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[PROJETO] Eterno - Patrini Viero

28 fevereiro 2015

Hey, pessoas!

Depois de algum tempo sem atualizar a coluna, hoje vim trazer para vocês o sexto capítulo da história de Emma e Isaac. Para quem não lembra ou não acompanha a história, aqui embaixo vai a sinopse:

SINOPSE: Emma Banks não passava de uma garota normal de 16 anos. Ia à escola, tinha amigos, e um pai amoroso que se dedicava a ela ardentemente. Ela não podia desconfiar os segredos que cercavam sua vida. Desde que se lembrava, Emma havia crescido apenas com o pai, já que sua mãe falecera quando era muito pequena. Apesar de não falarem sobre ela, Emma sabia que seu pai a idolatrava, e que ela era uma pessoa muito importante. Depois do rapto de seu pai e do aparecimento misterioso de um estranho garoto em sua casa, Emma começou a desvendar um mundo ao qual nunca podia imaginar que pertencesse. E agora estava nas mãos dela não só a sobrevivência de seu pai, mas também o futuro de uma espécie e o verdadeiro amor. Até onde você iria por quem mais ama?

CAPÍTULO SEIS

Aquele momento de ternura foi algo passageiro. Logo a garota lembrou-se o que estava acontecendo na vida dela, e todo o encanto se desfez. Emma não conhecia Isaac o suficiente para confiar nele, e se quisesse mesmo encontrar seu pai, precisava fazer isso sozinha, essa era a única certeza que tinha. Levantou-se num impulso, e sem dirigir uma palavra ao garoto parado em sua frente, aguardando desesperadamente que ela lhe dissesse qualquer coisa, caminhou até seu quarto, e trancou a porta por dentro.
Lá dentro ela se sentia segura: pra derramar suas lágrimas pelo pai que havia perdido, pra tentar reencontrar suas forças sumidas e erguer a cabeça como fez quando sua mãe se foi. Era difícil manter a esperança viva ainda, mas uma faísca dela que existia dentro do coração de Emma lhe dizia que Erick estava vivo, e esperando por ela. O que a menina não podia era ficar parada, aguardando o momento em que surgisse uma oportunidade de chegar até seu pai: ela ia lutar com todas as armas que tinha para trazê-lo de volta, e isso estava decidido.
Isaac não conseguia compreender a mudança repentina na atitude de Emma. Um segundo atrás ela estava frágil e sensível, recostada sobre seu peito, com lágrimas molhando seu rosto. Agora ela parecia novamente a garota determinada e fria que o acolheu quando adentrou esse mundo. Emma era um verdadeiro mistério para ele. Talvez fosse isso que o atraía: o desafio que a menina parecia ser. Ele só sabia que queria desvendar cada parte do céu infinito que eram os olhos daquela moça, descobrir porque ela se protegia tanto, e fazia questão de mantê-lo afastado. No fundo Isaac ansiava por chegar perto o bastante para poder entendê-la, mas isso se tornava cada dia mais impossível.
Quando Emma saiu do quarto, não lembrava mais a mesma garota: ela estava agora com os olhos desinchados, o rosto limpo e a expressão transfigurada num misto de coragem e medo do que poderia encontrar pela frente. Isaac se aproximou devagar, e estranhou quando ela não se desviou:
- Acho que devíamos começar a procurar por meu pai. Se quiser mesmo me ajudar, então deve seguir minhas regras.
Ele não acreditava no que estava ouvindo: ela não tinha a menor ideia de com quem ou com o que estava lidando, e mesmo assim mantinha-se orgulhosa o suficiente pra criar regras que nem sequer valiam no mundo de onde ele veio. Isaac não estava preparado para o gênio indomável da garota, e essa novidade o pegou de surpresa:
- Regras? Você vai me impor regras?
- Exatamente, e se quiser ir comigo é melhor obedecê-las à risca.
- Você não está entendendo. Nós vamos lidar com coisas muito maiores do que qualquer uma que você já enfrentou, talvez até mesmo que eu já enfrentei. Nós vamos arriscar nossas vidas, e você ainda pensa no seu orgulho idiota de garotinha mimada?
- Começamos mal. Vamos deixar uma coisa bem clara: eu não vou perder meu pai; vou fazer o que for preciso pra trazê-lo de volta, são e salvo, e estou te dando a chance de me provar que realmente posso confiar em você. E não me chame de mimada porque você não passou por metade das coisas que eu já vivi, não sabe o quanto as dificuldades te fazem crescer. Eu sou muito mais forte do que você imagina.
Falando assim, com essa autoridade, com os olhos cheios de uma confiança pura que Isaac jamais havia visto em outra pessoa, ele se sentiu tentado a acreditar. Confessou a si mesmo que talvez a estivesse menosprezando. Por um segundo pensou em aceitar suas condições, e ver até onde ela chegaria. Mas depois lembrou-se da sua missão: ele havia sido mandado ao mundo terreno para proteger aquela garota, e era isso que devia fazer. No mais profundo de seu íntimo sabia que faria mesmo se não precisasse.
- Vamos começar por Nora. Ela sempre sabe o que fazer e como fazer. Deve nos ajudar agora também – Emma falava com a maior consciência, como se já tivesse experiência em algo desse tipo – podemos procurá-la e dizer que precisamos de seus dons. Ela com certeza não se negaria. Me conhece desde menina e sempre me protegeu, vai fazer o mesmo pelo meu pai.
A voz da menina tirou Isaac de seus devaneios, e o trouxe de volta à situação:
- Que tipo de dons você acha que poderão nos ajudar agora?
- Todas forças que pudermos conseguir serão bem-vindas. Vamos contar a Nora o que aconteceu, podemos confiar nela, eu sei disso. Você disse que tem o caminho para me levar até meu pai, os dons de Nora vão nos fazer chegar mais rápido ao nosso destino.
- Ainda acho que devíamos ficar aqui e esperar segundas ordens.
- Você segue ordens, eu não. Não vou ficar parada enquanto meu pai corre perigo. Que tipo de filha eu seria se fizesse isso?
- Uma que valoriza a própria vida.
- Pois se quer mesmo saber, daria minha vida por esse homem sem nem pestanejar. Vamos.
Isaac não podia evitar. Admirava a garota que caminhava à sua frente na rua. Admirava o modo como ela conseguia amar tão profundamente a ponto de colocar em jogo seu mundo inteiro. Admirava o jeito com que ela falava de seu pai, como se nada mais importasse além de salvá-lo. Como se ele fosse a coisa mais valiosa que ela possuía. No fundo ele sentia inveja de Erick: daria qualquer coisa para ter metade do amor que Emma dedicava a ele.

