[RESENHA] Cidades Mortas - Dêner B. Lopes

Hey, pessoas!

A resenha de hoje é a primeira cortesia da editora Chiado Editora ao blog. Venham saber o que achei de Cidades Mortas, uma distopia nacional escrita por Dêner B. Lopes!

Cidades-Mortas

TÍTULO: Cidades Mortas
AUTOR: Dêner B. Lopes
EDITORA: Chiado Editora
NÚMERO DE PÁGINAS: 204 páginas
SINOPSE: "Cidades-Mortas" se passa num Brasil futurista chamado Lisarb. Conta a história de Arthur Noah, um rapaz medroso e esquelético que teme mais que tudo ser escolhido para ser um dos participantes desde que é um dos maiores reality show brutal do mundo; o Cidades-Mortas, onde a elite escolhe, por votação, 20 jovens para serem perseguidos por soldados-robôs do governo programados para torturar até a morte qualquer humano à frente. E de uma maneira nada convencional, Arthur estará entre eles. Com uma ditadura fututurista nunca antes retratada na literatura nacional contemporânea, Dêner B. Lopes apresenta ao leitor um mundo não tão distante quanto pensamos estar.



Neste livro somos apresentados ao Rio de Janeiro, numa época em que todo o mundo está mudado: os estados são divididos em nações, o cenário é desolador e a maior diversão de todos são os festivais anuais das Cidades-Mortas, onde um casal de cada região é convocado para um local isolado, em que precisam sobreviver à soldados-robôs mandados exclusivamente para torturar os adolescente até a morte, além de seus próprios adversários e medos. Nesse ambiente, vive Arthur Noah, um garoto franzino, muito humilhado por todos seus colegas de escola. Aqueles que o conhecem sabem de sua história: seu pai foi um dos sobreviventes dos festivais, e seu irmão quase conseguiu a mesma façanha. Porém, ninguém alimenta esperanças de que o menino poderá realizar os mesmo feitos, nem mesmo Arthur. Mesmo assim, a fama o persegue, e ele sabe que será escolhido como representante do Rio, de um jeito ou de outro. Há pouco tempo da decisão dos jovens que irão para o Cidades-Mortas daquele ano, uma reviravolta acontece na vida do nosso protagonista: ele é preso! Depois de alguns dias na cadeia, ele e seu mais novo amigo (que ele não suporta) William, conseguem finalmente fugir, e qual não é a surpresa dos garotos ao ver que o único lugar de onde eles queriam passam longe foi exatamente o local em que a fuga os levou: o campo de batalha do festival. É a partir daí que a aventura começa, e passamos a acompanhar o dia-a-dia dos jovens participantes, e sua luta cotidiana para fugir da morte, que é quase inevitável.

Cidades-Mortas foi a primeira cortesia que recebi da nossa parceira, Chiado Editora. O livro é o primeiro volume de uma série, e despertou meu interesse exatamente por se tratar de uma distopia escrita por um autor nacional, algo que até então eu não tinha tido a oportunidade de conferir. Quero começar dizendo que sim, o livro parece mesmo ter sido inspirado em Jogos Vorazes. Pelo menos essa é a impressão que tive quando li a sinopse, e depois de começar a leitura ela ficou ainda mais forte. Desde a premissa, até os acontecimentos do livro, são muito próximos ao sucesso de Suzanne Collins, porém eu achei interessante a forma como o autor colocou todos esses elementos num cenário tipicamente brasileiro, trazendo à tona situações que fazem parte do nosso cotidiano.

Um dos pontos mais fortes do livro, no meu ponto de vista, foi a forma intensa e destemida com que o autor abordou assuntos polêmicos, como o preconceito e as drogas. Toda a trama gira em torno desses ideais, e temos, no decorrer do livro, diferentes pontos de vista sobre eles. Achei muito bem trabalhado esse aspecto, pois além de ter uma importância enorme, são temas que nos afetam diretamente, e que nos deixam ainda mais próximos da história, querendo ou não. Compreendemos os conflitos ali descritos, e assim podemos julgar as atitudes dos personagens com maior imparcialidade.

A escrita do autor, eu confesso, não me pegou tão de jeito quanto eu esperava. Vejam bem: não é que ela seja ruim, mas eu a achei simples demais. É claro que em alguns pontos, como nos diálogos entre os personagens, por sua faixa etária, isso pode ser visto como algo positivo, mas na maior parte da história eu senti falta de uma maior reflexão, por parte dos próprios personagens, sobre toda a situação que estavam vivenciando. Eu sei o quanto eles lutaram por suas vidas, mas a meu ver, o que eles pensavam sobre os festivais e a obrigatoriedade de passar por eles ficou um tanto vago. Como eu gosto de conhecer os protagonistas, principalmente, mais a fundo, o lado psicológico da caracterização é muito importante, e eu tive a impressão de que a construção acabou ficando superficial demais, o que fez com que eu não conseguisse me conectar a eles de uma forma mais estreita. Torci por eles sim, mas me senti como um simples espectador, sem conhecer suas opiniões e teorias sobre o que estava acontecendo na trama.

Outro motivo de eu ter dado apenas três estrelas para o livro foi a forma corrida como toda a narrativa se passou. Na maioria das vezes, eu não gosto de tantos detalhes minuciosos, e tenho a impressão de que os livros poderiam ser diminuídos. Nesse caso, foi exatamente o oposto! Eu senti falta de conhecer o passado dos personagens e do próprio cenário que temos à nossa volta, afinal, para o país ter mudado como mudou, algo deve ter acontecido. E isso não é explícito no livro. Eu sou daquelas leitoras curiosas, que se apegam a cada informação, e senti que haviam pontas soltas diversas no livro. Cheguei ao final da leitura, e algumas das minhas dúvidas não foram sanadas.

Por falar em final, eu fiquei extremamente curiosa em saber como o autor dará continuação a sua série, já que aquele final me pareceu tão definitivo. Confesso que foi surpreendente e diferente do que estou acostumada, o que me pegou desprevenida, mas me deixou imensamente curiosa!

Com relação à organização da narrativa, eu achei ela muito bem feita: o livro é separados por partes, e cada uma delas conta o desenrolar das ações do capítulo anterior. A sequência ficou dinâmica, e eu acredito que essa divisão deu fluidez à trama, além de nos dar a oportunidade de acompanhar etapa por etapa de todo o rumo dos personagens. A diagramação da editora está ótima! A capa combina muito com o conteúdo do livro, as páginas são amareladas e a fonte é mediana, bastante agradável à leitura. Existem alguns detalhes bonitos nas páginas que correspondem às divisões das partes, e eu não encontrei erros de revisão.

No geral, eu gostei da leitura. O tema é interessante, os assuntos abordados no decorrer do enredo são bastante envolventes e a ação presente no livro realmente nos prende. Os elementos que o autor usou, como os robôs, por exemplo, foram muito bem pontuados e utilizados, acho que eles enriqueceram muito a trama. Mesmo com os pontos fracos, eu recomendo o livro. Acredito que seja interessante o ponto de vista distópico presente na obra, ainda mais num cenário tão próximo de nós, que é o Brasil. Posso dizer que foi um ótimo começo da minha parceria, e que pretendo acompanhar o desenvolvimento da série nos próximos volumes!

E vocês, conhecem o livro ou ficaram curiosos com a história? Me contem nos comentários. Vou ler e responder cada um deles! Até a próxima postagem!

Beijos 

0 comentários:

Deixe seu comentário