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[RESENHA] Entre Quatro Paredes - B. A. Paris

09 agosto 2018


Olá, viajantes!
A resenha de hoje traz para vocês um livro que há algum tempo andava parado aqui na estante, mas que eu sentia muita curiosidade em ler. E posso dizer que a experiência de leitura superou as minhas expectativas, de forma quase dolorosa. Vocês vão entender porque ao longo das minhas impressões. Agora, sem mais delongas, vamos falar de Entre Quatro Paredes, de B. A. Paris!

Entre Quatro Paredes
TÍTULO: Entre Quatro Paredes
AUTOR: B. A. Paris
EDITORA: Record
NÚMERO DE PÁGINAS: 266 páginas
SINOPSE: Grace é a esposa perfeita. Ela abriu mão do emprego para se dedicar ao marido e à casa. Agora prepara jantares maravilhosos, cuida do jardim, costura e pinta quadros fantásticos. Grace mal tem tempo de sentir falta de sua antiga vida. Ela é casada com Jack, o marido perfeito. Ele é um advogado especializado em casos de mulheres vítimas de violência e nunca perdeu uma ação no tribunal. Rico, charmoso e bonito, todos se perguntavam por que havia demorado tanto a se casar. Os dois formam um casal perfeito. Eles estão sempre juntos. Grace não comparece a um almoço sem que Jack a acompanhe. Também não tem celular, que ela diz ser uma perda de tempo. E seu e-mail é compartilhado com Jack, afinal, os dois não guardam segredos um do outro. Parece ser o casamento perfeito. Mas por que Grace não abre a porta quando a campainha toca e não atende o telefone de casa? E por que há grades na janela do seu quarto? Às vezes o casamento perfeito é a mentira perfeita.


     

*ATENÇÃO: A RESENHA PODE CONTER SPOILER DO LIVRO

Grace é uma garota como qualquer outra, com várias responsabilidades, no entanto. Sua irmã Millie tem síndrome de Down e ela sabe que, assim que seus pais resolverem aposentarem-se de vez e sua irmãzinha sair do colégio interno onde vive, a tarefa de cuidar da pequena ficará em suas mãos, o que não é nenhum sacrifício, já que as duas se amam e se dão muito bem. Porém, com todo seu tempo dedicado ao emprego que lhe exigia viagens frequentes por diversas partes do mundo, Grace preocupava-se em não poder dar a Millie todo o amor e atenção que merecia e por isso se jogou de cabeça na oportunidade que surgiu em sua vida a partir do momento que conheceu Jack, um advogado de renome, conhecido por ajudar mulheres vítimas de violência por parte de seus maridos.

Jack surgiu como um fôlego novo na vida de Grace e ela se apaixonou perdidamente por ele rapidamente. Por esse motivo, ninguém se surpreendeu quando os pombinhos anunciaram seu casamento. Agora Grace não iria precisar trabalhar, podendo dedicar-se exclusivamente a sua nova casa, à Millie e ao marido que ela tanto amava. Além disso, ao fazer 18 anos sua irmã teria um lar e uma família esperando por ela, uma vez que Jack generosamente ia trazê-la para morar com os dois. Um futuro que parecia infinitamente promissor e feliz transformou-se, entretanto, em algo negro e obscuro, a partir de uma revelação que Grace jamais poderia imaginar ou supor. O que você faria de descobrisse que o homem pelo qual se apaixonou e com o qual sonhou construir uma vida não é nada daquilo que você havia imaginado?

Entre Quatro Paredes foi indicação de uma amiga num clube de leituras do qual participei algum tempo atrás e, pela sinopse, eu me interessei pelo livro. Comprei meu exemplar mas infelizmente ele foi parar na enorme pilhas de títulos para ler assim que a oportunidade surgisse. Quando eu enfim comecei a leitura, não imaginava a quantidade imensa de emoções que ele faria surgir e isso me pegou desprevenida, mas não foi algo ruim, no sentido prático da palavra: pelo contrário, eu me vi totalmente envolvida com a história de Grace e Jack, torcendo para um final feliz que dificilmente viria.

A narrativa é organizada de forma a alternar capítulos entre passado e presente e o foco narrativo aqui é totalmente voltado para Grace, sendo, portanto, em primeira pessoa. Acredito que essa escolha não poderia ser mais acertada no caso específico desse título. O leitor acompanha todas as cenas através da visão da protagonista, e por isso consegue acompanhar de um jeito quase íntimo todos os sentimentos, as emoções e as sensações que vão surgindo com o desenrolar da trama. Essa visão tão detalhista da própria história faz de Grace uma narradora exemplar e dá ao leitor a possibilidade de entender e, mais do que isso, sentir, exatamente o que a personagem passa durante cada situação e, na minha opinião, é essa perspectiva em primeira pessoa que dá o tom definitivo de intensidade e dramaticidade que o livro carrega.

O livro inicia com a cena de um jantar entre o casal protagonista e seus amigos mais próximos. Ali somo apresentados ao relacionamento perfeito de Jack e Grace e conhecemos o início de sua história. A sensação de desconforto, que vai se estender ao longo de toda a narrativa, começa já nesta parte inicial da trama, na qual o leitor consegue perceber pistas (pequenas, mas contundentes) de que talvez a relação entre Jack e Grace não seja assim tão consistente e irrepreensível como eles querem fazer parecer. Espero não dar um spoiler gigante, mas não há maneira de continuar essa resenha sem mencionar esse detalhe tão importante na história: esse é um livro que trata de abuso. E não, eu não estou falando de todos os casos que Jack bravamente defende como advogado, das mulheres que salva ou dos covardes que manda para a cadeia. Estou falando, sim, da relação entre ele e sua tão amada esposa.

Acho que aqui vale destacar, caso você, caro viajante, ainda não tenha se dado conta disso, que a violência não se dá apenas em um nível físico. Muito além das dores que qualquer machucado pode causar, um dos piores lados de relacionamentos abusivos se mostra psicológico, a partir de palavras, ameaças e restrições que afetam diretamente a vida do parceiro. É exatamente esse abuso psicológico que tanto incomoda ao longo deste livro em específico, e mais do incomoda inquieta: é como se o leitor pudesse entrar na história e sentisse todos os medos, angústias e aflições de Grace a partir do momento que seu marido se revela um perfeito psicopata. E, diferente do que muitos de vocês podem estar imaginando, isso não acontece logo de cara, apesar de ser rápida a percepção para quem está de fora da situação. Pequenas atitudes, caprichos que não fazem sentido (como Grace deixar de lado seu emprego), um controle que parece possessivo, são essas as pistas principais que Jack deixa em seus discursos, em seus gestos, em qualquer coisa que faça relacionada à Grace. E uma das piores consequências dessa dominação exercida por ele, na minha opinião, é o fato de fazê-la pensar que todo esse cerco, essa bolha que ele criou em volta da esposa, vai fazer bem a ela de alguma forma.

É no mínimo triste ver a mudança que ocorre em Grace, interna e externamente, a partir do momento que Jack entra em sua vida. De uma mulher decidida, segura de si e bem-sucedida profissional e pessoalmente, a nossa protagonista se transforma em um ser apático, submisso e obediente, incapaz de pensar ou agir por conta própria. Grace se anula completamente dentro desse relacionamento, no início por amor, mais tarde por medo. Medo não apenas por si mesma, mas pela irmãzinha, que viria a ser mais uma vítima nas mãos de Jack. Revolta, choca e faz doer toda a situação com a qual Grace se vê envolvida. Jack, que no início mostrou-se o parceiro ideal, torna-se frio, cruel e sádico ao longo da narrativa, e também é doloroso acompanhar esse desenvolvimento.

Em várias passagens do livro me senti acuada, indefesa e frágil, junto com Grace. Em vários momentos consegui me envolver tanto com a narração de Grace, me sentir tão tocada por ela, que as lágrimas vieram quase naturalmente. Em vários trechos do livro precisei parar a leitura, controlar a respiração e pensar duas vezes antes de voltar às páginas, sempre nutrindo a esperança vã (que é também o que move Grace) de que tudo ficará bem no fim. É difícil, para não dizer impossível, não entrar dentro da trama, não se comover com a situação da protagonista, não ser empático e sensível à dor quase palpável que a destruição de todos os sonhos que Grace tanto acalentou causa dentro dela mesma. Talvez sejam esses mesmos sonhos que dão forças a ela para aguentar o que lhe é infligido, talvez seja o amor que nutre por sua irmã, talvez seja a última chama ainda acesa de que tudo aquilo não passe de um pesadelo. Na verdade, não importa. O que importa aqui é que, com uma narrativa delicada e ao mesmo tempo forte, somos levados a sentir o soco no estômago que é Entre Quatro Paredes. A autora consegue transmitir, através de sua narradora, uma situação tão real, tão concreta, que amedronta, afugenta e faz sofrer, ao mesmo tempo em que chama o leitor à realidade, coloca sobre ele a responsabilidade de não apenas acompanhar essa história, mas também pensar em qualquer atitude que possa ser tomada para remediar (se é que isso é possível) a dor e a tristeza causadas por esses abusos.