Esse pensamento o fez vacilar. Ele não podia se confundir desse jeito, isso só atrapalharia sua missão. Mas como não se apaixonar por aquela menina independente e corajosa, que ao mesmo tempo o afastava e o trazia para mais perto? Como ele poderia se manter longe, se ela estava bem ali, na sua frente? Agora ele entendia porque seu pai havia ficado receoso ao mandá-lo, mas não tinha mais volta. E mesmo se houvesse, ele jamais voltaria atrás, não depois de conhecer Emma.

[PROJETO] Eterno - Patrini Viero

16 outubro 2014

Hey, pessoas!

Hoje eu trago para vocês mais um capítulo da história de Emma e Isaac. Espero que vocês também se apaixonem por eles!

SINOPSE: Emma Banks não passava de uma garota normal de 16 anos. Ia à escola, tinha amigos, e um pai amoroso que se dedicava a ela ardentemente. Ela não podia desconfiar os segredos que cercavam sua vida. Desde que se lembrava, Emma havia crescido apenas com o pai, já que sua mãe falecera quando era muito pequena. Apesar de não falarem sobre ela, Emma sabia que seu pai a idolatrava, e que ela era uma pessoa muito importante. Depois do rapto de seu pai e do aparecimento misterioso de um estranho garoto em sua casa, Emma começou a desvendar um mundo ao qual nunca podia imaginar que pertencesse. E agora estava nas mãos dela não só a sobrevivência de seu pai, mas também o futuro de uma espécie e o verdadeiro amor. Até onde você iria por quem mais ama?

