que dá ao leitor uma visão mais completa e ampla de tudo que acontece ao longo da trama.

Apesar de não termos uma construção aprofundada de personagens, conseguimos saber tudo que precisamos a respeito deles. Clarissa é uma jovem cheia de vida e apaixonada e Sergio é um amante de leitura curioso e persuasivo. Ao revirar as memórias de sua família, a mocinha não esperava o desfecho que estava por vir, assim como seu companheiro foi surpreendido por tudo que aconteceu na incursão ao casarão. Falando em casarão, eu preciso dizer que, na minha opinião, ele é uma das figuras mais imponentes e fundamentais dessa narrativa: é lá que acontece toda a história de Alzira e Augusto e é lá que conhecemos o desenvolvimento da viagem de Clarissa e Sergio. Existe dentro da casa um eterno clima de nostalgia, aliado a uma presença constante, que o leitor vai sentir junto aos dois pombinhos no decorrer da visita ao local.

Independente de não ser o foco, não posso deixar de mencionar aqui o fator histórico que também entra em jogo ao longo do conto. O enredo envolvendo Alzira e Augusto passou-se em outra época, diferente da atualidade, na qual se desenrola o conto em questão. Por conta disso, a narrativa dos dois é marcado por costumes sociais daquele período: o grande problema do casamento dos dois era o fato de que Alzira não poderia ter filhos e foi exatamente isso que levou Augusto a se relacionar com a empregada da casa, cujo ventre gerou, enfim, o herdeiro que ele tanto queria. A partir daí, vários paralelos se desenvolvem: a convivência dos três dentro da mesma casa, a submissão de Alzira ao marido e sua aceitação da traição, a vida da criança e as tragédias que se seguem a esse cenário. De alguma forma, esse aspecto histórico se torna extremamente relevante se pensarmos na consistência e na riqueza do enredo em si. É esse pezinho na história que traz complexidade à trama aqui contada.

Por último, mas não menos importante, eu não posso encerrar essas impressões sem falar do final desse conto, que me deixou completamente sem fôlego. Apesar de eu já prever que algo fosse acontecer (porque, afinal, é um conto de suspense) e conseguir elaborar alguns desfechos possíveis na minha cabeça, nada poderia me preparar para a angústia que o autor conseguiu transmitir ao longo das últimas páginas do conto. Tudo aconteceu rápido, de forma precisa e sem enrolação; os fatos são apresentados, as cartas são jogadas e todas as pontas soltas se encaixam de alguma maneira.

Antes que eu dê algum spoiler que possa estragar a leitura de vocês, termino por aqui minhas considerações, mas não sem antes destacar mais uma vez o quanto eu curti a experiência de leitura. Foi a primeira vez que eu li algo do autor e com certeza não será a única! Se você ficou curioso e também quer conhecer a história de Ecos Bastardos, esse é o link da Amazon para vocês baixarem o conto. Mas não esqueçam de vir me contar suas impressões e dizer se ficaram tão pasmos quanto eu ao final da leitura. Até a próxima postagem, viajantes!

[RESENHA] A Irmã - Louise Jensen

Olá, viajantes, tudo bem com vocês?

Hoje a gente vai de resenha, e o livro que eu apresento a vocês foi lançado pela editora Única e escrito por Louise Jensen. Conheçam A Irmã, e se surpreendam comigo com o fato de que nem tudo parece realmente é.

A Irmã

TÍTULO: A Irmã
AUTOR: Louise Jensen
EDITORA: Única
NÚMERO DE PÁGINAS: 304 páginas
SINOPSE: Grace nunca mais foi a mesma depois da morte de sua melhor amiga, Charlie. Sua vida estava desmoronando sem que ela conseguisse se mexer: não conseguia mais trabalhar nem sair, e o abismo entre ela e Dan, seu único amor, parecia aumentar a cada dia. Atordoada pelas palavras que Charlie lhe disse no último encontro que tiveram, Grace sabe que precisa fazer alguma coisa para conseguir seguir em frente antes que seja tarde demais. Em busca de respostas, Grace resolve recuperar uma antiga caixa de memórias que ela e Charlie haviam enterrado ainda na adolescência. Lá, Grace descobre uma carta de Charlie, revelando o desejo da amiga de encontrar seu pai, Paul, a quem ela nunca conhecera. Será que foi por isso que Charlie fugiu por seis anos? Será que Paul teria alguma pista que explicasse o que aconteceu com sua melhor amiga? Enquanto procura por Paul, Grace conhece Anna, uma garota que se declara irmã de Charlie, alguém que rapidamente invade a vida e a casa de Grace. Mas algo não está certo. Dan está Cada vez mais distante e Grace tem certeza de que alguém a está seguindo. Será tudo isso coisa de sua cabeça? Quanto mais Grace se aproxima da verdade sobre Charlie e Anna, mais ela corre perigo. Ela conseguirá se salvar?