Eu entendo, também, que talvez exista em Jack algum tipo de anomalia que o torna tão cruel e o leva a tomar determinadas atitudes. Em diversas passagens da narrativa o protagonista menciona uma necessidade funesta pela violência, por se alimentar, de alguma maneira, da dor do outro. Quem sabe essa seja a verdadeira face desses abusos, o verdadeiro fator que o leva a cometer tantas atrocidades. Porém, em outras diversas passagens o leitor acompanha o sofrimento que essa situação causa em Grace, e a satisfação tremenda e incontestável que essa dor provoca em Jack. É difícil, para não dizer impossível, ficar alheio e se manter racional frente a todas as provações pelas quais a personagem principal passa. É difícil não torcer por ela, e odiar Jack, de forma avassaladora e irreversível. É difícil não querer estender a mão, abraçá-la e arrastá-la da casa que ela um dia sonhou chamar de lar. E é esse o sentimento que nos acompanha até o final da narrativa, junto a tantas outras emoções incômodas, dolorosas e fortes, que nos tiram da zona de conforto e nos desmascaram uma realidade nada bonita, mas extremamente verídica.

Mas essa resenha não é apenas feita de dor e sofrimento. Em meio a esse turbilhão de emoções, também encontramos um alívio, um sopro de brisa fresca e doce, que se chama Millie. A irmãzinha de Grace é sem dúvidas uma das melhores personagens que eu já pude conhecer nessa longa vida literária. Apesar de ninguém além de Grace acreditar realmente na capacidade da menina, sua inteligência e perspicácia vão além dos limites impostos a ela pela opinião alheia. Divertida, alegre e sempre grata aos pequenos presentes que a vida lhe reserva, Millie é um exemplo para todos nós. O amor e a admiração que ela nutre por Grace são tão fortes que ela quer protegê-la de todo e qualquer sofrimento. É impressionante a forma como a garotinha realmente sente quando algo está errado, quando Grace não se mostra bem e feliz. E é mais impressionante ainda a disposição que Millie demonstra para mudar essa situação e reverter o que tanto incomoda sua irmã. Meiga, esperta e encantadora, essas são as reais características que tornam impossível não se apaixonar pela garota.

O final da narrativa foi um dos pontos menos positivos para mim no livro. Apesar de eu respirar aliviada com ele, na minha opinião ele aconteceu de forma muito rápida, sem o aprofundamento necessário. Gostei da forma como a narrativa foi construída, de modo a entregar aos poucos para o leitor os elementos desse desfecho, e realmente não existiram pontas soltas. Minha ressalva está mais ligada ao fato de ele parecer muito corrido, como se a autora estivesse com pressa para fechar a narrativa. Independente disso, Entre Quatro Paredes não é apenas uma ótima recomendação, mas também um livro necessário, em qualquer época ou lugar. A obra criada por B. A. Paris nos faz refletir não apenas sobre um tema que bate a nossa porta em vários momentos ao longo da vida, mas também sobre nós mesmos e nossas atitudes (ou a falta delas) frente a situações como essa. Talvez por isso seja tão duro e doloroso terminar essa narrativa, ao mesmo tempo em que é preciso terminá-la. Mais do que isso: é preciso compreender que ela não se encerra na última página lida. Há muitas Graces esperando ajuda por aí, muitos Jacks espalhando terror e medo, e nós, como seres humanos, temos o dever de ficar atentos a esse tipo de situação e fazer o que for possível para ajudar.

E vocês, já leram o livro? O que acharam? Me contem nos comentários, combinado? E perdoem a resenha gigante de alguém que realmente se sentiu extremamente tocada por esse livro (rs). Até a próxima postagem!

[RESENHA] Aos Olhos de Zoe - Camila Pelegrini

03 janeiro 2017

Hey, pessoas!

A postagem de hoje é especial e conta com uma convidada de honra: a cachorrinha Zoe, que vocês vão conhecer melhor no livro Aos Olhos de Zoe, da autora nacional Camila Pelegrini, estrela da nossa resenha!

Aos Olhos de Zoe

TÍTULO: Aos Olhos de Zoe
AUTOR: Camila Pelegrini
EDITORA: Coerência
NÚMERO DE PÁGINAS: 392 páginas
SINOPSE: O que você acha que seu cachorro diria sobre a sua vida? Como ele contaria sua história? Bem, a sua eu não sei, mas a de Melissa, Zoe revelou perfeitamente. Após ser resgatada da rua, a cachorrinha mais sábia de todos os tempos acompanha a trajetória de sua nova família, relatando a história do fim de um amor e do começo de outro, apontando suas dúvidas sobre os erros humanos e fazendo das menores coisas do dia a dia a sua felicidade infinita.  É mais do que um romance. É um ensaio sobre a amizade, a fidelidade e o amor em sua forma mais pura. É Zoe salvando aqueles que um dia a resgataram. Seja bem vindo à história de uma vida retratada "Aos olhos de Zoe".

     

Zoe é uma linda cachorrinha recolhida por Melissa numa noite de Ano Novo das ruas da cidade. A partir deste momento, o laço de amor e afeto entre as duas só aumenta. Zoe conhece Mel, e sabe o que ela sente e não diz, e o que diz e não sente. Juntas, enfrentam turbulências rotineiras e viradas inquietantes no rumo de suas vidas, que acabam por abalar as estruturas da família que haviam construído. Mas Zoe ensinou uma lição muito importante à Melissa: depois de uma dor muito grande, a calmaria sempre vai ser maior.

Aos Olhos de Zoe é um livro que me conquistou por tratar de um dos assuntos que eu mais amo nesse mundo: cães. O livro, quase que por completo, é narrado pela cachorrinha Zoe e isso torna tudo mais mágico e delicado. A linguagem utilizada pela autora é de fácil compreensão e a Camila teve o cuidado de relatar exatamente todos os detalhes da perspectiva canina, então as sensações, os sentimentos, a visão e as consequências de todos os fatos tiram o leitor da zona de conforto e o obrigam a pensar como Zoe, o que acaba sendo lindo e emocionante.

Zoe é uma das personagens mais carismáticas que eu já conheci. Ela é uma cachorrinha no sentido estrito da palavra: balança o rabo quando está alegre, não perde um passeio por nada, ama profundamente seus donos, apronta (e muito!) nas horas mais inconvenientes e nos faz rir alto e chorar baixinho. Conforme o livro vai avançando, nos envolvemos ainda mais do que inicialmente no relato da cachorrinha, nossa estrela principal, e é ele quem nos conduz pela vida de Mel e por todos os altos e baixos pelos quais ela passa. No decorrer da narrativa, salta aos olhos a principal característica de Zoe: a sabedoria. A cachorrinha nos dá uma verdadeira aula de como encarar a vida, como colorir nossos dias e ser feliz do jeitinho que a vida se apresenta a nós. E são exatamente essas passagens que mais emocionam, além de fazer refletir e repensar conceitos que pareciam inalteráveis em nossas mentes. Zoe penetra nossos corações!

Melissa é uma apaixonada por cachorros (animais no geral, na verdade) e já de início me identifiquei com essa característica. Mas a garota não é apenas isso: ela também é uma pintora talentosa e cheia de vida, que traz alegria e leveza a todos que com ela convivem. Melissa também é batalhadora, decidida e segura de seus pontos fortes e fracos, o que a torna uma lutadora de primeira linha: quando a menina coloca um objetivo na cabeça, ela vai conseguir vê-lo concretizado. No decorrer do livro, acabei me identificando ainda mais com a personagem, ao perceber que ela era extremamente crível e real: com o passar dos episódios e desventuras na vida da Mel, não só ficamos nos sentindo íntimos da protagonista, mas também percebemos que ela é cheia de inseguranças, medos e fragilidades, como qualquer um de nós. E esse fato só nos faz torcer ainda mais por ela. As cenas protagonizadas por ela e por Zoe, com todo o amor e carinho que uma demonstra pela outra, são para mim o ponto alto do livro!

