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[RESENHA] Feche os Olhos - Ariel Gomes

23 maio 2019

Olá, viajantes!

O bloguinho anda bem desatualizado ultimamente e eu peço desculpas, de verdade. Estamos passando por algumas modificações que para mim são muito difíceis, devido a minha total falta de compreensão acerca das tecnologias e códigos HTML dos layouts (podem rir, eu deixo). Mesmo assim, hoje eu trago para nossos viajantes mais uma resenha fresquinha, fruto de uma parceria com a Aberst e com o autor Ariel Gomes. Vem comigo conhecer um pouco mais sobre Feche os Olhos!

Feche os Olhos por [Gomes, Ariel ]

TÍTULO: Feche os Olhos
AUTOR: Ariel Gomes
EDITORA: Amazon
NÚMERO DE PÁGINAS: 12 páginas
SINOPSE: Feche os Olhos é um conto que te faz repensar suas atitudes aqui na terra, na nossa finita vida. Muitas vezes pessoas que já deixaram esse mundo ficam perambulando por entre os vivos a fim de contar suas terríveis histórias, para então ter a sua redenção, ou pior, a punição. Conheça Valentina, a garota que conheceu a vida, ou melhor, a morte de Emília Blomer, um fantasma de uma menina que teve uma infância muito perturbada e que por isso se tornou a garota dos olhos costurados.


   

Feche os olhos é um conto bastante curto: apenas dez páginas. Nestas poucas linhas, somos apresentados à Valentina, que conhecemos como uma menina cheia de vida, que pretendia curtir uma noite com as amigas regada a muita bebida, flerte e diversão. Após a festa da qual participaram as meninas, Valentina decidiu não esperar suas companheiras e, encorajada pelo álcool consumido durante a noite, partiu sozinha para sua casa. No meio do trajeto, no entanto, foi obrigada a tomar um caminho diferente daquele a que já se acostumara e isso a desnorteou. Confusa, a garota só percebeu onde estava quando já se encontrava em frete ao Cemitério São Pedro. Hipnotizada de uma forma estranha por aquele lugar, Valentina só foi retirada do transe por uma vez que vinha de dentro do cemitério e que a garota, curiosa, seguiu. É assim que começa a história de Emília.

Eu não posso contar muitos detalhes acerca do enredo, pois tenho receio de que possa tirar de vocês a própria experiência de descobrir a história por si mesmos. O que eu posso dizer é que o enredo se passa na cidade do Rio de Janeiro e que se divide em dois momentos: o presente, onde se encontra a personagem Valentina, e o passado, que pertence a Emília. Essa divisão fica marcada implicitamente ao longo do conto, e é nítido para um leitor mais atento o instante em que a história vai de um tempo a outro. Eu curto muito esse tipo de flashback, acho que esse recurso dá ao público uma menção ainda mais aprofundada dos acontecimentos e dos sentimentos das personagens, o que nos permite conhecer melhor não apenas a trama, mas as próprias protagonistas dela.

Valentina é uma garota como qualquer outra, e tudo que ela queria era uma noite de diversão ao lado de suas amigas. Levada pelo clima da festa, a garota acaba se embriagando, o que acarreta na decisão de ir sozinha para casa. Acredito que o grande marco do conto seja realmente o encontro de Valentina com Emília: é neste ponto em que a protagonista passa de uma menina descompromissada a uma pessoa empática e preocupada com o bem-estar da garota que acabou de conhecer. Emília é uma incógnita para mim, sua personalidade não é de todo revelada ao longo do conto. Conhecemos sua história, sabemos de seu destino, mas não temos maiores pistas sobre como ela verdadeiramente é. Seus sentimentos, em alguns momentos, são bastante explícitos, através de seu próprio discurso, e essa é uma estratégia acertada do autor, no sentido de que nos torna mais abertos à compaixão e até mesmo ao compartilhamento da dor que Emília sente.