    

Grace sempre foi uma garota insegura por estar fora do padrão de beleza estabelecido pela sociedade, e por isso encontrava em sua melhor amiga Charlie seu abrigo e exemplo. Totalmente oposta a ela, Charlie emanava personalidade, feminilidade e confiança, apesar de todos os problemas que a envolviam, e isso era uma das coisas que Grace mais admirava na amiga. Por conta de toda essa ligação entre as meninas, foi um choque terrível para Grace perder Charlie tão repentinamente, sem nenhum tipo de aviso prévio e em uma situação totalmente atípica. O mundo da garota desmoronou, e com ele qualquer relação mais efetiva que ela poderia ter com Dan, seu então marido.

O sofrimento não deixava o coração de Grace, que logo se viu ainda mais envolvida com a situação ao encontrar uma caixa que as garotas construíram juntas e enterraram em um lugar simbólico para as duas. Nela, Grace encontrou um bilhete misterioso de Charlie, que não conseguia compreender. Em busca de respostas e de uma maneira de, enfim, descansar e seguir adiante com sua vida, Grace resolve realizar a maior vontade da amiga: identificar e contatar seu pai biológico. O que ela não esperava é que, ao invés do pai da garota, batesse de frente com uma irmã que, assim como Charlie, entrou intensa e definitivamente nos dias e na mente de Grace. Anna era parecida com a amiga que ela havia há pouco perdido e, por mais que não pudesse substituir Charlie, trazia uma pontinha de consolo para Grace. Mas logo coisas estranhas começam a acontecer e Grace vai perceber que as aparências, na maioria das vezes, são apenas máscaras ocultando as verdadeiras intenções.

Falar de A Irmã é um pouco difícil pra mim, confesso, porque esse foi um livro que mexeu muito comigo, em todos os sentidos. Se existisse uma palavra com a qual eu definiria essa história, a palavra seria intensidade. A trama não inicia frenética; nos primeiros capítulos somos introduzidos ao contexto e às personagens, entendemos seus dramas, seus medos, suas angústias, e só então o enredo principal começa a se desenrolar. Essa é uma escolha interessante da autora, assim conseguimos aprofundar-nos nas personagens, conhecer suas personalidades e entender as atitudes que levaram a tais caminhos, que trouxeram determinados desfechos como consequência. Acho importante destacar que a história não é linear, mas sim repleta de flashbaks. Com capítulos divididos entre "Antes" e "Agora", somos apresentados aos sentimentos mais íntimos da Grace, narradora da história, e é a partir da visão dela que conhecemos não apenas a trama, mas as outras personagens que fazem parte dessa história. 

Quando entramos na segunda parte do livro, aquela em que tudo realmente acontece, as coisas se tornam obscuras, cruéis e até mesmo assustadoras. A partir desse momento, a aura do livro muda, e o leitor é envolvido em um clima de tensão, permanente e crescente, que desemboca em surpresas tão sinistras quanto perturbadoras. Eu confesso que o desfecho do livro foi um pouco previsível para mim, pelo menos parte dele, mas isso não anula em momento algum o impacto que os acontecimentos tem sobre mim, como leitora, ou o poder que eles possuem de me chocar, total e constantemente.