Alegra é uma garotinha que surge por acaso na vida das protagonistas e acaba roubando não só o coração delas, mas também o do leitor, e conquistando seu espaço definitivo dentro da trama. Cheia de vida, esperta, com sacadas geniais e com aquela doçura tão característica das crianças, Alegra é o retrato de um anjo em formato de gente. A garotinha ilumina o ambiente em que está, e seus sorrisos espontâneos nos fazem suspirar, ao mesmo tempo em que suas frases e atitudes inteligentes e maduras demais pra sua idade nos levam a refletir sobre o mundo e sobre os laços que mantemos.

Gabriel é um raio de sol na vida da Melissa e da Zoe. O pai de Alegra perdeu a esposa muito cedo, mas nem por isso deixou de irradiar energia positiva por onde passa. Assim como sua menininha, ele apareceu por acaso na vida da Mel, mas não foi por acaso que ele permaneceu. Com seu jeito educado, compreensivo, atencioso e meigo, Gabriel conquistou a confiança e o coração de Mel, que a essas alturas andava tão assustado. Além disso, o bom-humor e a alegria que ele emanava (além, é claro, do fato de fazer carinhos frequentes na cabeça da cachorrinha) acabaram por conquistar também a Zoe, e a família enfim completou-se.

O enredo do livro em si é bastante simples, e a história narra eventos da vida de uma mulher normal (a Melissa), que nada tem de extraordinário (além da sua linda personalidade). Tudo isso é incrementado, no entanto, pela visão da Zoe desses acontecimentos, e por todos os seus comentários fantásticos e poéticos durante a narração. Mas o que mais me emocionou no livro foi a relação de amor entre a Mel e a Zoe, simplesmente porque ela é a representação mais fiel do bem que o animalzinho pode nos fazer, da felicidade que a presença deles nos traz. Cada cena, cada passeio, cada episódio, cada acontecimento, tudo isso é enriquecido pela constância e leveza da Zoe, e muito por causa dela que a Mel consegue superar as dificuldades que aparecem e renascer para a vida. É lindo e emocionante ver a forma como a vida da Melissa é transformada pela Zoe, assim como os dias da Zoe são transmutados pela essência da Melissa.

Eu não posso terminar essa resenha antes de destacar um ponto fundamental no livro, e indispensável também na nossa realidade: a adoção. A Camila, com toda a sua magnífica sensibilidade, de alguma forma linda conseguiu inserir esse tema dentro da história, fazendo com que tudo o que aconteceu posteriormente fosse decorrente de uma ação generosa da Melissa. E eu preciso dizer com todas as letras o quanto isso me comove, porque eu mesma já passei pela experiência de encontrar um desses anjos desamparado na rua, correr com ele pra casa e dar toda a atenção e amor que eu consegui. Em troca, ganhei muitos rasgos no sofá, muitas roupas com pelos, muitas madrugadas acordada, mas também recebi amor e afeto que não cabem num coração só, lealdade indiscutível, os lambeijos que embelezam meu dia, as abanadas de rabo que enfeitam qualquer chegada em casa e um companheiro pra vida toda, que eu não trocaria por nada nesse mundo.

A diagramação do livro, assim como a história em si, é a mais simples e delicada possível. Temos algumas ilustrações, em cada abertura de capítulo, e eles são contabilizados por datas. Não encontrei erros de revisão, e mesmo que os tivesse encontrado, a riqueza e beleza da história teria suplantado qualquer um deles. A capa me deixa de queixo caído até agora, não consigo parar de admirá-la, seus detalhes, suas cores, tudo combina perfeitamente com cada palavra das páginas.

Ao final dessa resenha, já chorosa, tenho a impressão de que jamais conseguiria transportar para estas poucas palavras todo o turbilhão de sentimentos que Aos Olhos de Zoe foi pra mim. Em muitos momentos, parando para secar as lágrimas que escorriam aos montes, eu pude perceber que estava completamente encantada por aquela cachorrinha, por sua forma de ver e de lidar com a vida e com suas surpresas, com a maneira linda que ela encontrava de driblar os problemas e tristezas e transformar tudo com uma simples lambida ou balançada de rabo em algo mais positivo e bonito. Eu agradeço imensamente à Camila pelo presente de poder conhecer a Zoe e aprender um pouco mais com ela sobre o mundo e todas as coisas que nos rodeiam, de conhecer a Mel e aprender que nós sempre podemos e merecemos ter mais e ir mais longe do que sonhamos, de conhecer Alegra e Gabriel e entender o quanto valem os sorrisos, os laços e os abraços que firmamos durante a vida. A você, disposto a abrir o coração pra uma cachorrinha bagunceira, não pense duas vezes antes de iniciar a leitura. Eu aposto que os sorrisos vão ser constantes, as lágrimas felizes e seu coração muito mais preenchido.

Ali em cima eu disse que também já havia passado por uma experiência de adoção e, como boa mãe coruja, não poderia deixar passar a oportunidade de mostrar a Zoe da minha vida pra todos vocês. No caso, a Zoe chegou nos meus dias como Visconde, um cãozinho que eu encontrei na rua, e que acaba fazendo de todos os meus instantes únicos!

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e cachorro

Minha rotina com ele é bem resumida por essa foto, podem ter certeza! E vocês, também tem anjos que latem em suas vidas? Me contem tudo nos comentários! Até a próxima postagem! Beijos! 😚😚

[RESENHA] Versos Sombrios - Bianca Carvalho

03 março 2016

Hey, pessoas!

A resenha de hoje é de um thriller nacional de tirar o fôlego! Conheçam minhas impressões sobre Versos Sombrios, segundo volume da Trilogia das Cartas, de Bianca Carvalho, cortesia da nossa querida editora parceira EraEclipse!

Versos Sombrios
TÍTULO: Versos Sombrios (Trilogia das Cartas #2)
AUTOR: Bianca Carvalho
EDITORA: EraEclipse
NÚMERO DE PÁGINAS: 290 páginas
SINOPSE: A segunda carta de Lolla Dewitt é revelada, com seu último desejo para Cailey DeWitt. Cailey tem o dom das palavras. Quando escreve, ela consegue transmitir sentimentos, se conectar com a história de qualquer pessoa e até curar corações partidos. Porém, seu dom pode se tornar um pouco mais obscuro que isso. Lolla pede que ela envie uma de suas belas poesias a Jayce Hernandez, um detetive amargurado que perdeu a mulher amada e se afundou em escuridão. Por mais que Cailey não o visse com bons olhos, atendeu ao pedido da avó, e sua mensagem trouxe uma nova esperança para o policial. Contudo, Jayce logo tem a oportunidade de retribuir a ajuda de Cailey, que se vê perseguida por um assassino perigoso, capaz de se comunicar telepaticamente com ela através de seus textos. Tentando se salvar de um homem obcecado, Cailey precisa contar com Jayce para proteger-se. Mas o que ela não contava era que os segredos que iria descobrir poderiam mudar sua vida para sempre.


"O bem e o mal conectados por palavras e um destino."

     

A Trilogia das Cartas nos apresenta as irmãs DeWitt, Cailey e Faith, e sua prima Tatianna, cuja avó Lolla tem o poder de prever o futuro das três, o qual coloca em cada uma das cartas que escreve, após a sua morte. Cada livro conta a história de uma das irmãs, dotadas de poderes que podem auxiliar nos desafios que seu destino lhes reserva. Como eu comecei a leitura ao contrário, o último livro da trilogia já foi resenhado aqui no blog, caso queiram conferir basta clicar aqui e será redirecionado para a página.

Neste segundo volume somos apresentados a Cailey DeWitt, moça bastante rebelde e sarcástica, que já passou por muitos episódios horríveis na vida e ainda assim se mete em confusão a todo o instante, deixando suas irmãs preocupadas e sua fama de irresponsável cada vez maior. Seu maior dom é a poesia, na qual ela desconta todas as frustrações, medos e dúvidas. Cailey tem um grande problema de personalidade, e seu temperamento irritadiço surge com força total quando ela lê a carta de sua avó, que a manda escrever uma algo para a ajudar Jayce Hernandéz a mais uma vez acreditar na vida. Jayce é um policial justo e muito corajoso, que vê sua vida decair gradativamente quando perde a mulher que amava para um assassino. Apesar do tempo que passou após a trágica morte, Jayce ainda não recuperou-se, e como este assassino estava indiretamente ligado a Faith, irmã de Cailey, sua surpresa é muita quando ele recebe em sua casa uma poesia escrita pela moça. Essa poesia, no entanto, o faz viver novamente, e aproximar-se cada vez mais de Cailey. Ao mesmo tempo, Cailey passa a receber poemas sombrios, que colocam em conexão com um assassino à solta. E o pior: ele já matou uma vez, e promete repetir o ato. Isso desequilibra ainda mais a cabeça atormentada de Cailey, e, mesmo sem querer, ela acaba encontrando em Jayce um refúgio para seus problemas, além de um aliado forte e apaixonada nessa batalha contra o mal.