CAPÍTULO CINCO

Emma ainda pensava nos sonhos quando amanheceu, depois de uma noite atribulada, em que ela havia conseguido realmente descansar apenas alguns poucos minutos. A garota não compreendia porque aquele estranho atormentava seu sono, povoando sua imaginação com monstros, lugares e pessoas que ela jamais conheceu. 
Ao mesmo tempo, ela sentia que não pertencia aquela cidade; mais: ela não se reconhecia ali. No fundo da sua alma, sabia que devia partir, e que só o garoto que ela mais tentava evitar poderia lhe mostrar o caminho certo. 
Isaac percebia Emma cada dia mais distante, cada segundo mais fechada. Tinha a nítida impressão de que ela queria proteger-se de algo, ou alguém, talvez dele mesmo. A única tentativa de diálogo que travaram durante a semana foi fria e trivial, e ele não mais sabia o que fazer para ganhar a confiança da menina.
Vendo-a debruçada sobre aquelas caixas de livros velhos, cujas páginas Emma esquadrinhava na esperança vã por respostas, Isaac sentiu-se encorajado a iniciar uma outra tentativa de conversa:
- O que procura?
- Alguma forma de encontrar meu pai, mas parece que nada aqui escrito me leva para ele – com um suspiro, ela deixou o livro cair sobre seu colo.
- Eu já disse, Emma, é inútil gastar energias com essas porcarias velhas.
- Essas porcarias velhas, como você chama, são a única pista que tenho até agora de por onde começar a procurar. Portanto, se não vai ajudar, faça o favor de me deixar errar e perder tempo sozinha – virou as costas para ele, e seguiu folheando os livros à procura de algo que nem ela mesma sabia o que era.
Surpreso com a resposta arisca, ele decidiu mudar sua tática. Caminhou até o lado de Emma e agachou-se devagar, até sentar completamente no chão de tapete macio, passando as páginas amareladas e malcheirosas do livro à sua frente.
- Se quer mesmo encontrar seu pai, confiar em mim é a melhor alternativa.
- Sem querer ofender, mas eu prefiro ser mais otimista – retrucou Emma, irônica.
- Por que faz tanta questão de tornar as coisas mais difíceis? – Isaac começava a irritar-se com o temperamento da menina.
- Talvez porque você não me deixe outra escolha.
- Tudo que eu tenho feito nesses últimos dias é aturar seu mau-humor e engolir suas respostas de menininha mimada. Eu fui enviado para ajudar, e juro por tudo que é mais sagrado que estou tentando cumprir a minha missão. Mas parece que você não quer ser ajudada! – ele explodiu, sem conseguir conter a torrente de palavras que lhe vieram à cabeça.
Quando a garota voltou seus olhos para ele, as lágrimas ameaçavam tomar sua face:
- Acontece que estou mesmo perdida. A única pessoa que eu tinha era meu pai, e agora ele se foi, como minha mãe. Entende o quanto é difícil perceber que você está sozinha e ficar imune a todo esse sentimento de abandono e carência que te tortura? Meu mundo era essa casa, meu pai, meus amigos, e hoje eu vejo que nada disso importa mais, pois sinto que fiquei incompleta sem o único homem que realmente me amava. E o pior é que ninguém vai ser capaz de preencher esse vazio que ele deixou dentro de mim.
Seus lábios tremiam quando terminou de falar, e Emma já não fazia questão de esconder o medo, transparente em seus olhos, ou a voz embargada pelo choro. Isaac aproximou-se e passou os braços ao redor da menina, que, quase inconscientemente, recostou sua cabeça no ombro do garoto. 
Ela parecia tão pequena e frágil naquele momento que Isaac não pôde resistir ao impulso de abraçá-la e fazê-la sentir que ele nunca a deixaria só. Ele precisava mostrar a ela que sempre estaria ali, mesmo que ela não quisesse, mesmo que não merecesse, ele nunca iria embora, pois não conseguia nem sequer pensar na possibilidade de perdê-la.
Assim, aninhada nos braços daquele menino estranho, que era a única pessoa com quem ela podia contar agora, Emma percebeu que ele tinha o dom de acalmar seu coração e fazê-la voltar a acreditar. E, por mais que não quisesse admitir, ela gostava disso. Ela precisava dele.