Na minha opinião, um thriller que se preze precisa ser também um suspense, o que quer dizer que o mistérios, os segredos e a ambiguidade são elementos definidores de grande parte do sucesso de uma trama desse gênero. E Jensen nos entrega tudo isso magistralmente: as peças do quebra-cabeças que essa história se torna não são dadas todas de uma vez ou de uma maneira fácil. O leitor descobre os fatos verdadeiros no mesmo momento em que a protagonista e precisa, assim como ela, colocar cada pedacinho em seu devido lugar para que, enfim, tenhamos as respostas que buscamos. E quando elas chegam, senhores, todos os forninhos vão cair por terra! Jensen construiu um enrendo complexo, cheio de possíveis alternativas, e ela consegue escolher justamente aquela que nos deixa mais estarrecidos. São várias as ligações e intrincamentos que acontecem ao longo da narrativa, sejam elas de personagens, de fatos, de histórias, é um entrecruzamento danado que, ao mesmo tempo em que te deixa confuso e doido para entender tudo logo, é o que mantém a trama interessante e, eu diria até, viva e pulsante, pulando das páginas do livro.

Grace é uma protagonista com a qual eu me identifiquei bastante. As inseguranças dela com relação ao próprio corpo, à própria auto-confiança, à própria autossuficiência, já forma e ainda são as minhas também, e tenho certeza que as de muita gente por aí. Apesar da inteligência, do bom-humor, da meiguice, a garota nunca se percebe definitivamente boa. É como se Charlie representasse tudo aquilo que ela jamais seria, e isso a fazia praticamente idolatrar a amiga. Ao contrário do que possa parecer, não havia nenhuma inveja na relação das duas: elas realmente se amavam e se protegiam, independente dos problemas que cada uma pudesse ter. É bonito acompanhar a amizade entre as personagens porque é um sentimento mútuo e extremamente verdadeiro, que comove e encanta. Por isso eu sofri tanto com a Grace com tudo que acontece durante e depois da morte de Charlie, porque é impossível não exercer a empatia quando se trata dessa personagem. É claro que algumas vezes eu perdi a paciência com ela (principalmente com relação à autopiedade, que afastava praticamente todos que ela mais amava), mas eu consegui entender as razões que a levavam a tais atitudes ou pensamentos, e por isso ficava fácil me solidarizar com ela.

O mesmo, na verdade, aconteceu com Anna. Ela é uma das personagens mais emblemáticas que eu já conheci e eu não posso falar muito dela para não correr o risco de soltar um spoiler gigante e atrapalhar a leitura de vocês, mas eu posso dizer que Anna me surpreendeu a todo momento. Ela é extremamente parecida com a Charlie, aquele tipo de menina que sabe o poder que tem e não tem medo de usá-lo, a qual muitos admiram e outros simplesmente invejam, mas ninguém consegue ser indiferente. Nem mesmo Grace. Depois que se conheceram, as duas se aproximaram tanto e tão rapidamente, que até eu fiquei surpresa. Anna tinha a habilidade de quebrar todas as barreiras que Grace havia imposto entre si e o resto do mundo e foi por isso que ela conseguiu chegar tão perto da garota. E foi por isso que eu a odiei em muitos momentos, e a amei em outros tantos.

Lexie é a mãe de Charlie e é uma mulher complicada. Ela sempre teve todo tipo de problemas, todos eles relacionados ao seu vício em bebida alcoólica. Exagerada, desbocada, encrenqueira, Lexie era todos os extremos juntos, desde o início do livro. Não sei se posso classificá-la como uma boa mãe, mas ao longo da narrativa vamos descobrindo que ela realmente amava Charlie, apenas não sabia como demonstrar isso, porque nunca havia sentido amor de nenhum lado. Assim como aconteceu com as outras personagens (com o Dan inclusive), minha relação com a Lexie foi do amor ao ódio e do ódio ao amor muito rapidamente, e as vezes eu nem conseguia distinguir o motivo que me levou a isso. Na verdade, esse é o ponto mais interessante das personagens para mim: elas são tão reais, tão comuns, tão humanas, que não é possível julgá-las a partir de parâmetros únicos e imutáveis. Assim como qualquer um de nós, elas são capazes de coisas abomináveis, que vão fazer o leitor detestá-las, mas também são capazes de realizar ações altruístas. É difícil dizer que não é possível compreender cada uma delas, cada pensamentos e traço de personalidade. Tudo aqui tem um porquê, e as vezes vai doer descobri-los, então estejam preparados.

