[DIVULGAÇÃO] Você sabe como acessar a Netflix de outros países?

Olá, viajantes!
Hoje a postagem é um pouco diferente, porque traz uma dica bem interessante para vocês. Acho que praticamente todo mundo aqui já ouviu falar da Netflix, o serviço de streaming mais amado de todos os tempos. No catálogo dessa coisa maravilhosa, o assinante pode encontrar, além de vários clássicos do cinema e séries, muitas produções originais incríveis também. Mas me digam uma coisa: vocês sabiam que a Netflix de cada país possui títulos diferentes? Pois é, eu era leiga nesse assunto até pouco tempo atrás.


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O mais legal de tudo, no entanto, é que existe uma forma da gente acessar todos esses filmes e séries distintos! Agora vocês devem estar se perguntando como isso é possível, e eu tenho só três letras como resposta: VPN.

Ok, vocês não fazem a menor ideia do que eu estou falando. Mas calma, vamos começar do início. Que tal entender um pouquinho sobre o que é uma VPN? Segundo o Canal Tech, a definição de VPN é bem simples: a sigla significa Virtual Private Network, ou Rede Virtual Privada. Ela é formada por um grupo de computadores que se conectam usando uma rede pública: a internet. Ou seja, basicamente, uma VPN permite acesso remoto a recursos de uma rede local, ainda que você não esteja fisicamente conectado nessa rede.

Legal, não é? Mas e para que serve mesmo? Bom, depende da sua intenção com a VPN: ela tem várias funcionalidades. Em primeiro lugar, serve para garantir proteção durante a troca de informações pela internet em redes públicas. O principal ponto positivo de uma VPN é, portanto, a segurança que ela proporciona para sua navegação na internet, evitando que seus dados fiquem visíveis para pessoas não autorizadas.

A VPN também é muito útil para um funcionário de uma empresa qualquer, que tem prazos e tarefas a cumprir, principalmente quando ele não se encontra em casa ou está viajando: a VPN fornecida pela empresa permite não apenas que ele acesse a rede da qual necessita para trabalhar, mas também que o faça de forma segura, sem correr o risco de que seus dados sejam interceptados.

Mas a função que mais interessa a nós nessa postagem é mesmo a que permite acessar conteúdos de TV, rádio e streaming de outros locais. Agora vamos a parte que todos estamos realmente esperando: como faço para usufruir de todos os benefícios de uma VPN? Basicamente, você vai precisar assinar um serviço que forneça essa VPN.

Aí é que entra o Davi, da Express VPN. Eles tem vários planos de assinatura no site, além de terem a garantia de que funcionarão inclusive nos seus dispositivos móveis. Além disso, esse serviço pode ainda funcionar como um proxy que te permite navegar de forma segura nos mais diversos domínios. Ficou curioso e quer conhecer um pouco mais do serviço? Clica aqui que o site tem tudo explicadinho para vocês!

Além disso, o Davi preparou um artigo bem legal mostrando para os viajantes do blog alguns títulos bem interessantes de livros que viraram filmes, não é incrível? Com a palavra agora, o Davi!


É difícil criar um filme que faça jus ao livro; não só pelo fato de que é impossível satisfazer o gosto de todos os leitores como é difícil colocar todos os acontecimentos do livro em uma hora e meia de filme. Cada pessoa interpreta o livro de uma maneira diferente de outra e imagina os personagens e cenários associando à sua vida pessoal.
Independente de ter feito sucesso ou não, vou mostrar alguns filmes baseados em livros que estão disponíveis no catálogo da Netflix brasileira.

Curiosidade: Cada país tem um catálogo diferente do outro, e se você quiser acessar os filmes e séries de TV dos outros países, basta, além de ser assinante Netflix, instalar um aplicativo VPN no seu pc ou celular. A Rede Privada Virtual (VPN) protege o seu dispositivo de ataques de hackers e lhe deixa escolher um país virtual de acesso; Japão, Estados Unidos, França, Canadá, você escolhe.


A Época da Inocência: Um filme baseado no livro de mesmo nome da escritora norte-americana Edith Wharton. Ambientado na Nova Iorque dos anos 70, Daniel Day-Lewis interpreta um advogado que está noivo de uma jovem da aristocracia (Winona Ryder) e se apaixona por uma condessa (Michelle Pfeiffer) que é prima da sua noiva. A personagem de Pfeiffer acaba de voltar da Europa com novas ideias que deixam a sociedade nova iorquina da época em choque.