É interessante informar, se até agora vocês ainda não conseguiram apreender este ponto, que essa é uma trama que mistura o real e o sobrenatural, e estes dois momentos da narrativa dos quais falei acima marcam também a passagem entre o mundo que todos conhecemos, que Valentina também conhece, para um universo paralelo, estranho a nós, meros mortais. Na minha visão de leitora, esse foi um fator que enriqueceu bastante o enredo, à medida que traz ao conto elementos fantásticos que são essenciais para o desenvolvimento da história. 

A única coisa que me incomodou um pouco ao longo da leitura foi a agilidade com que todas as coisas acontecem. Eu entendo que, por ter uma extensão menor, o conto é um gênero que exige mais rapidez e desenvoltura por parte do autor, mas eu ainda achei que as informações foram entregues de uma forma muito brusca, fácil até. Gostaria de ver um desenvolvimento maior da relação das duas meninas, de como a comunicação entre elas foi possível, quem sabe mais suspense ao revelar os pormenores que envolvem a vida de Emília, personagem a partir da qual toda a história se constrói. Talvez por isso eu tenha encarado esse conto como uma possível premissa para um romance, uma trama maior que consiga não apenas explorar com maior profundidade esses aspectos, mas também trazer à luz outros elementos de destaque que possa tornar o enredo ainda mais envolvente.

De maneira geral, eu fiquei bastante curiosa com o conto, principalmente em conhecer um pouco mais de ambas as personagens. Como leitora curiosa que eu sou, fico torcendo para que o autor reconheça o potencial dessa história e transforme-a em um trabalho próximo, como um presente aos leitores que, assim como eu, gostariam de conhecer Valentina e Emília mais de perto. 

Até a próxima postagem, viajantes! E não esqueçam de me contar o que acharam da postagem aqui embaixo, viu?

[RESENHA] Ecos Bastardos - Antonio DiMarco

29 outubro 2018

Olá, viajantes!

Há algum tempo, anunciei na página do blog no Facebook (se você ainda não curte a página, clica aqui e acompanhe a gente por lá também!) a nossa parceria com a Aberst, uma associação de escritores dedicada exclusivamente aos gêneros suspense, terror e policial. Hoje, trago para vocês a primeira resenha dessa parceria: conheçam Ecos Bastardos, um conto de Antonio DiMarco!

Ecos Bastardos

TÍTULO: Ecos Bastardos
AUTOR: Antonio DiMarco
EDITORA: Pyxidis
NÚMERO DE PÁGINAS: 18 páginas
SINOPSE: Alzira era casada com Augusto e moravam em uma bela residência na serra de Nova Friburgo. Frustrações encobriram a felicidade que um dia existiu e Augusto teve um filho com a empregada da casa. Uma década depois, a criança desapareceu, a empregada também e o tempo levou Augusto e, por fim, Alzira. Todos se foram, mas o casarão permaneceu firme, esquecido em meio à crescente vegetação, assim como seus muitos segredos. Intrigado com a história contada por Clarissa, Sergio a convida para um final de semana romântico na serra, incluindo uma providencial visita ao misterioso casarão. Descobrirão algo sobre o passado? Ou sobre o presente? Entre no velho casarão e descubra por sua conta e risco!

    

Clarissa e Sergio são um casal jovem, aventureiro e cheio de vida. Em uma conversa entre os dois, Sergio menciona seu interesse por uma história que a companheira nunca esclareceu: a de seus tios Alzira e Augusto, cujo casamento era marcado por tragédias cheias de mistério e segredos. Contar a história do casal para Sergio obviamente incluiria falar acerca do casarão onde eles moravam, e é assim que Clarissa se vê envolvida involuntariamente em um passeio ao lugar, por insistência de seu namorado. Mas esta aventura reservaria surpresas nada atraentes para os dois e eles vão precisar estar preparados para as consequências.