Que eu já sou fã da Bianca não é novidade, eu tinha amado a experiência com as leituras de Horas Noturnas e Sabores Mortais (resenhas aqui e aqui) e não esperava que pudesse ficar mais extasiada do que já havia acontecido. E então eu leio Versos Sombrios e fico ainda mais encantada com o talento dessa menina! Nesse livro, a Bianca fala de uma arte que ela domina muito bem: a da escrita. Por conta de ser tão próxima dela, eu senti como se estivesse lendo um pedacinho de sua alma, como se a cada frase sobre escrever que ela colocasse no livro nos desse a oportunidade de conhecer um pouco mais da própria autora. Além disso, eu senti veracidade nesse quesito do livro, visto que a autora tem propriedade para falar do tema.

Com relação ao enredo, ele continua com muita ação e momentos de suspense de tirar o fôlego, tão envolvente quanto nos outros títulos que tive a oportunidade de conhecer da Bianca. Neste livro, uma das coisas que mais saltam aos olhos é a mistura de gêneros que a autora faz durante a narrativa. Temos o gênero policial, sempre presente e que é muito palpável e indispensável a essa trama, e ao mesmo tempo temos o romance, leve e comovente, da forma mais sensível que se poderia colocar ali dentro. O mais interessante é que nenhum desse dois aspectos se sobressai ao outro. Há uma verdadeira fusão entre esses gêneros durante a história, e é impossível discernir o principal ou o foco do livro. Ambos tem sua carga de importância e são fundamentais para a construção do enredo.

Cailey é uma protagonista bastante temperamental. A garota tem um gênio difícil, é rebelde e não mede as consequências de seus atos. Tenta se mostrar forte e destemida perante todos, mas esconde dentro de si uma insegurança genuína de magoar ou decepcionar aqueles que a amam. Sua irmã e prima são o bem mais precioso que ela possui e a garota é capaz de tudo para protegê-las de qualquer perigo ou ameaça. Teimosa e persistente, Cailey sabe o que quer e como chegar aos seus objetivos, mas tem receio de que não seja o suficiente para alcançá-los. Apesar de corajosa e inteligente, a menina também é frágil e sonha encontrar alguém que a cuide e valorize depois de todos os momentos ruins pelos quais já passou. Me identifiquei muito com a Cailey, não só pela sua personalidade, que é bastante parecida com a minha em vários sentidos, mas também com a conexão que ela tem com a escrita. Para ela, escrever é uma forma de liberar seus sentimentos, dúvidas, medos e anseios, e é exatamente assim que eu a vejo também. A escrita é uma das maneiras mais bonitas de colocar a nossa alma no papel, e eu fiquei muito contente em perceber esse conceito dentro da protagonista.

Jayce é um policial justo e muito dedicado, que levou uma rasteira enorme do destino e que agora precisa lutar para se recuperar dela. O que eu mais gostei nele (se é que é possível escolher apenas um aspecto) foi seu senso de proteção para com Cailey. Apesar de ser um homem extremamente sedutor e másculo, Jayce também sabe ser cuidadoso e carinhoso ao tratar Cailey, e isso me comoveu profundamente. Além disso, o cara realmente tem palavra, e sempre procura cumprir seu trabalho da melhor forma possível. Lindo, charmoso e irresistível, Jayce está longe de ligar para o posto de galã que lhe dão. Ele só quer encontrar algo que o faça reviver e ser feliz novamente, e sem nem esperar Cailey aparece em sua vida. A forma como ele agarra e valoriza essa oportunidade é de emocionar qualquer coração gelado!

Ainda dentro da gama dos personagens, é indispensável destacar Faith e Tatianna, que sempre estiveram presente neste enredo. Aliás, uma característica que eu percebo nessa série é que, apesar do foco de cada livro ser uma garota diferente, as outras duas e muitos outros personagens importantes nos enredos anteriores também estão ali dentro, como coadjuvantes ativos e que de alguma forma participam da história. A personalidade do assassino também é um fator elementar nesse enredo. Muito parecido com Cailey em vários aspectos, ele é uma figura que nos causa terror e curiosidade ao mesmo tempo. Ficamos em pânico por conta de seus poemas e atitudes macabras, mas também ficamos interessados em desvendar o rosto por trás das palavras e os motivos para cometer tais atrocidades, e mais ainda: a razão de ser Cailey a peça central nisso tudo.

Algo que eu já percebi na escrita da Bianca a partir dos outros livros e que se repete nesse é a forma de narrar os acontecimentos. Com uma trama complexa e interligada em todos os sentidos possíveis, a autora tem uma fluidez que auxilia na hora de prender o leitor e fazê-lo envolver-se com a história. Os fatos vão sendo mostrados aos poucos, as informações e mistérios são desvendados gradativamente, e tudo vai se encaixando devagar, formando um panorama que nos surpreende, por mais que já pudéssemos desconfiar da solução desse enigma que são os enredos da autora. Tudo é organizado da forma mais clara possível, as doses de mistério, suspense e romance são colocada na medida certa, a linguagem precisa e até um tanto poética da autora faz as páginas passarem sem que percebamos. E ainda dão um gostinho de quero mais ao final da leitura.

A diagramação da editora está perfeita! O padrão de capas segue o mesmo dos outros dois volumes, sempre jogando com as cores neutras e fazendo essa sobreposição delas. As páginas são amareladas, e há uma ilustração no início de cada capítulo, que deixa o livro ainda mais encantador visualmente. A fonte escolhida é mediana e muito agradável à leitura. O título de cada capítulo vem em forma de um verso, formando um poema belíssimo ao final, que traduz muito bem o espírito do livro e a lição que a autora quis deixar refletida nas suas palavras:


Palavras selam destinos incompreendidos
Fazem brotar luz da escuridão
Em silêncio, tecem fios de esperança
No mais incrédulo coração
Mas, eternas, almas selam o pacto
Aventurando-se em mentes cansadas
Dançando melodias amaldiçoadas
Que pressentem a mais pura ilusão
E imperfeitos sentimentos adormecem
Esperando sonhar com uma doce magia
Que faça nascer flores no vazio
Que transforme ódio em poesia
E traga luz ao mais triste caminho
Mas a verdade sempre brilha na aurora
Salvando tudo que está perdido
Revelando segredos, revelando memórias
Curando aos poucos um espírito ferido
E mesmo que sombras impeçam a luta
Tudo, no fim, irá recompensar
Pois será o amor então, a triunfar

Ao final da resenha, eu só posso dizer que Bianca conseguiu se superar e me surpreender mais uma vez! Conhecer a história de Cailey e seu dom foi um verdadeiro presente, e além disso eu ainda pude testemunhar a força que existe em um grande amor, e o poder que eu sabia estar intrínseco nas palavras que passamos ao papel. Recomendo a leitura a todos, sem exceções, e espero que vocês consigam apreender o sentido oculto nessas páginas, e se emocionar e apaixonar tanto quanto eu!

Até a próxima postagem! Beijos! 

[RESENHA PREMIADA] 31: Profissão Solteira - Claudia Aldana

02 fevereiro 2016

Hey, pessoas!

A resenha de hoje é de um livro que me surpreendeu de forma positiva do início ao fim. Conheçam e se divirtam com 31: Profissão Solteira, de Claudia Aldana!

31 Profissão Solteira
TÍTULO: 31: Profissão Solteira
AUTOR: Claudia Aldana
EDITORA: Primavera Editorial
NÚMERO DE PÁGINAS: 295 páginas
SINOPSE: Consuelo Aldunate parece ter tudo o que uma mulher quer: independência financeira, um bom grupo de amigos, um trabalho divertido, um guarda-roupa invejável e um apartamento top. Mas Consuelo quer uma coisa que para muitas mulheres pode soar básico. Um acessório difícil de conseguir, embora pareça estar em toda parte: um homem. Exigente, ela não quer qualquer homem; quer um próprio, privatizado e que possa mostrar a todos. Por isso arregaça as mangas e sai à procura de um namorado por todos os lugares onde possa haver homens interessantes e disponíveis. Nessa busca, entre drinques e encontros insólitos, a anti-heroina vai descobrindo que é difícil deixar de ser solteira. Com humor inteligente, a personagem mostra que por mais que esteja na moda ser single, há momentos em que daria tudo para ter alguém esperando por ela em casa.

