[RESENHA] Atormentada - Jeannine Garsee

Hey, pessoas!

A resenha que eu trouxe hoje para vocês estava pra sair já há algum tempo, afinal, fazem dias que eu terminei a leitura do livro. O que acontece é que eu não estava conseguindo organizar as ideias para escrever, e não queria desmerecer o livro, então achei melhor esperar um pouco mais. Bom, agora eu decidi que vou postar logo a resenha, então me desculpem se eu não for clara o bastante. O livro escolhido é Atormentada, da autora Jeannine Garsee. Vamos conhecer um pouco mais sobre essa história perturbadora?  
                            

TÍTULO: Atormentada          
AUTOR: Jeannine Garsee                              
EDITORA: Jangada
NÚMERO DE PÁGINAS: 367 páginas
SINOPSE: Rinn é uma garota bipolar, que mantém o transtorno sob controle com a ajuda de medicação. Ela mora com a mãe e estuda no Colégio River Hills, onde dizem que a piscina é assombrada por Annaliese, uma adolescente que se afogou ali vinte anos antes. Quando coisas terríveis começam a acontecer aos seus colegas e não a ela, Rinn promete descobrir por que não pode ser “atingida” pelo espírito de Annaliese. Ela consegue fazer contato com o fantasma, que não se mostra nada pacífico. Ao descobrir o motivo, Rinn pede ajuda para seu namorado Nate. Diante de uma força malévola que ameaça a vida de todos de quem ela gosta, Rinn se pergunta se de fato pode confiar no que sente ou se está novamente perdendo o contato com a realidade.


"Uma adolescente com transtorno bipolar. Atividades paranormais num corredor escuro do seu novo colégio. Uma jornada rumo à loucura. Ou para além dela."


Atormentada foi um livro que me chamou atenção pela capa, inicialmente. Depois que li a sinopse fiquei completamente envolvida com o enredo, antes mesmo de tê-lo em mãos. Portanto, comecei a ler o livro com altas expectativas com relação a ele, que acabaram por não serem totalmente supridas.

Rinnie é uma protagonista-problema (por falta de designação melhor). Ela nunca foi uma garota normal, e sabe disso. Sua vida depende dos medicamentos que toma, e que a mantém sob controle para não cometer nenhuma loucura. Logo no início da história, temos Rinn mudando-se para a cidade natal de sua mãe, mas descobrimos o porquê apenas mais tarde no livro. E não é um motivo bobo: ela causou a morte da mãe de seu padrasto Frank, num incêndio. Claro que não foi por querer, as vozes que ela dizia ouvir dentro de sua cabeça são as verdadeiras culpadas. Por culpa, Rinn acaba se fechando para tudo e para todos, e só quem consegue quebrar essa barreira são suas amigas, Tasha, Lacy e Meg, e Nate, seu primeiro amor.

Junto com a mudança de cidade, vem a troca de escola, coisa difícil para Rinnie no começo. Conforme o tempo passa e ela faz amizades, consegue adaptar-se relativamente bem à nova vida, mas acaba descobrindo segredos que mexem com o seu psicológico já tão conturbado. O despertar de todo o problema surge quando Rinn conhece a lenda da escola: o fantasma de Annaliese, uma aluna que suicidou-se na piscina, ainda assombra o lugar. Apesar de não acreditar inteiramente na história no princípio, Rinn acaba aceitando aquilo, mais para se misturar do que por realmente crer na veracidade da lenda. Mais tarde, porém, ela descobre que a avó da garota se enforcou na própria casa em que ela e sua mãe viviam agora, e isso já é um pouco demais para a cabeça de Rinn. A situação se agrava ainda mais quando coisas estranhas começam a acontecer, após uma brincadeira de Rinnie e seus amigos no túnel que leva a piscina. Agora, todos estão em perigo, e a única que pode realmente colocar um fim à toda essa situação é Rinn. Mas as pessoas vão realmente acreditar numa história de fantasmas que querem destruir a vida de pessoas à sua volta, saída da boca de uma garota considerada louca? Rinnie vai ter que passar por cima de todos os julgamentos, e usar seus melhores artifícios para salvar a vida de quem mais ama.