Olhando para o enredo do conto escrito por DiMarco, um leitor mais desavisado pode ser levado a acreditar que a trama nele contida é bastante despretenciosa. O que eu quero deixar claro já no início dessa resenha é: nada aqui é o que vocês estão pensando! Com cerca de vinte páginas e uma história marcada por segredos, mentiras, traição e reviravoltas, Ecos Bastardos foi uma grata surpresa para mim. Eu li o conta em bem menos de uma hora, não devido a sua extensão, mas ao fato de que eu não consegui tirar os olhos da leitura até tê-la terminado.

Com uma narrativa fluida e gostosa de acompanhar, o autor conseguiu criar um enredo original e envolvente em cima daquilo que todos nós já conhecemos do gênero suspense: a aura de intrigas, perigo e tensão sempre presente. Somos apresentados ao casal protagonista logo de cara e é com eles que vamos conhecer a história de Alzira e Augusto e, consequentemente, a do casarão onde os dois residiram em vida. A narração em terceira pessoa foi uma escolha muito acertada por parte do autor, uma vez que ela permite apreender vários detalhes que as próprias personagens não conheciam, ao mesmo tempo que dá ao leitor uma visão mais completa e ampla de tudo que acontece ao longo da trama.

Apesar de não termos uma construção aprofundada de personagens, conseguimos saber tudo que precisamos a respeito deles. Clarissa é uma jovem cheia de vida e apaixonada e Sergio é um amante de leitura curioso e persuasivo. Ao revirar as memórias de sua família, a mocinha não esperava o desfecho que estava por vir, assim como seu companheiro foi surpreendido por tudo que aconteceu na incursão ao casarão. Falando em casarão, eu preciso dizer que, na minha opinião, ele é uma das figuras mais imponentes e fundamentais dessa narrativa: é lá que acontece toda a história de Alzira e Augusto e é lá que conhecemos o desenvolvimento da viagem de Clarissa e Sergio. Existe dentro da casa um eterno clima de nostalgia, aliado a uma presença constante, que o leitor vai sentir junto aos dois pombinhos no decorrer da visita ao local.

Independente de não ser o foco, não posso deixar de mencionar aqui o fator histórico que também entra em jogo ao longo do conto. O enredo envolvendo Alzira e Augusto passou-se em outra época, diferente da atualidade, na qual se desenrola o conto em questão. Por conta disso, a narrativa dos dois é marcado por costumes sociais daquele período: o grande problema do casamento dos dois era o fato de que Alzira não poderia ter filhos e foi exatamente isso que levou Augusto a se relacionar com a empregada da casa, cujo ventre gerou, enfim, o herdeiro que ele tanto queria. A partir daí, vários paralelos se desenvolvem: a convivência dos três dentro da mesma casa, a submissão de Alzira ao marido e sua aceitação da traição, a vida da criança e as tragédias que se seguem a esse cenário. De alguma forma, esse aspecto histórico se torna extremamente relevante se pensarmos na consistência e na riqueza do enredo em si. É esse pezinho na história que traz complexidade à trama aqui contada.

Por último, mas não menos importante, eu não posso encerrar essas impressões sem falar do final desse conto, que me deixou completamente sem fôlego. Apesar de eu já prever que algo fosse acontecer (porque, afinal, é um conto de suspense) e conseguir elaborar alguns desfechos possíveis na minha cabeça, nada poderia me preparar para a angústia que o autor conseguiu transmitir ao longo das últimas páginas do conto. Tudo aconteceu rápido, de forma precisa e sem enrolação; os fatos são apresentados, as cartas são jogadas e todas as pontas soltas se encaixam de alguma maneira.

Antes que eu dê algum spoiler que possa estragar a leitura de vocês, termino por aqui minhas considerações, mas não sem antes destacar mais uma vez o quanto eu curti a experiência de leitura. Foi a primeira vez que eu li algo do autor e com certeza não será a única! Se você ficou curioso e também quer conhecer a história de Ecos Bastardos, esse é o link da Amazon para vocês baixarem o conto. Mas não esqueçam de vir me contar suas impressões e dizer se ficaram tão pasmos quanto eu ao final da leitura. Até a próxima postagem, viajantes!