[RESENHA] Memórias de Julho - Jéssica Figueiredo

Hey, pessoas!

A resenha de hoje tem gosto de nostalgia: conheçam o livro Memórias de Julho, da nossa autora parceira Jéssica Figueiredo, que te fará retornar aos tempos mais felizes de sua infância!

Memórias De Julho
TÍTULO: Memórias de Julho
AUTOR: Jéssica Figueiredo
EDITORA: Clube de Autores
NÚMERO DE PÁGINAS: 336 páginas
SINOPSE: No ano 1992, Recife, um grupo de amigos com oito anos (Marcos, Mari, Mila, Juan, Lucas), se encontram numa cabana em suas férias. A alegria de ser criança é compartilhada por todos, assim como a vontade de permanecer juntos. De um pedido surge a promessa de enterrar seus desejos e suas fotos em um baú todos os anos seguintes. Durante seis anos a promessa é mantida e todos percebem o quanto cada um foi importante durante todo esse tempo. Em julho de 1998 o destino acaba por separá-los. Quatorze anos depois, 2012, Marcos se vê sozinho e em posse do baú. Durante todos esses anos no mês de Julho ele sonha com os tempos vividos naquela cabana. Mas algo estava errado, os sonhos não eram normais. E Marcos então saí a procura dos antigos amigos que havia deixado para trás. Memórias de Julho lhe fará sentir saudade tanto de sua infância como de seus antigos amigos. Mostrará o que o tempo pode fazer conosco e o que é verdadeiro fica. Principalmente o amor e a amizade.

    

Marcos, Mila, Mari, Juan e Lucas são crianças de oito anos de idade, completamente inseparáveis. Para eles, amizade é um assunto sério, e por isso mesmo é que eles fazem tudo juntos. Trapalhadas, travessuras, brincadeiras, tudo é entre os cinco, e nada nem ninguém é capaz de fazê-los se afastar uns dos outros. Isso era o que eles pensavam, até que o destino interviu, e um trágico acontecimento acabou mudando o curso de suas vidas, fazendo com que cada um dos amigos seguisse seu caminho longe do outro. Agora, depois de muitos anos, Marcos é atormentado por pesadelos, que o lembram da terrível perda que os fez separarem-se. Ansiando por livrar-se da tremenda dor que carrega, e buscando, acima de tudo, sua sanidade e paz de espírito, Marcos procura os amigos antigos, para que eles o ajudem a compreender e resolver o impasse. Mas será que depois de tanto tempo, os laços entre eles continuam inquebráveis? Ou eles se tornaram meros desconhecidos?

Quando firmei parceria com a autora, procurei buscar o máximo de informações possíveis sobre a obra, para não começar a leitura despreparada. Mas eu confesso que seria impossível estar preparada para tudo o que me esperava nesse livro!

O enredo de Memórias de Julho não é muito distinto dos que vemos por aí, aliás, a autora se utilizou de diversos elementos bastante comuns dentro de histórias deste gênero. O diferencial aqui é a forma como a Jéssica conseguiu organizar a história, de maneira que nos envolvesse e nos mantivesse presos até o final da leitura, ansiosos por descobrir o próximo passo. 

Dividido em partes, o livro começa desde a infância dos personagens, nos mostrando os fortes laços de amizade e o carinho que eles compartilhavam entre si. Conforme avançamos na leitura, acompanhamos seus crescimentos e amadurecimentos, bem como muitos dos conflitos pelos quais passamos. Fica praticamente impossível não se identificar com os garotos em algum momento, visto que todos os receios, dúvidas e medos que eles enfrentam são bastante típicos de cada etapa das nossas vidas. Todos nós passamos pelo primeiro amor, primeiro beijo, primeira decepção, por julgamentos infantis, por buscas de nós mesmo, de nosso próprio eu, e tudo isso nós encontramos aqui também, bastante marcado e explícito, e isso apenas contribui não apenas para o desenvolvimento, mas também para a aproximação do leitor com o enredo do livro.