Feira das Vaidades: Reese Witherspoon interpreta Becky Sharp, uma mulher pobre que vive em Londres e aspira ascender socialmente. Para isto ela utiliza trapaças e esquece da sua raíz humilde.O livro, no qual este filme foi inspirado, foi escrito por William Makepeace Thackeray e é considerado um clássico da literatura.


Jogo Perigoso: Inspirado no livro de Stephen King, esse filme conta a história de um casal com crise no relacionamento que decide alugar uma casa na floresta para passar um final de semana romântico e tentar remediar a situação que eles estão vivendo. Na casa acontece um evento que obriga a protagonista feminina a lutar pela sobrevivência; sem spoilers. Esta produção conta com Carla Gugino e Bruce Greenwood no papel do casal.


O Quarto de Jack: Brie Larson interpreta Joy e Jacob Tremblay faz o papel do seu filho neste drama aonde eles vivem isolados do mundo, num quarto. Apenas recebem a visita periódica do raptor deles, o Velho Nick (Sean Bridgers). Numa brilhante interpretação de Brie Larson, a personagem dela tenta fazer de tudo para que o filho tenha uma vida suportável. Tanto o filme como o livro de mesmo nome são intensos, e valem a pena serem conferidos.


O Menino do Pijama Listrado: Preparados para chorar? Baseado no livro de John Boyne, esta bela obra da sétima arte conta a história de Bruno, um menino de apenas oito anos de idade que é filho de um oficial nazista de Berlim, e se muda com a família para uma região isolada aonde Bruno fica sem ninguém para brincar. O jardim da casa de Bruno é cercado por arame farpado e do outro lado da cerca ele conhece Shmuel, um menino da mesma idade e com um pijama listrado. Um filme para se emocionar.

Curtiram a novidade? Espero que vocês aproveitem muito a nova funcionalidade e me contem nos comentários como foi a experiência, viu? Até a próxima postagem!

[RESENHA] Feche os Olhos - Ariel Gomes

Olá, viajantes!

O bloguinho anda bem desatualizado ultimamente e eu peço desculpas, de verdade. Estamos passando por algumas modificações que para mim são muito difíceis, devido a minha total falta de compreensão acerca das tecnologias e códigos HTML dos layouts (podem rir, eu deixo). Mesmo assim, hoje eu trago para nossos viajantes mais uma resenha fresquinha, fruto de uma parceria com a Aberst e com o autor Ariel Gomes. Vem comigo conhecer um pouco mais sobre Feche os Olhos!

Feche os Olhos por [Gomes, Ariel ]

TÍTULO: Feche os Olhos
AUTOR: Ariel Gomes
EDITORA: Amazon
NÚMERO DE PÁGINAS: 12 páginas
SINOPSE: Feche os Olhos é um conto que te faz repensar suas atitudes aqui na terra, na nossa finita vida. Muitas vezes pessoas que já deixaram esse mundo ficam perambulando por entre os vivos a fim de contar suas terríveis histórias, para então ter a sua redenção, ou pior, a punição. Conheça Valentina, a garota que conheceu a vida, ou melhor, a morte de Emília Blomer, um fantasma de uma menina que teve uma infância muito perturbada e que por isso se tornou a garota dos olhos costurados.


   

Feche os olhos é um conto bastante curto: apenas dez páginas. Nestas poucas linhas, somos apresentados à Valentina, que conhecemos como uma menina cheia de vida, que pretendia curtir uma noite com as amigas regada a muita bebida, flerte e diversão. Após a festa da qual participaram as meninas, Valentina decidiu não esperar suas companheiras e, encorajada pelo álcool consumido durante a noite, partiu sozinha para sua casa. No meio do trajeto, no entanto, foi obrigada a tomar um caminho diferente daquele a que já se acostumara e isso a desnorteou. Confusa, a garota só percebeu onde estava quando já se encontrava em frete ao Cemitério São Pedro. Hipnotizada de uma forma estranha por aquele lugar, Valentina só foi retirada do transe por uma vez que vinha de dentro do cemitério e que a garota, curiosa, seguiu. É assim que começa a história de Emília.