     

Claudia Aldana é uma jornalista chilena que fez um sucesso estrondoso com uma coluna que voltava-se para as solteiras. Essa coluna, publicada em um jornal, alcançou um público tão grande que a autora ganhou diversos fãs, que até mesmo correspondiam-se com ela por cartas, e-mails ou qualquer outro meio. É exatamente por conta destes fãs que surgiu esse livro. Ele nada mais é do que uma coletânea que contém todas as crônicas publicadas dentro desta coluna pela autora, ou seja, é uma compilação de todos os textos que ela escreveu para o jornal.

A Primavera Editorial, nossa linda editora parceira, trouxe ao Brasil esse fenômeno literário do Chile, e é claro que eu não poderia perder essa oportunidade de conferir uma obra de sucesso internacional! E eu não poderia concordar mais com os fãs de Aldana: a mulher é mesmo tudo de bom!

Nestas crônicas conhecemos Consuelo Aldunate, uma mulher de 31 anos que aparentemente tem uma vida incrível: um emprego divertido, amigos que estão sempre ao seu lado, sua própria casa, tudo que uma mulher deseja. Porém, no quesito amoroso, Consuelo é um verdadeiro desastre ambulante. Só consegue escolher os homens errados, e se mete em enrascadas a cada encontro, mas é óbvio que, apesar de trágico para ela, nós leitores temos aqui um prato cheio para boas gargalhadas!

Eu simplesmente me encantei com a ideia de uma coluna que se dirigisse às solteiras de plantão, com a qual elas conseguissem se identificar e ao mesmo tempo reconhecer-se ali dentro, naquela personagem. E esse livro, reunindo todos os textos publicados, me pegou de jeito! A autora não só cumpre o que se propõe, mas vai muito além disso: ela consegue fazer todos nós nos enxergarmos na Consuelo, vermos nossas dificuldades, confusões, defeitos, qualidades, encrencas, complicações, tudo isso personificado na personagem que protagoniza essas crônicas. Este foi um ponto central para que eu me envolvesse com o livro ao ponto de não conseguir largá-lo, e querer mais logo após a última linha. Eu ri (muito) com Consuelo, chorei com ela, sofri com ela, ri ainda mais, amei com ela e também odiei com ela, além de querer me esconder pelas situações em que ela se metia em muitas ocasiões.

Consuelo é o retrato da mulher moderna: independente, bem resolvida, ao mesmo tempo em que ela é forte e segura de si mesma, carrega consigo um lado frágil cheio de imperfeições que fazem a sua inseguranças brotar como em qualquer uma de nós, em algum momento das nossas vidas. Ela é extremamente competente no que faz, tem seus amigos como grandes irmãos, possui um enorme coração, e um dedo podre que sempre a coloca em situações embaraçosas. Mas nem por isso Consuelo desiste de encontrar sua alma gêmea, sua metade da laranja, ou perde a postura diante de todas as dificuldades que a vida impõe. É incrível o modo como eu me senti ligada a ela, como me identifiquei e me senti extremamente representada por essa mulher indomável que só quer ser amada e se sentir querida. Consuelo é minha melhor amiga desde o início do livro, e acho que vou lembrar de seus conselhos e confusões para sempre!

A organização do livro foi uma bela sacada da autora, a linha cronológica é impecável, e é quase como se estivéssemos acompanhando uma narrativa contínua ao invés de crônicas semanais. Temos uma introdução, onde conhecemos a protagonista e seu grande problema com o amor, além de seu emprego, sua características e seus grandes amigos. Temos um desenvolvimento, em que acompanhamos toda sua desenvoltura e confusões armadas por conta da sua ineficácia com o sexo oposto. E temos, sim, uma espécie de desfecho, diferente do que estamos acostumados. Essa forma de organização nos faz sentir próximos da protagonista, é como se fôssemos amigos dela, conhecendo sua vida privada desde o início, acompanhando cada passo.

Outra sacada genial da autora dentro do livro é a forma irreverente e quase interativa de dar voz a sua personagem. A linguagem utilizada pela Consuelo, ao mesmo tempo que cabe perfeitamente dentro de um texto escrito, também tem pitadas de oralidade, que acabam deixando-a muito menos formal e mais cotidiana, como se estivéssemos em uma troca de confidências entre amigas, de verdade. Esse detalhe em especial auxilia e influencia diretamente na apreensão do público, no envolvimento do leitor, fazendo com que ele se sinta quase um personagem dentro da narrativa, pela forma como participa ativamente das situações, conhecendo cada detalhe delas, identificando-se e ao mesmo tempo se divertindo.

Aliás, esse turbilhão de sentimentos é contínuo durante todo o livro. Aldana tem uma forma gostosa de escrita, uma maneira de dizer as coisas que desperta em nós diversas sensações. Ao mesmo tempo em que ela nos diverte, nos faz gargalhar, nos faz sofrer e torcer pela Consuelo, ela também, indiretamente, está nos dando pistas, conselhos, como uma mãe ou uma boa amiga faria. É como se ela própria estivesse ali, ao nosso lado, contando-nos através de Consuelo que a vida real não é justa, mas pode ser muito linda se dermos uma chance.

A diagramação da editora está ótima, nada muito exagerado, priorizando o texto em si, as palavras escritas naquelas páginas. A capa condiz com o que o conteúdo nos apresenta, e eu consigo enxergar o espírito alegre da protagonista nela. Não encontrei erros de revisão e a fonte escolhida auxilia muito na leitura.

Ao final desse resenha posso dizer que fui completamente abduzida ao mundo de Consuelo Aldunate. Ficou difícil pra mim, depois de ler todas essas crônicas, acreditar que ela é apenas uma personagem fictícia. Porque, na minha visão, existem "Consuelos" em cada esquina, esperando com uma novidade, uma nova história, que sempre nos envolverá de alguma maneira. Ela pode ser uma amiga, uma conhecida, uma colega de trabalho ou faculdade, até mesmo uma prima distante, mas sempre terá no espírito essa persistência, e sempre nos fará reacreditar quantas vezes for preciso que o verdadeiro amor pode chegar a qualquer momento, mesmo depois de todas experiências constrangedoras e embaraçosas pelas quais passamos, e que são necessárias para que reconheçamos o nosso cara certo quando ele chegar.

E depois de todo esse discurso cheio de clichês fofos e românticos, é claro que eu não poderia deixar vocês de fora desse universo maravilhoso da Consuelo, afinal, vocês são meus viajantes preferidos! Por isso, em parceria com a Primavera Editorial, vocês terão a chance de levar para casa um exemplar de 31: Profissão Solteira, e ter uma Consuelo só para vocês! Não é demais? Para não perder a chance, se liguem nas regrinhas!


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Boa sorte a todos! Até a próxima postagem!

Beijos!

[RESENHA] O Lago Negro - Juliana Daglio

28 janeiro 2016

Hey, pessoas!

Como todos vocês já sabem, a autora Juliana Daglio, paceira aqui do blog, tem trazido inúmeras novidades para este nosso mundo literário. Enquanto esperamos ansiosamente o segundo volume de Uma Canção Para Libélula (confiram a resenha do primeiro livro aqui), vamos acompanhar a saga de Verônica em O Lago Negro, publicado recentemente pela editora Arwen!

O Lago Negro
TÍTULO: O Lago Negro
AUTORA: Juliana Daglio
EDITORA: Arwen
NÚMERO DE PÁGINAS: 368 páginas
SINOPSE: Verônica é uma garota problemática marcada por um passado traumático do qual mal se lembra, mas que lhe tirou o direito à total sanidade. Ao se mudar para o interior, depois de passar no vestibular, ela se depara com o local perfeito para se inspirar e, finalmente, transformar seus personagens imaginários em um livro. Lagoana é uma cidade nebulosa, úmida, habitada por almas quietas e pouco amigáveis. Porém, o clima obscuro não despertará somente a criatividade, mas também acordará seus fantasmas mais profundos. Prestes a perder o controle sobre sua trama e sua mente, Verônica conhece um estrangeiro de sorriso cafajeste e olhos azuis e, desconfiada de suas intenções, ela guarda segredo quanto ao seu livro, mas não sabe que Liam também tem os seus. Verônica nem desconfia, mas eles podem ser a chave para os mistérios que a rondaram durante toda sua vida. Assim, o lago negro de sua imaginação será, definitivamente, o estopim para toda sua loucura emergir. O que será que ele esconde no fundo de suas águas escuras?