Numa segunda parte, somos apresentados a personagens já adultos, marcados por uma tragédia que acabou afetando todos eles. Aqui, acompanhamos a jornada de Marcos, o mais marcado por esse acontecimento, e todos os seus traumas, que afloram em seus pesadelos. Incapaz de resolver seus problemas sozinhos, e pensando que eles tem muito a ver com a caixinha de lembranças que eles guardaram e nunca abriram, Marcos vai atrás de seus amigos perdidos. E, para mim, essa foi a parte mais emocionante do livro. É claro que conhecer a história da amizade entre todos os personagens é muito interessante, mas a forma como eles reencontram-se, reconectam-se, é incrivelmente comovente. O livro em si traz várias mensagens embutidas, mas a mais latente me parece ser esta: uma amizade verdadeira, regada a confiança e respeito, jamais morre. E é exatamente isso que o desfecho da trama nos leva a perceber. Uma certeza que acalenta o coração e faz nosso peito bater mais compassadamente.

Em se tratando de protagonista, este livro tem um diferencial: não temos apenas um casal de protagonistas, como acontece na maioria dos casos. Aqui, todos os personagens acabam ocupando lugar central dentro do livro. Marcos é um líder nato, que todos seguem sem pestanejar e no qual confiam plenamente. Mila é a garota doce e ingênua, que dá vontade de proteger e cuidar. Mari é inteligente, até demais, e um pouco inconveniente às vezes, mas tem um coração enorme. Juan é o mais quieto e tímido do grupo, mas também é corajoso e perspicaz. E Lucas é um gordinho cheio de charme, bem-humorado e completamente encantador. Ainda nesta lista de personagens temos os pais e a irmã de Marcos, que ficamos conhecendo melhor na parte final do livro. Todos eles, de alguma forma, representam algo dentro do enredo, e influenciam diretamente no desenrolar da narrativa. É impressionante a forma como acabamos nos apaixonando por eles, e torcendo para que todos tenham o seu final feliz.

A narrativa é em primeira pessoa, na visão de Marcos, um dos personagens centrais para o enredo. É a partir dele que conhecemos todos os acontecimentos e personagens que também participarão da narrativa, e como ele é desde criança bastante comunicativo, o que fica aparente na forma como conta nos mínimos detalhes todas as situações, de modo desembaraçado, acredito que essa tenha sido uma escolha interessante da autora. Senti também uma preocupação da Jéssica em encontrar a coerência entre a sua escolha de vocabulário e a faixa etária dos protagonistas, o que é sempre um aspecto bastante complicado de conciliar. Neste caso houve igualdade, inclusive dá pra perceber um certo amadurecimento também na escrita da autora, conforme os personagens crescem e o tempo passa. A narração, porém, continua ágil, envolvente e de fácil compreensão.

O que eu mais achei interessante dentro do livro é a gama de assuntos diferentes que a autora consegue abranger. A amizade é o tema central do livro, mas junto a ela temos também as relações familiares, a obesidade e seus perigos, o preconceito com o diferente, a separação dos pais, as dúvidas e conflitos da adolescência, os traumas, as mudanças pelas quais passamos no decorrer da vida, todos assuntos que coincidem com o nosso cotidiano, e do qual somos muitos próximos. A forma de abordagem, ao mesmo tempo que é explícita, é também sensível e delicada, o que nos deixa confortáveis, mesmo diante de temas um pouco mais pesados ou polêmicos.

A diagramação da editora é bastante simples, mas extremamente bem feita. Não encontrei erros de revisão, e os detalhes que iniciam todos os capítulos são fofos e combinam perfeitamente com a história. A capa é extremamente coerente com o enredo, e eu particularmente achei-a linda!

Para finalizar a resenha, posso dizer que o sentimento que toma conta de mim após essa leitura é um só: saudade. Dos tempos em que eu era uma garotinha, em que só me preocupava com as brincadeiras, em que conservava amigos incontáveis em uma mão apenas, em que tudo era mais simples e fácil de resolver. É impossível não se deliciar e se emocionar durante o livro, recordando momentos de nossa própria história e nos reconhecendo em algum dos personagens. Leitura mais do que recomendada a todos aqueles que, como eu, tem ótimas lembranças, e gostam de guardá-las pertinho do peito, em uma caixinha especial, de onde nunca sairão!

Até a próxima postagem! Beijos!

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