Eu não posso contar muitos detalhes acerca do enredo, pois tenho receio de que possa tirar de vocês a própria experiência de descobrir a história por si mesmos. O que eu posso dizer é que o enredo se passa na cidade do Rio de Janeiro e que se divide em dois momentos: o presente, onde se encontra a personagem Valentina, e o passado, que pertence a Emília. Essa divisão fica marcada implicitamente ao longo do conto, e é nítido para um leitor mais atento o instante em que a história vai de um tempo a outro. Eu curto muito esse tipo de flashback, acho que esse recurso dá ao público uma menção ainda mais aprofundada dos acontecimentos e dos sentimentos das personagens, o que nos permite conhecer melhor não apenas a trama, mas as próprias protagonistas dela.

Valentina é uma garota como qualquer outra, e tudo que ela queria era uma noite de diversão ao lado de suas amigas. Levada pelo clima da festa, a garota acaba se embriagando, o que acarreta na decisão de ir sozinha para casa. Acredito que o grande marco do conto seja realmente o encontro de Valentina com Emília: é neste ponto em que a protagonista passa de uma menina descompromissada a uma pessoa empática e preocupada com o bem-estar da garota que acabou de conhecer. Emília é uma incógnita para mim, sua personalidade não é de todo revelada ao longo do conto. Conhecemos sua história, sabemos de seu destino, mas não temos maiores pistas sobre como ela verdadeiramente é. Seus sentimentos, em alguns momentos, são bastante explícitos, através de seu próprio discurso, e essa é uma estratégia acertada do autor, no sentido de que nos torna mais abertos à compaixão e até mesmo ao compartilhamento da dor que Emília sente.

É interessante informar, se até agora vocês ainda não conseguiram apreender este ponto, que essa é uma trama que mistura o real e o sobrenatural, e estes dois momentos da narrativa dos quais falei acima marcam também a passagem entre o mundo que todos conhecemos, que Valentina também conhece, para um universo paralelo, estranho a nós, meros mortais. Na minha visão de leitora, esse foi um fator que enriqueceu bastante o enredo, à medida que traz ao conto elementos fantásticos que são essenciais para o desenvolvimento da história. 

A única coisa que me incomodou um pouco ao longo da leitura foi a agilidade com que todas as coisas acontecem. Eu entendo que, por ter uma extensão menor, o conto é um gênero que exige mais rapidez e desenvoltura por parte do autor, mas eu ainda achei que as informações foram entregues de uma forma muito brusca, fácil até. Gostaria de ver um desenvolvimento maior da relação das duas meninas, de como a comunicação entre elas foi possível, quem sabe mais suspense ao revelar os pormenores que envolvem a vida de Emília, personagem a partir da qual toda a história se constrói. Talvez por isso eu tenha encarado esse conto como uma possível premissa para um romance, uma trama maior que consiga não apenas explorar com maior profundidade esses aspectos, mas também trazer à luz outros elementos de destaque que possa tornar o enredo ainda mais envolvente.

De maneira geral, eu fiquei bastante curiosa com o conto, principalmente em conhecer um pouco mais de ambas as personagens. Como leitora curiosa que eu sou, fico torcendo para que o autor reconheça o potencial dessa história e transforme-a em um trabalho próximo, como um presente aos leitores que, assim como eu, gostariam de conhecer Valentina e Emília mais de perto. 

Até a próxima postagem, viajantes! E não esqueçam de me contar o que acharam da postagem aqui embaixo, viu?

[RESENHA] Dias Febris - Francis Graciotto

Olá, viajantes!

Em pleno final de ano, as resenhas por aqui andam escassas. Mas como vocês já sabem, o blog conseguiu uma parceria que eu mais que desejava com a Aberst, e fomos sorteados com o livro Dias Febris dessa vez, do autor Francis Graciotto. Hoje eu trago minhas impressões dele pra vocês, e eu já posso adiantar que não consegui largar o livro antes de finalizar a leitura! Como eu amei demais o livro, já vou deixar o link de compra aqui na introdução mesmo: clica aqui e vocês podem conferir por si mesmo o motivo de essa resenha estar recheada de elogios!