[PROJETO] Eterno - Patrini Viero

28 agosto 2014

Hey, pessoas!

Mais um dia de projeto, e espero que vocês estejam curtindo tanto quanto eu ;) Hoje conhecerão o terceiro capítulo da história de Emma. Todos prontos para embarcar?!

SINOPSE: Emma Banks não passava de uma garota normal de 16 anos. Ia à escola, tinha amigos, e um pai amoroso que se dedicava a ela ardentemente. Ela não podia desconfiar os segredos que cercavam sua vida. Desde que se lembrava, Emma havia crescido apenas com o pai, já que sua mãe falecera quando era muito pequena. Apesar de não falarem sobre ela, Emma sabia que seu pai a idolatrava, e que ela era uma pessoa muito importante. Depois do rapto de seu pai e do aparecimento misterioso de um estranho garoto em sua casa, Emma começou a desvendar um mundo ao qual nunca podia imaginar que pertencesse. E agora estava nas mãos dela não só a sobrevivência de seu pai, mas também o futuro de uma espécie e o verdadeiro amor. Até onde você iria por quem mais ama?

ETERNO - CAPÍTULO TRÊS

Por um instante, Isaac ficou confuso, sem saber qual reação devia ter. Se ele corresse atrás dela, só ia dar ainda mais razão pra ela descontar nele sua raiva contra tudo que estava acontecendo, e se não ficasse ali parado, então a probabilidade de ela cometer alguma loucura seria imensa. Por via das dúvidas, ele decidiu segui-la. 
Emma entrou em seu quarto, mas não se deteve por muito tempo ali. Pegou um casaco, por mais que não estivesse frio, talvez apenas por costume, e logo depois bateu a porta da sala e saiu pra rua. Isaac não queria que ela o visse, por isso teve o cuidado de ficar a certa distância da menina, mas sem deixar de avistá-la. 
Ela seguia a passos decididos pra uma casa no fim da rua, e Isaac não sabia o que iria encontrar lá. Na verdade, isso o assustava. Tudo isso. O fato de ter saído do conforto do seu mundo, um lugar seguro para ele e seus irmãos, o assustava. O trágico destino de seu povo se ele não conseguisse proteger aquela garota o assustava. A guerra que aguardava sua gente o assustava. O que eles não tinham certeza de que viria ainda o assustava. Mas, o assustava mais ainda, o sentido aguçado dentro dele sempre que estava na presença dela, que o fazia acreditar que ela não era, e jamais havia sido, apenas uma desconhecida para ele.
Emma não sabia exatamente o que estava fazendo parada ali naquela varanda velha, de paredes gastas, que parecia desabar a qualquer momento. Foi a única solução que pareceu plausível e possível naquele instante, naquela situação. Com certeza Nora saberia o que fazer. Ela havia ajudado seu pai a cria-la depois que sua mãe havia falecido. Nora sempre soubera o quê e quando dizer, não seria agora, que sua garotinha precisava tanto dela, que iria falhar. 
Emma tinha certeza absoluta de que estava fazendo a coisa certa ao sair de casa, mas ao colocar os pés na varanda da casa da babá já não sabia de mais nada. Se fosse mesmo perigoso, então ela não queria envolver Nora nisso, não queria correr o risco de perder duas pessoas queridas, ela não suportaria isso. Já estava se virando pra ir embora novamente quando o rosto enrugado e gentil da mulher que sempre a acolhera e consolara tão bem apareceu na janela. Emma sorriu, praguejando baixinho enquanto Nora se dirigia a porta para deixa-la entrar. 
Ao vê-la, o coração de Emma se franziu de dor e alívio ao mesmo tempo, sensações contrárias que vinham ocupando espaços iguais no pensamento da garota durante aqueles dias terríveis. Ela nem tentou resistir ao ímpeto de se jogar nos braços abertos e aconchegantes de Nora, que parecia já saber o que estava acontecendo sem nem mesmo Emma proferir uma palavra. Assim, segura nos braços da babá, sentindo o cheiro floral e adocicado demais de seu xale, Emma se sentiu à vontade para desabafar. E foi por isso que ela chorou.