Quando todos os enigmas estão solucionados, quando nosso coração já está em pedaços e a gente realmente acha que não existe mais nada, a autora nos brinda com um final maravilhoso, que deixa acesa aquela pontinha de esperança no final do túnel das desgraças. É por isso que esse livro me marcou tanto: ele definitivamente retrata a vida humana. É claro que nem todo mundo vai passar pelas situações que as personagens enfrentam aqui, nem literal nem figurativamente, mas essa aura de final mais ou menos feliz, de existir uma chance de felicidade pelo menos, é o que faz todos nós seguirmos em frente depois de uma situação complicada. Olhar para frente, enxergar tudo e todos que temos, e superar é uma das possibilidades mais bonitas que a vida nos proporciona, e é exatamente isso que acontece aqui.

Se você, querido viajantes, está esperando uma leitura fácil, passe longe de A Irmã, por enquanto. Mas se possível, depois de preparado e dispostos, dê uma chance a esse livro. Ele não é apenas um thhriller muito bem composto e escrito, é também uma história de medo, perdas e superação. Depois que lerem venham debater comigo, por favor! Até a próxima postagem!

[RESENHA] Anhangá, a Fúria do Demônio - J. Modesto

Olá, viajantes!

Hoje trago para vocês mais uma resenha de um livro escrito pelo nosso parceiro J. Modesto, cheio de ação e batalhas de tirar o fôlego. Conheçam Anhangá, a Fúria do Demônio, e embarquem vocês também nessa aventura!

Anhangá - A Fúria do Demônio

TÍTULO: Anhangá, a Fúria do Demônio
AUTOR: J. Modesto
EDITORA: Giz Editorial
NÚMERO DE PÁGINAS: 246 páginas
SINOPSE: 300 anos antes do descobrimento, um naufrágio no litoral brasileiro traz para o mundo ainda não explorado um demônio que logo será conhecido pelos nativos como Anhangá. Um feiticeiro mouro, único sobrevivente da tripulação da nau que trouxe o demônio aprisionado, um poderoso pajé e guerreiros de tribos rivais formam uma aliança para derrotar a criatura, sabendo que a morte os aguarda!
 

   

Nossa história começa ainda antes do descobrimento do Brasil. Kaudemuns, um poderoso e ganancioso feiticeiro, queria dominar o poder total a qualquer custo. Para isso, decidiu que precisava de ajuda. Foi nesse momento que, munido de uma magia incontrolavelmente forte, deu vida aos Demônios Elementais, juntamente às Pedras Elementais, que permitiam ao feiticeiro controlar as criaturas. Mas a ambição de Kaudemuns fazia-o cego para qualquer outra coisa e assim, utilizando seu poder de manipulação, e demônio do elemento Terra conseguiu enganar o feiticeiro e libertar a ele e seus irmãos do encantamento. Desesperado, de algum modo o feiticeiro conseguiu fugir do golpe fatal das criaturas e fugiu, levando consigo as Pedras Elementais. 

Anos após o acontecido, o Demônio da Água foi, enfim, aprisionado em seu próprio elemento pelos guerreiros templários, ajudados por um mago mouro de nome Mohamed com uma magia poderosa. Os guerreiros, então, decidiram colocar a criatura em um navio e transportá-la através do além-mar, por onde acreditariam chegar à borda do mundo. Lá, eles pretendiam jogar o Demônio ao abismo, condenando-o à morte. Mesmo contrariado, Mohamed aceitou participar da viagem, para que pudesse ele mesmo manter a prisão da abominável criatura intacta. O que a comitiva não esperava era que o Demônio, ajudado pela água do mar, conseguisse libertar-se. O resultado foi a destruição total do barco onde se encontravam e a morte de todos os guerreiros. Apenas Mohamed conseguiu, milagrosamente, sair com vida.

Longe de toda essa confusão estão os índios Tupiniquins e Tupinambás, que mal imaginam, ainda, que serão jogados no meio do furacão com a chegada do Demônio em suas terras. Avisado por Tupã de um companheiro recém-chegado que poderia ajudá-los na luta contra a poderosa criatura, que já havia devastado várias aldeias e matas, um Pajé da tribo Tupiniquim receber Mohamed como o guerreiro que é e, junto aos índios sobreviventes, eles partem em mais um jornada perigosa para exterminar a temida criatura.