Dias Febris
TÍTULO: Dias Febris
AUTOR: Francis Graciotto
EDITORA: Cultura em Letras Edições
NÚMERO DE PÁGINAS: 130 páginas
SINOPSE: A Febre Vermelha surgiu na região de Santos e se espalhou pelo Brasil, uma doença que deixa seus infectados com olhos vermelhos e uma insaciável fome por carne humana. A sociedade rui em questão de dias. Policiais, médicos, bombeiros e até os responsáveis por gerenciar as redes de energia elétrica e comunicações estão ocupados tentando sobreviver e não resta nenhuma autoridade para proteger a população da doença e dos infectados. Em todas as regiões do país, cada um está por conta própria. Estes são os Dias Febris. Em uma coletânea de oito histórias em diversas cidades brasileiras, Dias Febris conta pontos de vista diferentes dos dias que seguem à Febre Vermelha. São histórias individuais, podendo ser lidas antes ou depois do primeiro livro.

    

Dias Febris, como a sinopse já informa, é uma coletânea que reúne oito contos. É importante vocês saberem, antes de tudo, que o universo desses contos é o mesmo que o do primeiro livro do autor, Febre Vermelha (que, aliás, eu já quero ler pra ontem!), mas as histórias aqui, como o próprio autor menciona no Prefácio do livro, são individuais e podem, sim, ser lidas antes da leitura do livro. Elas foram escritas em períodos diferentes e não em conjunto: na verdade, o livro começou com um conto publicado no Wattpad pelo autor, que teve um retorno extremamente positivo por parte dos leitores. A partir daí, as escritas começaram, e o resultado delas é o livro do qual vamos falar hoje.

Antes de me deter em cada um dos contos, preciso dizer o quanto eu me senti envolvida por esse universo criado pelo autor. Que eu sou fã de história de zumbis não é segredo pra ninguém, mas o escritor desse título em específico conseguiu contextualizar de uma forma bastante satisfatória seu mundo. Como vocês já devem ter percebido, esse livro se passa em um cenário quase apocalíptico, onde uma doença chamada Febre Vermelha tem contagiado boa parte da população, fazendo com que todos os indivíduos se transformassem em canibais agressivos e preocupados apenas com uma coisa: comida. No caso, carne humana. Esse é o plot do primeiro livro e também dos contos. Nestas histórias paralelas, o leitor vai encontrar diversas visões acerca da tragédia e de todas as consequências que ela trouxe.

O que eu achei mais interessante, nesse ponto, foi a diversidade de personagens que encontramos aqui. Todos eles são extremamente diferentes, seja em questão de personalidade, de aspirações, de preocupações ou até mesmo de posição social e gostos particulares. Conforme conhecemos suas histórias, somos capazes de diferenciá-los claramente e conseguimos entender o que move cada um deles. É impressionante o bom trabalho feito pelo autor no quesito personagem: a tarefa de criar uma figura única, com sua própria voz e individualidade, que se distingua das demais, não pode ser considerada fácil, mas lendo esses contos o leitor pode ser enganado pela simplicidade com que o autor colocar esse procedimento em jogo. O mais importante é que todas elas, de alguma forma, acabam despertando sentimentos no leitor, sejam eles positivos ou negativos. Isso é responsável por boa parte do envolvimento que a obra suscita no público. Como eu já disse, a cada página lida eu me via tão envolvida que foi impossível largar o livro sem terminá-lo.

O processo que vamos adotar nessa resenha, como há muitos enredos, será o de falar de cada um deles individualmente. Prometo controlar minha empolgação ao máximo pra não dar nenhuma spoiler que possa estragar a leitura de vocês. Eu ia mencionar apenas os contos que mais gostei, mas chegando ao final do livro eu percebi que todos eles me agradaram de diferentes formas, então seria difícil selecionar apenas alguns deles. Se você está lendo essa resenha, só tenho uma coisa a dizer: senta, porque lá vem história!

O livro começa com o conto Lucy. Nele, temos quatro protagonistas: Alex, Thiago, Lara e Lucy, que é apenas mencionada, só sendo apresentada no final do conto. Alex e Thiago são jogadores de futebol e estão em pleno jogo quando a Febre decide agir sobre a torcida, transformando quase todos em doentes ensandecidos por sangue. No meio do tumulto, Alex só consegue pensar em Lucy, que está muito longe dali, sozinha. Depois de perceber que o trânsito estava caótico e ele não conseguiria chegar a Lucy em tempo de tirá-la de qualquer situação de perigo, o garoto decide correr uma pequena maratona para enfim conseguir alcançá-la. O conto acompanha essa saga até Lucy e o final dele é simplesmente o melhor de todos, no meu ponto de vista. Foi por causa dele que eu me senti tão íntima do protagonista, por conta dos detalhes apresentados no desfecho eu entendi toda a aflição e as decisões que ele tomou e me peguei pensando se eu não teria feito exatamente o mesmo.