A Loucura chama.

     

É lógico que não poderia ser surpresa para ninguém eu amar um livro da Juzinha, mas este realmente me tirou o fôlego! Vou tentar colocar aqui nesta resenha todas as sensações maravilhosas que O Lago Negro me causou, mas já adianto que não vai ser fácil e muito menos rápido, então sentem-se e preparem-se!


Neste primeiro volume de uma série de três outros livros, somos apresentados a Verônica Cattani, uma garota traumatizada por um passado do qual não possui nenhuma lembrança profunda, convivendo com a insanidade que se faz desde cedo sua fiel companheira. Por conta de toda essa confusão, Verônica é uma jovem bastante fechada em si mesma, que só consegue se abrir com Enzo, seu melhor amigo e namorado, com o qual ela vai viver uma experiência nova e revigorante em Lagoana, cidade pequena e sombria que seria a ambientação ideal para o enredo de um livro que a nossa protagonista tinha em mente desde sempre. Isso em tese, é claro. Em Lagoana, Verônica conhecer muitas pessoas e lugares, entre eles o casal Caprini, donos da maior indústria de água mineral do lugar, e sua casa macabra. É a partir de então que a vida de Verônica muda completamente, e toma um rumo inesperado até mesmo para a mente fantasiosa e turbulenta da garota. Na história, entra um estranho lago negro, com o qual Verônica se sente intimamente ligada, além de um completo estranho que consegue balançar as estruturas da jovem. Quais serão os segredos que Verônica terá de desvendar agora? E por que ela sente que aquele lago faz parte de si mesma?

Quero começar esta resenha deixando clara o quanto eu fico cada vez mais pasma com a criatividade da Ju, e com o talento que ela tem não só para a escrita, o que é bem óbvio, mas para surpreender seus leitores. O enredo criado pela autora neste livro ultrapassa qualquer barreira da sanidade que se possa imaginar, e eu não estou dizendo isso apenas pela protagonista e as experiências que ela enfrenta. Conforme avançamos na narrativa, nos vemos tão tragados para aquele mundo que é impossível sair imune dessa leitura. Ela é uma daquelas que marcam você, e que ficam dentro de nós por muito mais tempo do que a última página delimita.


Verônica é uma personagem bastante complicada. Mas, por incrível que pareça, me identifiquei e consegui compreendê-la desde o início da leitura. Por conta de tudo que já aconteceu na vida da jovem, inclusive a perda do pai, com o qual ela se sentia bastante ligada, e sua passagem pela clínica psiquiátrica, sua vida é um emaranhado confuso e nebuloso com o qual nem ela mesma sabe lidar muitas vezes. A força que ela encontra para seguir enfrente vem em parte de Enzo, seu namorado, e em parte por conta de seu sonho de seguir a carreira de seu pai como escritora. É por conta dessa esperança que ela muda-se para Lagoana, mas na verdade o que ela estava buscando não era apenas a realização de um sonho, mas sim a expectativa sempre presente de sentir-se normal outra vez, e não insana ou perigosa para si mesma como as pessoas a veem. Eu me envolvi com a protagonista logo de cara, criei empatia, sofri e torci por ela, me senti ligada a ela de uma forma que há algum tempo não acontecia. Mas isso não me surpreende: as personagens da autora geralmente conseguem despertar algo em mim, algo que eu não sei explicar, mas que me faz senti-las reais e estranhamente próximas.

Enzo foi um dos personagens que mais conseguiu me deixar boquiaberta nos últimos tempos, de um jeito bastante ruim. No início ele era compreensivo, protetor, cuidados e um ótimo ouvinte, exatamente o que Verônica precisava para se sentir segura. Depois de um tempo, porém, era como se ele tivesse cansado de aguentar tudo isso sozinho, do 'fardo' que tinha de carregar, e então ele mudou inteira e profundamente, e eu só tenho uma palavra para descrever a pessoa na qual ele se tornou: babaca, um perfeito canalha. Muitas vezes, em várias situações, eu me vi furiosa, xingando ele ao extremo, completamente frustrada pela sua cara de pau. Sinto muito, Ju, mas o Enzo me causou enjoos!



Liam, pelo contrário, foi amor à primeira vista! Um garoto enigmático, que surge do nada e toma conta da situação (e de Verônica) de um jeito forte e seguro. Inteligente, perspicaz e extremamente charmoso, Liam mexe não só com a cabeça de Verônica, mas também com as de todas as leitoras, inclusive com a minha. É fácil se apaixonar pelo Liam, porque ele faz todo o trabalho difícil da conquista sozinho e sem nem perceber. Ele é o cara dos sonhos de qualquer garota, e é incrível ver o modo como ele cuida da Verônica e de toda a situação pela qual ela precisa passar.

O casal Caprini, Vicente e Katarina, é bastante misterioso. Eles e toda a família e história que os envolvem. Sua filha e o modo como eles acolhem Verônica entre eles, as necessidades que possuem e os segredos que escondem, tudo isso são como ímã para leitores curiosos e cheios de vontade investigativa, como eu, por exemplo. No decorrer da história conhecemos mais deles e de seu passado, e eu realmente não consegui enxergá-los como vilões em momento nenhum. É indispensável dizer que eles influenciam diretamente no rumo que a narrativa toma, mas eles não estão do lado negro da força. Posso dizer que eu os achei extremamente interessantes, no mínimo!



O enredo criado pela autora é complexo, e acompanhá-lo não é uma tarefa fácil. Exige atenção, controle e perspicácia, tudo aquilo que os nossos queridos personagens têm de sobra. Mas, sinceramente, não poderia ser mais gostoso se enredar pelos mistérios e segredos que existem dentro da trama. Juliana consegue reunir elementos distintos e fazer com que eles se encaixassem de uma maneira total e completa. Não só personagens diferentes, mas também aspectos de vários gêneros literários, como o thriller, o policial, a dark fantasy e, não menos importante, o romance, que acontece de uma forma leve e doce. Tudo isso para construir uma trama intrincada, do início ao fim, que prende o leitor, e o chama para fazer parte deste enredo.

Algo que eu gostei muito dentro do livro foi a forma como a Juliana conseguiu interagir com o leitor em todos os momentos, além de integrar o livro escrito por Verônica com a vida real que eles enfrentam dentro da trama. Não posso falar muito, mas posso dizer que a cada nova descoberta que eu fazia eu queixo caía mais um pouco, até chegar o ponto em que eu havia desistido de criar alternativas ou hipóteses e me deixei ser levada pela trama tão bem construída pela Juzinha. E foi a decisão mais sábia que eu já tomei! Me diverti, me surpreendi, me rendi aos encantos e à magia do lago negro, à imaginação de Verônica, ao charme de Enzo e aos mistérios dos Caprini.

A intercalação de capítulos do livro escrito por Verônica com o que realmente acontece dentro do enredo principal da história dá ao leitor a chance de montar esse enorme quebra-cabeças ou de pelo menos tentar encontrar algum caminho no meio de todas as informações inseridas aos poucos pela autora. A importância dos personagens secundários também é algo que impressiona, a forma como todos eles interferem na trama e dão novas direções ao nosso pensamento na medida em que mudam os caminhos da trama.



A diagramação da editora Arwen é praticamente artística, é incrível e não há como não se embasbacar olhando para aquelas páginas. Desde a capa até os detalhes de cada capítulo e todas as ilustrações que acompanham a história embelezam o livro inteiro e deixam a leitura ainda mais incrível. Não encontrei erro de revisão, e a fonte utilizada é agradável e auxilia na hora de ler. Tudo pensado para agradar ao público leitor!

Ao final dessa resenha, posso dizer que eu mal consigo esperar para o próximo volume da série. A história de Verônica me conquistou, me ganhou por inteiro, e me deixou completamente fascinada. O talento de Juliana é impressionante, e o dom que ela tem para a escrita é perceptível a cada palavra lida. O Lago Negro é um livro marcante, indescritível, emocionante e cheio de ação, capaz de se infiltrar nos seus pensamentos e se alojar dentro do seu peito, fazendo você se apaixonar e, principalmente, mergulhar de cabeça nesse lago profundo, cheio de insanidade e segredos que te envolvem a cada vez mais!

Até a próxima postagem! Beijos!

[RESENHA] A Verdade Sobre O Caso Harry Quebert - Joël Dicker

23 outubro 2015

Hey, pessoas!