Anhangá, a Fúria do Demônio, é um livro cheio de intensidade. Diferente do livro anterior do autor já resenhado aqui no blog (vocês podem conferir a resenha nesse link), essa é uma narrativa que tem ação do início ao fim, literalmente. O autor nos brinda com uma história bastante particular em todos os seus elementos, mas extremamente envolvente, cujas leitura é fluida e tão rápida que fica difícil acompanhar todos os acontecimentos.

Narrado em terceira pessoa, o livro tem vários focos narrativos, que se alternam no decorrer dos capítulos. Isso é um estratégia interessante pois, como temos diversos personagens para acompanhar e entender ao longo do enredo, ver a história através da perspectiva de cada um deles, mesmo que estas personagens não sejam as vozes da narrativa, dá ao leitor a oportunidade de compreender o desenvolvimento não apenas destes protagonistas, mas também do enredo como um todo, com todas as suas implicações e intrincamentos.

Falando em personagens, assim como em Trevas, aqui o elenco é vasto. Temos o Pajé, o índio Acauã, Mohamed, o próprio Demônio Elemental, isso sem falar em todos aqueles que acabam por padecer nas batalhas (e de alguns, eu confesso, senti falta). O mais interessante e admirável em toda essa gama de personagens é que o autor consegue construir cada um com sua personalidade única e diferente de todos os outros. Não só através dos diálogos, mas também das atitudes de cada um, somos capazes de reconhecê-los e diferenciá-los sem maiores dificuldades. E nenhum deles é deixado de lado no enredo: todos tem sua função bem definida e fundamental para o desenvolvimento da narrativa e, até mesmo, o desfecho final. Alguns deles, como o feiticeiro Kaudemuns, não aparecem ao longo do livro, são apenas mencionados, e mesmo assim são indispensáveis à trama como um todo. Temos até uma aparição do Curupira, gente!

Aqui entramos em outro ponto fundamental e super positivo do livro pra mim: o cenário. O autor fez um trabalho incrível com esse livro! Como o próprio nome já diz, grande parte da história se passa em terras brasileiras, antes do descobrimento, quando as tribos indígenas ainda habitavam e eram donas dessas terras. O que leva o leitor a uma viagem incrível sobre os costumes, a cultura e toda a riqueza que envolve esses nossos antepassados. Temos nomenclaturas indígenas, cenários paradisíacos dos quais nem fazíamos ideia, temos rituais, celebrações e batalhas, tudo isso num complexo e intrincado enredo. A exaltação que o autor faz não apenas do país, mas dos povos indígenas, tão importantes na história do Brasil, é não apenas interessante como mágica e encantadora.

Agora o porquê das quatro estrelas, enfim: eu sei que esse não é o foco do livro e, apesar de o autor ter feito um belíssimo trabalho tecendo o cenário e as personagens, eu confesso que senti um pouco de falta de um pouco mais de aprofundamento nos costumes e na própria cultura indígena, além da questão dos templários, que são essenciais para a trama (temos um capítulo dedicado à explicação da fuga do Demônio, mas aqui eu estou falando da própria ordem). Mas, Patrini, isso não é um livro de história! Sim, galera, eu sei, mas eu sou extremamente curiosa, e se é pra realmente mergulhar em assuntos tão interessantes, ricos e encantadores quantos esses, eu gostaria de ir com tudo, de cabeça mesmo.

No entanto, esse foi um detalhe do qual eu, unicamente, senti falta. Em momento nenhum isso atrapalha a leitura ou diminui a grandiosidade da história aqui narrada. Eu adorei ter contato com essas culturas distintas, adorei a mistura do sobrenatural com o histórico que, mais uma vez, deu muito certo e trouxe riqueza e complexidade ao enredo, adorei mais ainda as batalhas épicas que foram travadas entre Demônios e humanos, que são de tirar o fôlego ao ponto de não conseguirmos desgrudar os olhos da leitura. Se você, assim como eu, curte livros cheios de ação, intensidade e surpresas, Anhangá, a Fúria do Demônio, é um prato cheio! Garanto que vocês não vão se arrepender da leitura. Boa viagem e cuidado: a criatura pode estar à espreita em qualquer etapa do caminho! Até a próxima postagem!