O conto que segue tem o nome de O Jogo. Ele começa com uma cena na qual temos exata descrição de um jogo de tabuleiro, o Zombicide, que dois amigos adoram e que sempre acaba sendo o programa escolhido por eles quando estão juntos. Essa cena é narrada em terceira pessoa: é como se o autor quisesse realmente inserir o leitor dentro do jogo com os garotos, criando uma experiência submersiva. Obviamente a paz desses dois protagonistas precisaria ser atacada, e aqui ela é arrancada deles de forma extremamente agressiva. Não vou contar como, mas posso dizer que é um dos contos mais surpreendentes, na minha opinião. Eu realmente fui enganada pela cena do jogo, pensando que era esse o enredo principal, e arrebatada por todos os acontecimentos que vieram depois dela.

O próximo conto, Era uma vez em Osasco, traz um protagonista bastante misterioso de início. Movido por um instinto forte de vingança, essa personagem decide ir em busca dos homens que destruíram a ele e a sua família algum tempo atrás. Em paralelo, temos os bandidos: Don e seus capangas. Esses homens estão em plena negociação com um cliente, Pablo, quando o nosso anti-herói secreto decide começar sua carnificina. O que nenhum deles poderia esperar era o final inusitado e assustador que essa história teria. Esse é de longo o conto com mais ação do livro. Eu me senti em uma verdadeira cena de filme, porque tudo foi extremamente bem escrito pelo autor, com detalhes, como se estivéssemos lendo um roteiro de cinema. É impressionante a precisão e a intensidade gradativa que o autor consegue construir ao longo dessas poucas páginas, e o suspense só aumenta ao longo da narrativa. Um dos melhores contos pra mim!

O conto seguinte se intitula O último andar e nos apresenta Tássia, uma importante funcionária dentro de uma multinacional que produzia todo tipo de coisa, de papinha de neném a sabão em pó. O dia que esperava pela moça ia ser cheio, com uma reunião logo cedo, mas os planos de Tássia se desmantelaram assim que ela entrou no elevador com mais três colegas de trabalho. O que aconteceu ali aterrorizou a gerente, tão acostumada a uma rotina programada e imutável, mas o que estava por vir poderia ser ainda pior do que o que ela havia enfrentado. Eu confesso que esse conto é um dos meus queridinhos de todo o livro, ele conseguiu inserir vários temas que eu curto muito em apenas uma história. O final já era esperado, pelo menos por mim, mas ainda assim foi de arrepiar até o último fio de cabelo de qualquer leitor!

No conto Dia do Touro, que segue o livro, tudo gira em torno de uma piada. Sim, isso mesmo: uma piada. O protagonista é um universitário que mora numa república com outros seis garotos no momento em que a Febre Vermelha atinge a cidade de Maringá, onde eles vivem. Tudo muda a partir de então e os garotos são obrigados a encontrarem um modo de sobreviver nesse novo mundo, e o jeito que eles encontram não é nada convencional. Esse é um conto bem curto, mas bastante denso. Ele faz o leitor refletir bastante sobre todos os aspectos do universo contemporâneo e o quanto a falta deles impactaria nas nossas vidas cotidianas, além de abordar um dilema ético bastante contundente quando o assunto é sobrevivência.

Assassinato em Maragogi é o conto que segue a coletânea e nos apresenta a um policial militar, Silveira. Depois de auxiliar em uma tragédia ocorrida em um cargueiro que deixou vários mortos, o protagonista estava em busca de um descanso na casa de seu irmão Breno e da cunhada Paty. Algo o estava incomodando desde o início da viagem, no entanto, algo que viria à tona quando todos menos esperassem, mostrando que a tragédia anterior havia deixado marcas bem maiores do que apenas as memórias. Esse foi um conto que eu li bastante rápido e, apesar de o final não ser imprevisível, mais uma vez eu me peguei chocada com a precisão e detalhamento das descrições do autor. Tudo ganha ainda mais vida a partir das palavras dele, e eu acho isso ótimo, mas bem aterrorizante, só pra constar!