A resenha de hoje é uma daquelas que eu já devia ter feito há algum tempo, mas mais uma vez precisei de um tempo para organizar meus pensamentos antes de vir aqui e relatar minhas impressões sobre esse título para vocês. Qual o livro responsável por toda essa surpresa? A Verdade Sobre O Caso Harry Quebert, de Joël Dicker!

A verdade sobre o caso Harry Quebert

TÍTULO: A Verdade Sobre O Caso Harry Querbet
AUTOR: Joël Dicker
EDITORA: Intrínseca
NÚMERO DE PÁGINAS: 576 páginas
SINOPSE: Aos vinte e oito anos Marcus Goldman viu sua vida se transformar radicalmente. Seu primeiro livro tornou-se um best-seller, ele virou uma celebridade e assinou um contrato milionário para um novo romance. E então foi acometido pela doença dos escritores. A poucos meses do prazo para a entrega do novo original, pressionado por seu editora e por seu agente, Marcus não consegue escrever nem uma linha. Na tentativa de superar seu bloqueio criativo, Marcus decide passar uns dias com seu mentor, Harry Quebert, um dos escritores mais respeitados do país. É então que tudo muda. O corpo de uma jovem de quinze anos - desaparecida sem deixar rastros em 1975 - é encontrado enterrado no jardim de Harry, junto com o original do romance que o consagrou. Harry admite ter tido um caso com a garota e ter escrito o livro para ela, mas alega inocência no caso do assassinato. Com o intuito de ajudar Harry, Marcus começa uma investigação por contra própria. Uma teia de segredos emerge, mas a verdade só virá à tona depois de uma longa e complexa jornada. Um extraordinário livro de suspense, uma história de amor e um thriller excepcional, A Verdade Sobre O Caso Harry Quebert escapa a todas as tentativas de descrição. Nada do que você leu antes poderia prepará-lo para este livro.

     

Eu tenho que confessar que possuo uma relação de amor com os suspenses policiais publicados pela Intrínseca. Nenhum deles, até então, me decepcionou. Foi essas estatísticas que eu comecei a ler A Verdade Sobre O Caso Harry Quebert, mas eu jamais poderia estar preparada para o que encontraria ali. Joël Dicker não apenas escreveu um suspense de tirar o fôlego, ele revolucionou a literatura policial em um livro só! E não, eu não estou exagerando.

Neste livro somos apresentados a Marcus Goldman, um escritor em ascensão, que após vender milhares de exemplares de seu novo romance, cai em uma profunda crise: o bloqueio criativo simplesmente o impede de escrever uma linha sequer. Temendo ser processado por descumprir o prazo que acabou de assinar com uma das editoras mais importantes de sua cidade. É na tentativa de superar essa "doença" que o acometeu, Marcus vai para a casa de seu mentor, Harry Quebert, um dos escritores best-sellers mais famosos da época, para inspirar-se e conseguir entregar o original na data certa. O que ele não imagina é a reviravolta que o destino irá lhe preparar: além da descoberta recém feita sobre a vida amorosa de Quebert, Marcus ainda precisará lidar com o aparecimento do corpo de Nola Kellergan, uma garota até então desaparecida de 15 anos, enterrado no jardim da casa de seu mentor, junto a um original do livro que o consagrou como um grande e respeitado nome literário. Agora, Marcus precisará provar há todos que, independente de todas as provas praticamente direcionando para a culpabilidade de Harry, o homem que ele mais admira e que foi sua inspiração para a carreira de escritor é inocente.

Para começar a essa resenha, eu preciso que vocês compreendam o quanto este livro é diferente de todos os que já li: ele é inovador ao extremo. O que Dicker conseguiu fazer com esse enredo é realmente de tirar o chapéu. Ele não apenas colocou a dose exata de suspense dentro do seu livro, mas também soube dosar as explicações, não deixando pontas soltas em nenhum momento. Desde o início da narrativa somos completa e irreversivelmente tragados pelo enredo, envolvidos inteiramente naquela trama, presos por vontade própria a todos aqueles segredos e mistérios que rondam os personagens. Com uma escrita fluida, Dicker nos leva a conclusões, para então desmanchar todas as certezas que achávamos que tínhamos.

Um ponto extremamente forte é a agilidade com que tudo acontece dentro da narrativa. Num momento estamos tentando acompanhar todas as novidades que se desenrolam no enredo, e no seguinte já ficamos alucinados buscando uma explicação lógica para todos esses acontecimentos. A investigação tem seu desfecho racional intrinsecamente ligado ao emocional de Marcus, e isso é o que torna-a tão interessante. Todas as pistas colocadas pelo autor dentro do enredo, é impossível não tentar juntá-las e refazer o percurso do protagonista em busca da inocência de Quebert. O aspecto mais interessante no quesito investigativo é quantidade de elementos novos que o autor insere na trama, a todo momento: sempre que pensamos que o caso está resolvido, e que não existe mais nenhuma possibilidade não analisada, surgem indícios novos, e todas as suspeitas voltam a ser abertas. Isso, longe de ser confuso, é emocionante, é instigante, é impulsionador. Mexe com a nossa cabeça como leitor e coloca à prova toda nossa capacidade de raciocínio, uma das características que eu mais admiro nesse gênero em específico.

Marcus é um protagonista comum, na maioria dos sentidos. Mas sua perseverança e crença cega em Quebert o tornam até mesmo um pouco obsessivo, compenetrado intensamente no seu objetivo principal: inocentar seu mentor de qualquer acusação. Inteligente e perspicaz, o nosso mocinho vai até as últimas consequências para conseguir as informações que precisa. Quebert é um homem admirável, em todas as circunstâncias. Ele apoia Marcus incondicionalmente e acredita nele. Além de todo o sucesso que alcançou com sua escrita, Harry é sábio e indiscutivelmente convincente. É muito interessante acompanhar sua decadência no decorrer da narrativa: desde o momento em que Marcus descobre seu segredo mais profundo até o dia de seu julgamento final, passando pelo instante em que o corpo de Nola é encontrado, Quebert muda não só seu estado de espírito, mas sua capacidade de sentir-se otimista. Ele torna-se um homem abatido, desesperado, angustiado e triste, de uma forma quase irreversível; até mesmo suas relações de amizade com Marcus mudam drasticamente. É impossível não sentir compaixão pelo personagem.

Ainda no quesito personagens, é fundamental entender o jogo psicológico de que o autor se utiliza para construir os seus. Todos eles são extremamente complexos, bem formulados, aparentemente íntegros, mas sempre escondendo segredos nefastos em seu íntimo. Se existe uma frase que defina esse livro de uma maneira explícita é: ninguém é o que parece ser. Particularmente, posso dizer que esse é o detalhe que mais me cativou no livro. Tudo fica implícito no caráter de cada personagem, e cabe ao leitor ler nas entrelinhas e fazer seus próprios julgamentos, que podem desmoronar de uma hora para outra. Esse elemento é o responsável não só pelo maior envolvimento do leitor na narrativa, mas também pela efetiva veracidade do enredo, com personagens cheios de seus próprios demônios, e mais parecidos com nós mesmos do que podemos imaginar.

No início de cada capítulo temos diálogos entre Marcus e Quebert, nos quais o mentor dá dicas (ou regulamentos) para seu aprendiz sobre como chegar a ser um grande escritor. Essas citações são extremamente inspiradoras e cheias de ensinamentos que podemos até mesmo levar para a nossa vida pessoal. Foi uma sacada simplesmente genial do autor! A diversão do livro (sim, também existem momentos de descontração durante essa alucinada corrida pela verdade) são personificados na figura da mãe de Marcus, uma senhora muito protetora, que não consegue enxergar seu filho como um adulto. As conversas, em sua maioria por telefone, entre mãe e filho são hilárias, e em muitos momentos eu me peguei rindo de todas as preocupações exacerbadas da senhora. Com certeza essas passagens são as grandes responsáveis por uma certe leveza característica do livro.

A diagramação da editora está muito bem construída. Não encontrei erros de revisão, as páginas são amareladas e a fonte usada é agradável à leitura. Gosto muito desta capa, particularmente, ela segue a mesma linha de arte do outro título publicado no Brasil do autor, e é sempre bonito ter na estante essas combinações (não é um argumento muito válido, mas eu adoro essas capas parecidas rs).

Para terminar essa resenha, eu só tenho uma coisa a dizer: se ainda não conhecem A Verdade Sobre O Caso Harry Quebert, precisam descobri-la! O livro é um daqueles que marcam para sempre a nossa caminhada como leitores, que ficam em nossa mente por um bom tempo, mesmo depois da última linha. A Verdade Sobre O Caso Harry Quebert é uma obra prima, e precisa ser apreciada como tal! Me contem quais suas impressões depois de lerem! Até a próxima postagem!

