[RESENHA] Dark House - Experimente o Terror - Karina Halle

Hey pessoas!

As minhas leituras andam um tanto paradas neste final de ano, afinal, a gente precisa reservar um tempinho para a família e os amigos e aproveitar todas as festas (e comidas!) que surgem nestas datas. Porém, como ler é um hábito impossível de largar, continuo com meus livros intermináveis embaixo do braço toda hora, o que garante muitas resenhas mesmo com toda a festividade! O escolhido de hoje é um livro super interessante, escrito por Karina Halle. Venha comigo embarcar nos mistérios de Dark House - Experimente o Terror!



Dark House
TÍTULO: Dark House - Experimente o Terror
AUTOR: Karina Halle
EDITORA: Única
NÚMERO DE PÁGINAS: 349 páginas
SINOPSE: Há sempre algo fora do normal em Perry Palomino. Embora ela esteja vivendo uma crise ao passar pela síndrome pós-faculdade, assim como qualquer garota de vinte e poucos anos, ela não é o que chamaríamos de comum.Perry possui um passado que prefere ignorar, e há também o fato de que ela consegue ver fantasmas. Tudo isso vem a calhar quando se depara com Dex Foray, um excêntrico produtor que está trabalhando em um webcast sobre caçadores de fantasmas.Dex, que se revela um enigma enlouquecedor, arrasta Perry para um mundo que a seduz e ameaça sua vida. O farol de seu tio é pano de fundo de um mistério terrível, que ameaça a sanidade da moça e faz com que ela se apaixone por um homem que, como o mais perigoso dos fantasmas, pode não ser o que parece.


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"A única coisa mais assustadora que lidar com os mortos é lidar com nós mesmos."

Perry Palomino é uma garota diferente de todas as outras. Fisicamente, ela não atende aos padrões de beleza que a sociedade impõe, e não faz muita questão de mudar isso. Como se já não fosse o bastante, ela tem o dom de ver coisas que ainda não aconteceram. Através de seus sonhos, as visões a atormentam, assustam e a deixam ainda mais deslocada, principalmente se comparada a irmã Ada, uma blogueira de moda bem cotada. Perry não leva uma vida nada emocionante; é recepcionista de uma empresa de publicidade, a faculdade que cursou, e que, para seu desgosto, não estava ajudando em nada. Além de todos os problemas com sua auto-estima, a garota ainda precisava lidar com seu dom e com as pessoas que a achavam maluca, inclusive seus pais, sempre prontos a leva-la a psicólogos e enchê-la de medicamentos. Perry não entendia muito bem os sonhos e nem por que eles vinham até ela. Só o que sabia é que não era normal.

Foi num fim de semana na casa de seu tio All que as coisas se tornaram ainda mais estranhas e confusas. Num excursão solitária ao farol abandonado que ficava na propriedade de seu avô, rodeado por histórias de fantasmas e forças malignas, e que, quase como um instinto, atraía a garota até ele, ela acaba topando com um cara estranho, pelo qual ela se sente imediatamente atraída. É esse mesmo cara que propõe uma solução para o tédio de sua vida: depois do sucesso dos vídeos feitos naquela excursão noturna ao farol, ele se revela um cammeraman de programas na Internet, e a convida a ser a estrela principal de sua mais nova aposta, um reality fantasmagórico. Perry sabe que tudo isso é loucura e seu bom senso a alerta para o fato de ela não saber nada sobre o homem, mas sua sede por aventura, e a atração que ela sentia por ele, que rapidamente se transformara numa paixão, falaram mais alto, por fim, e ela embarcou na jornada, rumo ao farol assombrado que a amedrontava e fascinava ao mesmo tempo.

Mas concretizar essa proposta vai ser mais difícil do que ela ou eu companheiro imaginam, e eles só descobrirão isso tarde demais. Juntos, os dois enfrentarão perigos mortais, que colocarão à prova sua coragem, e sua capacidade de crer no sobrenatural. Os dons de Perry serão desafiados, e ela dependerá deles para salvar a si mesma e ao cara que a acompanha. Onde essa jornada pode leva-los, e o que eles descobrirão pelo caminho?