Kasulo é um conto fora da curva, em todos os aspectos possíveis. A cena inicial nos apresenta a protagonista, Júlia, em um dia normal de trabalho. Os instantes seguintes seguem a rotina da garota até uma catástrofe acontecer e ela precisar lutar pela sua vida. Nesse momento somos levados novamente à cena inicial, e tudo parece igual até que o desenrolar do dia da menina fica completamente diferente. Paralelamente, tudo termina exatamente igual. Essa cena inicial se repete algumas vezes, e eu achei essa escolha de narração o máximo, porque mostra ao leitor todas as possibilidades de construção de uma história. Mesmo que elas compartilhem o mesmo final, é impressionante ver a capacidade criativa do autor em ação. Confesso que terminei o conto chocada!

O último conto, O diário de Pietro, na realidade tem um formato diferente de todos os outros: ele é constituído por diários. Diários escritos por Pietro Giovannini, um capitão do Exército Brasileiro destacado para uma missão especial e super confidencial nas ilhas de Trindade e Martim Vaz. Ao longo do conto, acompanhamos a trajetória desse protagonista: desde a descoberta enorme que ele acaba fazendo, até sua perplexidade diante dela, para enfim chegarmos ao fatídico dia em que tudo deu errado pra todos nas ilhas. O mais interessante desse conto é que ele praticamente explica ao leitor o início de tudo, de toda a epidemia mas, em contrapartida, é o enredo que fecha o livro. Achei essa escolha bastante acertada do autor. Ao longo das histórias, o leitor fica à vontade pra formular todas as teorias possíveis sobre essa doença: sua origem, sua possível causa, se existe ou não uma cura. Só chegando ao final dos contos é que entendemos, implicitamente, como tudo chegou onde chegou. E, confesso, o final foi muito satisfatório, na minha opinião, e o conto que fecha o livro não poderia ser outro!

Antes de terminar a resenha, eu preciso falar pra vocês sobre essa diagramação. Eu li o livro no aplicativo do Kindle para celular, e mesmo assim achei a fonte muito confortável à leitura. Além disso, além da ilustração divina da capa, todo início de capítulo acompanhar um desenho que segue o mesmo padrão da capa e que resume, mais ou menos, o enredo do conto que vamos ler a seguir. Essas ilustrações são neutras, dando destaque aos pontos em vermelho que existem em todas elas (bastante sugestivo quando falamos de histórias de criaturas canibais, certo?). Isso, além de dar um charme a mais ao livro, torna ainda mais ricos os contos, cuja linguagem verbal se juntas às ilustrações pra construir um sentido complexo e próprio.

Eu li essa coletânea com um sorriso no rosto desde a primeira página. Eu sei que é estranho falar isso, porque em vários momentos das histórias nada motivava felicidade, mas na verdade meu sorriso teve outro motivo: eu conheci mais um universo fantástico criado por um autor brasileiro super talentoso, e pra mim nada pode ser mais reconfortante e encantador que isso. Se você curte os nossos bons e velhos amigos zumbis, se quer entender como é adentrar um mundo dominado por essas criaturinhas famintas e nada amigáveis, pode chegar porque é sucesso na certa! Até a próxima postagem e uma boa viagem nos livros a todos vocês!

[DIVULGAÇÃO] Vampiresa - J. Modesto

Olá, viajantes!

Estou em falta com o blog mais uma vez, mas é por conta do meu mestrado, que anda ocupando todo meu tempo. Assim que as coisas se normalizarem por aqui voltarei ao meu ritmo normal de leitura e poderei trazer resenhas mais frequentes aqui para o nosso cantinho. Espero que vocês tenham paciência comigo.

Enquanto isso não acontece, venho trazer para vocês mais uma novidade do nosso autor parceiro, J. Modesto: conheçam Vampiresa, lançamento do escritor!