Beijos!

[RESENHA] Alma Menina - Camila Silvestre

09 agosto 2015

Hey, pessoas!

Em julho, o blog recebeu uma notícia linda: nós havíamos sido os sorteados para receber e resenhar um livro de um dos escritores do projeto União dos Autores (confiram aqui)! É claro que eu fiquei imensamente feliz e ansiosa pela leitura, pois o título que nos coube foi Alma Menina, da autora Camila Silvestre, e eu já tinha buscado informações sobre o livro, e já estava curiosa com a trama. Confiram agora as minhas impressões sobre essa história encantadora!


TÍTULO: Alma Menina
AUTOR: Camila Silvestre
EDITORA: Inmod
NÚMERO DE PÁGINAS: 227 páginas
SINOPSE: Mari é uma garota simples, cercada por coisas simples: trabalho, familia, faculdade, namorado. Tudo muito simples, simples demais. Tão simples, que Mari pensa não existir espaço em sua vida para sonhos e cores. Assim, pouco a pouco, a garota vai se extinguindo nesse mundo simples que tem pressa, muita pressa. Lentos são, apenas, os passos que a levam até o abismo. E é ali, espreitando com desconfiança a beirada do precipício, que um encontro muito imprevisto com um homem nada simples faz Mari ter certeza: já era hora de pular.



Alma Menina foi uma grata surpresa pra mim. Eu esperava um romance, e o que encontrei foi muito drama, um drama comovente, encantador, envolvente e sensível do qual é difícil desvencilhar-se.

O livro nos apresenta a Mari, uma garota interiorana, estritamente apática, conformada com sua vida e sem nenhum pingo de auto-estima. Mari morava com seus pais em uma cidadezinha de São Paulo, e seu grande sonho era tornar-se escritora. É claro que ela não compartilhava seus contos com outras pessoas, e os guardava apenas para si, na esperança de um dia fazê-los tornarem-se realidade. A garota sabia que seu pai tinha grandes planos para ela, queria vê-la formada, em Engenharia ou Medicina, com uma vida confortável, diferente da que ele levou todos esses anos. Sua mãe, submissa, simplesmente abaixa a cabeça às vontades do pai. Em um único ato de rebeldia, Mari optou por cursar história, em uma faculdade que ficava na capital do estado onde havia crescido. Seu pai ficou extremamente decepcionado com ela por conta dessa atitude, e recusou-se terminantemente a ajudá-la no que quer que fosse. Assim, Mari partiu de sua casa solitária, determinada a fazer tudo dar certo, de um jeito ou de outro. Na capital, ela foi acolhida por seus tios e suas primas, Lili e Júlia, garotas extrovertidas, com muitos amigos e que tinham quase um dom para embrenharem-se em confusões. Mari, então, arranjou um emprego, começou a faculdade, e, de quebra, arrumou um namorado. Porém, o destino estava longe de ser bonito para a mocinha: seus tios não tinham a vida perfeita que aparentavam, seus trabalho sugava todas as suas energias, suas primas arranjaram problemas enormes, seu namorado era egoísta e exigia demais da garota, a fazendo sentir-se culpada pelo pouco tempo que passavam juntos. Mari acabou por afundar-se cada vez mais em suas dificuldades, e tornou-se abatida, deprimida e vazia de qualquer expectativa para o futuro. Mas então, a vida lhe sorriu! Quando pensava em deixar tudo para trás e retornar à sua casa, a garota conheceu Sérgio, um misterioso homem, com o poder de fazê-la acreditar novamente em si mesma. A partir daí, os dias de Mari ganharam um novo vigor, e a garota conquistou um novo motivo para voltar a sonhar.

É difícil para mim falar sobre Alma Menina. O livro é imensamente sensível, comovente, e a força que emana de suas páginas é capaz de inebriar qualquer leitor. A cada linha, eu me identificava mais com a história, a ponto de chegar a acreditar realmente que a Mari poderia ser qualquer garota insegura e amedrontada, que estivesse por aí em busca de uma chance para desabrochar. É incrível a forma como a autora conseguiu criar uma atmosfera tão palpável, mesmo com um enredo simples e delicado. A maneira como a Camila abordou um assunto tão delicado quanto é a depressão, e tão importante e atual, é inesquecível e admirável. Muitas cenas se passam bem diante dos nossos olhos, e sentimos uma vontade incontrolável de abraçar Mari e dar a certeza de que tudo se ajeitará, mesmo nós mesmos não conseguindo crer totalmente nisso. É impressionante o talento desse menina, e mais ainda a forma como ela prender o leitor à trama, uma forma irreversível e definitiva.

Mari é uma menina assustada com a imensidão do mundo fora de sua casa. Insegura de si mesma, ela não consegue libertar-se das expectativas de seus pais sobre ela, e por isso fica sempre, de uma maneira ou outra, tentando agradá-los. Ela é a filha perfeita. Ou ao menos procura ser. E isso a deixa sobrecarregada. Num impulso de coragem, ela sai de casa, mas seus sonhos são frustrados numa cidade que só traz ainda mais problemas para sua vida. É impossível não me identificar com a protagonista. Sua história e a minha são bastante parecidas, e eu já senti na pele tudo que ela estava passando, a cada momento do livro. A angústia, a dor, a desesperança. tudo isso também já foi frequente em mim, e eu fiquei extremamente tocada com a sensibilidade da Camila, de perceber exatamente como uma pessoa nessa situação se sentiria. Acredito que por isso o livro tenha mexido tanto comigo: eu consigo me visualizar na Mari.

Sérgio é um personagem inteiramente marcante, do início ao fim. A forma misteriosa com que ele aparece na vida de Mari vira apenas um detalhe quando passamos a constatar o bem que ele faz à garota. Com Sérgio, nossa protagonista se sente novamente viva, com vontade de mudar a situação em que se encontra. O homem é confiante, e isso passa até mesmo ao leitor conforme os encontros entre o casal acontece. Ele sempre procura dar à Mari a segurança que ela precisa para conquistar seu lugar no mundo, e a forma inabalável com que ele acredita nela e em sua capacidade de dar a volta por cima aos poucos contagia não só a própria Mari, mas todos nós que acompanhamos o desenrolar da história. Do lado dele Mari encontra as forças para ser a garota forte e destemida que está dentro dela, e, sem perceber, ela cria uma certa dependência de sua companhia e presença. Sérgio represente o recomeço.

Além de toda a sensibilidade e delicadeza do enredo, Camila ainda nos presenteia com uma boa dose de mistério. Desde que Sérgio entra na história, tudo se torna bastante nebuloso para nós, leitores, e sentimentos aquela vontade sempre presente de descobrir de onde ele surgiu, e com que propósito. À medida que a trama vai chegando ao seu desfecho, as pontos vão finalmente se conectando, os detalhes finalmente tomam forma e sentido e então compreendemos a genialidade de Camila! O final que ela deu a esse casal, ao livro em si, é impressionantemente incrível! Só uma autora com uma capacidade e talentos enormes conseguiria transformar um enredo assim, da água para o vinho, e fazer o leitor se perguntar como não havia percebido aquilo antes. Camila me ganhou completamente!

Um outro elemento que eu achei extremamente positivo no livro, e que contribuiu para que eu me aproximasse ainda mais da protagonista, foi o amor que ela sente pela escrita. No decorrer da história, a autora intercala vários contos supostamente escritos por Mari ao enredo, e todos eles tem uma linguagem praticamente poética e uma mensagem escondida em suas histórias simples e quase fantásticas. Eu acredito que essa tenha sido a grande válvula de escape que a garota encontrou para suas dúvidas e medos, e isso fez com que eu a entendesse melhor do que nunca. Comigo acontece o mesmo, e por esse motivo eu sou tão fascinada por esse universo das palavras.

A diagramação da editora está bem simples e delicada, combinando capa e história perfeitamente. As páginas são brancas e a fonte é bastante agradável à leitura. Acredito que a simplicidade da diagramação encaixe com a trama, sensível e comovente.

Para finalizar a resenha, eu não poderia deixar de agradecer à autora pela oportunidade de conhecer essa linda história e essa protagonista tão marcante. A trama é maravilhosa, a forma sensível como a autora aborda um assunto tão sério é incrivelmente admirável, e todos precisam conhecer logo este livro. E você, já leu ou gostaria de ler Alma Menina? Então me conte tudo nos comentários! Até a próxima postagem!

Beijos ♥