Dark House é o primeiro livro da série Experimente o Terror, de Karina Halle. Ele me chamou atenção logo de início, pela capa super comercial e bem trabalhada. Depois de ler à sinopse, eu sabia que teria de lê-lo. Como boa fã de um suspense, corri para comprar o livro, mas infelizmente ele ainda ficou um tempo parado na minha estante até eu ter oportunidade de pegá-lo. Minhas expectativas sobre ele eram altas, e felizmente não me decepcionei.

Karina criou um enredo envolvente e completamente truncado, sobrepondo peça após peça até tudo se encaixar no final. A trama é bem desenvolvida, os personagens construídos de forma magistral e a narrativa se desenrolando página depois de página, de uma forma  incrivelmente crescente. Não posso dizer com firmeza qual o ápice do livro, pois para mim eles foram vários, e de estilos completamente diferentes. Num momento estávamos envolvidos nos sonhos de Perry, completamente tragados por aquelas visões tão reais, e no instante seguinte estávamos explorando com ela o farol assustador, que, mais assustadoramente ainda, desperta nossa curiosidade. Para mim, esse é o melhor tipo de livro: ele não só te prende à história, ele te faz vive-la junto com os personagens. E Karina conseguiu, definitivamente, me conduzir ao seu universo e à vida de sua protagonista.


Falando em protagonista, Perry foi uma das melhores personagens que eu já tive oportunidade de conhecer. Surpreendentemente real, é impossível não se identificar com algum aspecto de sua personalidade. Acho que o fato de ela ser imperfeita, insegura e até um pouco paranoica só fez eu me afeiçoar ainda mais a ela. Desajustada socialmente, ela não deixa à mostra a vontade que guarda de ser como qualquer outra pessoa, e eu admiro isso nela: apesar de toda a insegurança e medos que ela enfrenta, não se deixa abater, e continua firme, em seus atos e em sua personalidade. Fisicamente, ela não faz parte do grupo de protagonistas esbeltas de dar inveja em qualquer um, mas, apesar de um tanto acima do peso, sua criatividade e capacidade ultrapassam qualquer limite. Ela dá muito valor à sua família, mas tem um certo receio em demonstrar isso. Apesar dos seus 22 anos de idade, eu consegui enxergar nela todos os anseios, dúvidas e sonhos que também são meus. Ela quer se aventurar, viver experiências incríveis, mas acima de tudo, ela quer encontrar seu lugar no mundo, um lugar dela e de mais ninguém. Se eu pudesse tirá-la do papel e transformá-la em realidade, não pensaria duas vezes antes de fazê-lo.

Mas Karina não se dedicou somente a Perry. Todos os personagens foram extremamente bem construídos, com personalidades e temperamentos que condiziam com seus papéis  dentro do enredo. O que eu mais gostei, depois da protagonista, foi com certeza Dex Foray, o cara que propôs o programa na Internet à Perry. Dex é um homem de trinta e dois anos de idade, que ainda pensa e fala como um garoto. Além disso, seu temperamento calmo e seu olhar misterioso são um convite para adentrarmos em sua história, que eu fiquei, assim como Perry, com muita vontade de descobrir. Tudo nele é novo, diferente e inusitado, e eu realmente consegui entender porque Perry desenvolveu uma paixão por ele. 