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TÍTULO: Vampiresa
ANO DE LANÇAMENTO: 2018
COMPRAR
SINOPSE: Amor! Por ele, uma Condessa foi levada a se tornar uma criatura das trevas. E, em meio a essa sua nova existência, transformou-se uma predadora fria e cruel. Contudo, séculos depois, a condessa se depara com alguém muito mais poderoso, que, munido de sua Katana e de venenosas estrelas de prata, vem dizimando os inimigos naturais de sua raça, e, agora, volta sua atenção para os de sua espécie. Mas aquele antigo sentimento, que custara sua humanidade, retorna com toda a força, ditando o relacionamento confuso entre os oponentes. Vampiresa é uma eletrizante aventura, que passa pelo Japão feudal, visitando a Idade Média, e chegando aos nossos dias. Imperdível!

Se interessou pelo livro? Abaixo vocês encontram um trechinho dele para aguçar ainda mais a curiosidade!


"A silhueta de um ser humanóide, agachada a sua frente, pareceu se agigantar, e seus olhos amarelados se destacaram em meio as sombras. Sua forma meio humana meio lupina ficou evidente, quando ele se ergueu, colocando-se de pé sobre as patas traseiras. Com um passo à frente, se colocou sob um facho de luz, vindo da iluminação pública, tornando-o completamente visível. Um rosnado forte e assustador saiu de sua garganta, e os lábios negros recuaram, deixando expostos os pontiagudos dentes, enquanto a saliva viscosa escorria por sua mandíbula, gotejando em direção ao asfalto. Seu tamanho facilmente atingiu dois metros de altura, acentuando ainda mais seu aspecto assustador e sua agressividade. Sem alternativa, que não o confronto, a vampira preparou-se para se defender, retribuindo a expressão ameaçadora."

Sobre o autor: J. MODESTO é um dos Ícones da Literatura Fantástica Nacional. Formado Arquiteto e Urbanista, pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, abandonou suas pranchetas para enveredar pela ficção. Dentre suas influências está seu maior ídolo, H. P. Lovecraft, seguido de nomes importantes como Bram Stoker, Stephen King, Anne Rice, Mary Shelley e Edgar Allan Poe. Seu romance de estreia foi TREVAS (2006), que teve uma grande aceitação do público. É também autor de Anhangá – A fúria do demônio (2008), destaque da Editora na Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2008, Vampiro de Schopenhauer (2012) e Joelma – Antes da escuridão (2014). Participou, junto com outros renomados autores nacionais, das coletâneas Amor vampiro (2008), Anjos rebeldes (2011) e Livro do medo (2012). Vampiresa é seu quinto romance publicado. 

Eu confesso que, como amo história com esses seres noturnos, tô bem ansiosa pra ler o livro. Alguém mais no meu time? Até a próxima postagem, e boa viagem pelos livros a vocês!

[RESENHA] Ecos Bastardos - Antonio DiMarco

Olá, viajantes!

Há algum tempo, anunciei na página do blog no Facebook (se você ainda não curte a página, clica aqui e acompanhe a gente por lá também!) a nossa parceria com a Aberst, uma associação de escritores dedicada exclusivamente aos gêneros suspense, terror e policial. Hoje, trago para vocês a primeira resenha dessa parceria: conheçam Ecos Bastardos, um conto de Antonio DiMarco!

Ecos Bastardos

TÍTULO: Ecos Bastardos
AUTOR: Antonio DiMarco
EDITORA: Pyxidis
NÚMERO DE PÁGINAS: 18 páginas
SINOPSE: Alzira era casada com Augusto e moravam em uma bela residência na serra de Nova Friburgo. Frustrações encobriram a felicidade que um dia existiu e Augusto teve um filho com a empregada da casa. Uma década depois, a criança desapareceu, a empregada também e o tempo levou Augusto e, por fim, Alzira. Todos se foram, mas o casarão permaneceu firme, esquecido em meio à crescente vegetação, assim como seus muitos segredos. Intrigado com a história contada por Clarissa, Sergio a convida para um final de semana romântico na serra, incluindo uma providencial visita ao misterioso casarão. Descobrirão algo sobre o passado? Ou sobre o presente? Entre no velho casarão e descubra por sua conta e risco!

    

Clarissa e Sergio são um casal jovem, aventureiro e cheio de vida. Em uma conversa entre os dois, Sergio menciona seu interesse por uma história que a companheira nunca esclareceu: a de seus tios Alzira e Augusto, cujo casamento era marcado por tragédias cheias de mistério e segredos. Contar a história do casal para Sergio obviamente incluiria falar acerca do casarão onde eles moravam, e é assim que Clarissa se vê envolvida involuntariamente em um passeio ao lugar, por insistência de seu namorado. Mas esta aventura reservaria surpresas nada atraentes para os dois e eles vão precisar estar preparados para as consequências.