A essas alturas, Isaac já não sabia se invadia a residência da velha, ou se continuava esperando Emma sair lá de dentro. Alguma coisa dentro dele dizia que ele devia estar com ela naquele momento, mas o outro lado, mais forte talvez, sabia que ela precisava de um tempo sozinha pra digerir toda a situação. Foi por isso que ele fechou mais o casaco, deixando o ar cortante e gélido do lado de fora, e ficou ali, escondido na escuridão do poste queimado, aguardando a volta daquela que, por algum motivo que ele ainda não sabia, sentia que precisava proteger.
Nora trouxe chá de cidreira, aquele que, desde pequena, Emma ouvia que “curava tudo”. Apesar de não acreditar naquelas palavras, diante de tudo o que estava acontecendo era bom ouvir algo familiar. E não havia nada mais familiar do que aquele olhar que Nora estava lançando em sua direção. Ela aguardava pacientemente a hora exata em que a garota ia decidir contar tudo o que estava acontecendo, e a simples presença dela fazia tudo parecer mais fácil aos olhos de Emma.
- E então, querida, quando pretende me contar o que a trouxe até aqui? – apesar de tentar parecer calma, Nora deixava a ansiedade transparecer em sua voz – Não que não seja bem-vinda aqui, pequena, mas eu sinto que está acontecendo algo, e pra eu conseguir te ajudar, você precisa me contar.
- Eu sei, Nora, mas é difícil, as coisas não são tão simples, e eu estou completamente confusa... – eu não conseguia raciocinar direito, meus pensamentos corriam soltos, e eu não tinha controle para organizar minhas ideias.
- Querida, você sabe que pode me contar qualquer coisa, sempre tivemos essa confiança uma na outra, se eu puder fazer algo por você, não pensarei duas vezes e...
Nora parou de falar, por ter percebido que eu balançava a cabeça compulsivamente.
- Bem, Nora, é o seguinte: meu pai sumiu, a casa está uma bagunça, e eu simplesmente acordei numa bela manhã com um estranho invasor deitado ao meu lado. Nem sequer sei de onde ele veio, e ele me contou uma história doida sobre meu pai ter o mandado para me proteger, disse que eu precisava confiar nele, mas como eu posso fazer isso, Nora? Eu não sei mais o que pensar. Eu só queria dormir, abrir os olhos no outro dia e perceber que toda essa confusão não passou de um sonho ruim, que meu pais está de volta, que nunca mais vai me deixar, que a minha vida voltou ao normal e que eu posso ser feliz de novo, levar meus dias como uma garota normal, e ter dúvidas apenas sobre a roupa que eu vou usar no baile de formatura, e não com relação a quem eu sou de verdade.
Então, eu desabei de novo. Nora estava ali, e eu sabia que podia desabafar com ela, sabia que ela me entenderia, ela sempre entendeu. Ela me abraçou e me fez sentir confortável, por um milésimo de segundos eu consegui esquecer de todos os problemas e sentir realmente o carinho maternal que ela me passava. No momento em que nos afastamos, a realidade caiu sobre mim como uma tempestade furiosa, sem dó, sem compaixão, e minha paz se foi novamente. Pude ver lágrimas nos olhos de minha babá, e me pareceu que uma sombra de medo transpassou sua visão, sempre tão firme e delicada ao mesmo tempo.
Isaac esperou pacientemente Emma chegar até ele, na mesma posição em que permaneceu por horas. Apesar de sua vontade mandá-lo correr, gritar com ela por ter demorado, por não ter dito onde iria quando saiu de perto dele, apesar de ele querer apertá-la forte pra ter certeza que estava tudo bem, aguentou firme sua compulsão, e apenas seguiu ao lado dela no momento em que passou por ele, com passos decididos até a casa de onde haviam saído no início da tarde. Alguma coisa dizia a ele que Emma estava melhor agora, mais leve, e, inconscientemente, ele agradecia aquela mulher por isso: por tê-la feito se acalmar, por tê-la deixado mais confiante. Mas no fundo de sua mente ele sabia que quem devia assumir esse papel era ele próprio, e o medo de jamais conseguir transmitir a força que ela precisava era constante dentro do garoto.