Aliás, a paixão de Perry por Dex foi um dos pontos mais interessantes na narrativa, e o que confirmou que Karina é mesmo uma grande escritora. O que Perry sente pelo cara misterioso que ela encontra no farol vai muito além de todos os romances clichês que estamos acostumados a ler: é uma atração verdadeira, mas ao mesmo tempo completamente platônica e escondida. Eu explico: Karina soube dosar exatamente o quanto de romance poderia entrar em sua obra. Diferente de muitos outros autores por aí afora, ela não saiu do foco, que era o suspense em torno do farol, para concentrar sua trama no romance dos protagonistas. Os mistérios continuaram se desenvolvendo, os episódios e cenas estranhas continuaram a passar, e o sentimento de Perry por Dex ficou como um plano de fundo para todo esse enredo, o que me pegou completamente de surpresa. Eu já estava acostumada a histórias que se transformam em romances, mas nunca havia visto romances dando espaço para outra história. Esse foi, com certeza, o ponto mais certeiro e positivo da escrita da autora.


O livro todo é narrado em primeira pessoa, sob a perspectiva de Perry, e, como eu adorei a personagem, não poderia pensar na narrativa de outra forma. Os personagens secundários tem, sim, seu papel na trama, mas o foco da história é realmente o mito que há por trás do farol. Tanto é que uma boa parte do livro é dedicada aos detalhes das experiências vividas por Perry e Dex entro daquele lugar macabro. E engano seu achar que isso torna a narrativa enfadonha ou cansativa: toda a ação se desenvolve em torno dessas aventuras, é meio que impossível não se sentir na cena com os personagens, tamanho detalhista é a descrição de Karina das cenas. Conforme as páginas avançam, nos vemos presos a toda a sensação e atmosfera do enredo, do cenário, dos episódios, conseguimos sentir na pele as emoções se agitando dentro dos personagens, e isso é completamente vibrante e único para um leitor. Pelo menos foi pra mim. Uma experiência que eu gostaria de vivenciar com cada livro que lesse.

Apesar do livro não conter todo o terror prometido na sinopse, isso não diminui em nada a qualidade do material com o qual Karina nos presenteou. As cenas de suspensa são constantes durante a trama inteira, e são muito bem escritas, detalhadas e analisadas. Somos transportados para o interior da história, e nos sentimentos parte do livro, o que só aumenta as sensações que possamos vir a experimentar. Ou seja, o livro não vai te fazer ficar acordado toda a noite com medo de qualquer movimento dentro ou fora do seu quarto, mas com certeza te alertara a dar uma olhada rápida embaixo de sua cama antes de dormir.


A editora Única está de parabéns pela diagramação. Já comentei que a capa é linda, de dar inveja a qualquer um que olhe pra sua estante, e por dentro o livro segue o mesmo capricho. As letras são medianas e confortáveis para a leitura. A cada início de capítulo temos o número respectivo e a primeira frase emoldurada por em retângulo negro, combinando perfeitamente com o suspense contido nas páginas. Eu encontrei alguns erros de revisão, mas isso definitivamente não prejudicou minha leitura, e acredito que também não vá prejudicar a de vocês.

Acho que é desnecessário eu dizer que recomendo o livro. Ele foi uma das minhas melhores leituras deste ano, entrou para meus favoritos, e ainda me deu o maior presente que eu poderia ganhar: uma protagonista pra chamar de minha. Com certeza não esquecerei da história do farol amaldiçoado tão cedo, e Perry vai ficar guardada dentro da minha memória e do meu coração, por mais careta que isso seja. Ela nunca vai ler isso, mas obrigada Karina!


Espero que tenham gostado da resenha, não esqueçam que estou aguardando seus comentários. Até a próxima postagem!

Beijos 

2 comentários:

  1. Quando tinha visto esse livro na lista de lançamentos, meu olhar focou logo no "Dark" e em "Perry" e automaticamente me veio a mente a Katy Perry. rsrs. Eu quero muito ler esse livro, ele parece ser interessante.

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    1. Dá pra lembrar da Katy sim, Bianca, inclusive o próprio Google, quando tu procura o nome do livro, aparece muita coisa dela hahahaha Mas sim, ele é realmente bastante interessante, com certeza tu não vai se arrepender de ler. Beijos e volte mais vezes!

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