Olhando para o enredo do conto escrito por DiMarco, um leitor mais desavisado pode ser levado a acreditar que a trama nele contida é bastante despretenciosa. O que eu quero deixar claro já no início dessa resenha é: nada aqui é o que vocês estão pensando! Com cerca de vinte páginas e uma história marcada por segredos, mentiras, traição e reviravoltas, Ecos Bastardos foi uma grata surpresa para mim. Eu li o conta em bem menos de uma hora, não devido a sua extensão, mas ao fato de que eu não consegui tirar os olhos da leitura até tê-la terminado.

Com uma narrativa fluida e gostosa de acompanhar, o autor conseguiu criar um enredo original e envolvente em cima daquilo que todos nós já conhecemos do gênero suspense: a aura de intrigas, perigo e tensão sempre presente. Somos apresentados ao casal protagonista logo de cara e é com eles que vamos conhecer a história de Alzira e Augusto e, consequentemente, a do casarão onde os dois residiram em vida. A narração em terceira pessoa foi uma escolha muito acertada por parte do autor, uma vez que ela permite apreender vários detalhes que as próprias personagens não conheciam, ao mesmo tempo que dá ao leitor uma visão mais completa e ampla de tudo que acontece ao longo da trama.

Apesar de não termos uma construção aprofundada de personagens, conseguimos saber tudo que precisamos a respeito deles. Clarissa é uma jovem cheia de vida e apaixonada e Sergio é um amante de leitura curioso e persuasivo. Ao revirar as memórias de sua família, a mocinha não esperava o desfecho que estava por vir, assim como seu companheiro foi surpreendido por tudo que aconteceu na incursão ao casarão. Falando em casarão, eu preciso dizer que, na minha opinião, ele é uma das figuras mais imponentes e fundamentais dessa narrativa: é lá que acontece toda a história de Alzira e Augusto e é lá que conhecemos o desenvolvimento da viagem de Clarissa e Sergio. Existe dentro da casa um eterno clima de nostalgia, aliado a uma presença constante, que o leitor vai sentir junto aos dois pombinhos no decorrer da visita ao local.

Independente de não ser o foco, não posso deixar de mencionar aqui o fator histórico que também entra em jogo ao longo do conto. O enredo envolvendo Alzira e Augusto passou-se em outra época, diferente da atualidade, na qual se desenrola o conto em questão. Por conta disso, a narrativa dos dois é marcado por costumes sociais daquele período: o grande problema do casamento dos dois era o fato de que Alzira não poderia ter filhos e foi exatamente isso que levou Augusto a se relacionar com a empregada da casa, cujo ventre gerou, enfim, o herdeiro que ele tanto queria. A partir daí, vários paralelos se desenvolvem: a convivência dos três dentro da mesma casa, a submissão de Alzira ao marido e sua aceitação da traição, a vida da criança e as tragédias que se seguem a esse cenário. De alguma forma, esse aspecto histórico se torna extremamente relevante se pensarmos na consistência e na riqueza do enredo em si. É esse pezinho na história que traz complexidade à trama aqui contada.

Por último, mas não menos importante, eu não posso encerrar essas impressões sem falar do final desse conto, que me deixou completamente sem fôlego. Apesar de eu já prever que algo fosse acontecer (porque, afinal, é um conto de suspense) e conseguir elaborar alguns desfechos possíveis na minha cabeça, nada poderia me preparar para a angústia que o autor conseguiu transmitir ao longo das últimas páginas do conto. Tudo aconteceu rápido, de forma precisa e sem enrolação; os fatos são apresentados, as cartas são jogadas e todas as pontas soltas se encaixam de alguma maneira.

Antes que eu dê algum spoiler que possa estragar a leitura de vocês, termino por aqui minhas considerações, mas não sem antes destacar mais uma vez o quanto eu curti a experiência de leitura. Foi a primeira vez que eu li algo do autor e com certeza não será a única! Se você ficou curioso e também quer conhecer a história de Ecos Bastardos, esse é o link da Amazon para vocês baixarem o conto. Mas não esqueçam de vir me contar suas impressões e dizer se ficaram tão pasmos quanto eu ao final da leitura. Até a próxima postagem, viajantes!