Confesso que, logo de início, eu me identifiquei com a protagonista. Cheia de dúvidas, medos e incertezas, não há como não se apegar a ela. Rinnie é uma adolescente que esconde segredos obscuros de todos sobre sua vida inteira, e esse é um fardo grande demais para ela carregar. Sua mãe bem que tenta ajudar, mas Rinn não consegue se perdoar pelo acontecido com a mãe de Frank. Ela usa esse fato como desculpa para se fechar em seu mundo, e se tornar reclusa socialmente. Mas quando chega a nova cidade, sua vida muda drasticamente: sua mãe agora trabalha na escola que ela vai estudar, e ela precisa se policiar para não demonstrar algo errado para ela, afinal, quer que ela confie na filha de novo. Por esse motivo, Rinn se esforça ao máximo para ser normal, e acaba conseguindo esconder sua verdadeira natureza. Devo admitir que as amigas de Rinnie, Lacy, Meg e Tasha, me irritaram profundamente. Lacy é uma egoísta, só pensa nela mesma e humilha todos à sua volta na primeira oportunidade que tiver. Tasha só pensa em sua vocação de nadadora, e esquece de sua vida, boa parte pelas cobranças da mãe. Meg é a melhor entre as três, mas não tem personalidade alguma para refrear os comportamentos horríveis de Lacy, e isso me desagradou nela. Nate é o namorado perfeito: compreensivo, bonito e divertido, tudo que Rinn poderia pedir para iniciar sua nova vida. Depois de Rinn, ele foi o personagem que mais me encantou na narrativa, e os momentos entre os dois são os melhores do livro. A mãe de Rinn é uma mulher forte, que coloca a filha acima de suas próprias vontades. Admiro-a por isso, apesar de achar que superproteção nem sempre é um bom caminho a seguir. A mãe de Tasha e melhor amiga da mãe de Rinn (sim, eu sei que é confuso) é uma megera. Vive se gabando pelas conquistas da filha, e tenta fazer dela uma representação do que a própria não conseguiu ser. O que eu mais gostei no livro foi a importância que a autora conseguiu atribuir a todos os personagens, por mais secundários que eles fossem. Até mesmo o vigia da piscina na escola teve um papel importante ao final da história, e eu acho essa característica de extrema relevância na hora de envolver-nos com a trama.

O modo de escrever da autora é simples, bastante voltado para um público jovem, com gírias e linguagem mais informal. Isso ajuda na compreensão da história, mas confesso que em alguns momentos me pareceu forçado demais, principalmente nos diálogos entre os personagens. A autora teve um grande feito no decorrer da narrativa: ela conseguiu conduzir a trama de forma surpreendente. Cada episódio te fazia prender a respiração e ansiar por saber seu desfecho, e o final, ah, o final. Tiro meu chapéu para a autora por essa finalização, foi realmente inesperada, digna de um filme hollywoodiano. Foi o que eu mais gostei no livro, porque realmente me pegou de surpresa, e ao mesmo tempo me fez imaginar como pude não pensar antes naquilo. São os melhores finais pra mim: aqueles que te fazem voltar a história e repassar os acontecimentos.


O enredo do livro é fantástico. Ele envolve tudo que eu considero importante numa narração: aventura, surpresas, romance e drama. Todos os gêneros aparecem em um só livro, e eu creio que foi uma grande jogada da autora essa mistura, que ela utilizou com maestria. Confesso que senti falta de um terror mais profundo, que se enunciou na sinopse mas não se concretizou no livro. Em nenhum momento fiquei arrepiada ou com medo do que viria a seguir, e isso me chateou um pouco, mas nada que atrapalhasse o desenvolvimento da narrativa. Talvez as minhas expectativas estavam muito altas, mesmo. A autora faz algo neste livro que eu considero extremamente difícil e complexo: ela mescla paranormalidade com o psicológico abalado da personagem. Só esses dois fatos são suficientes para um enredo envolvente e completo, e Jeannine realmente soube se utilizar desses temas de forma que enriquecesse sua obra.

Algo que me incomodou no princípio do livro foram os dramas. Rinn é uma personagem ótima, mas tem tendência a ser dramática se não controlada. E, a meu ver, a autora deixou seus devaneios muitos soltos, o que acabou empatando a leitura nos primeiros capítulos. Assim que as coisas começam realmente a acontecer, eu consegui ler o livro em menos de dois dias, mas antes disso confesso que ficava adiando a leitura, exatamente por essa personalidade um tanto maçante de Rinn, e de suas amigas também, que são chegadas a um bom drama, como toda adolescente. Acredito que muitos deles não teriam sido necessários ao livro, e não acrescentaram nada à história, o que só os deixa mais sem sentido para mim. Minhas quatro estrelas se justificam, principalmente, por esse fato.


Termino esta resenha deixando aqui a minha recomendação do livro. A história é ótima, a premissa é assustadoramente cativante, os personagens são muito bem construídos, e o final é de cair o queixo. Tenho certeza que não vão se arrepender da leitura, pois a autora conseguiu, definitivamente, construir um enredo conciso, pelo qual é impossível não ser absorvido. Atormentada é um livro que eu indico para quem quer começar no gênero terror e tem um certo receio das histórias. Com certeza você não vai precisar da companhia do seu urso de pelúcia para dormir à noite, mas a história vai mexer com o seu psicológico tanto quanto mexeu com o de Rinn.

Lembrem-se: estou esperando suas impressões se já leram o livro, ou se pretendem ler. Se gostou da resenha, deixe um comentário, estou aceitando elogios (e críticas) sempre. Até a próxima postagem!

Beijos 

2 comentários:

  1. Meu Deus! Realmente você está conseguindo me fazer gostar do gênero! E ainda por cima tem resenhado os livros que eu estava empolgada para ler, e aí simplesmente perdi o interesse.Essa capa realmente chama a atenção, e essa sinopse me deixou intrigada! Mas sua resenha fez toda a diferença no fato de eu dar uma chance para a história. Com certeza vou lê-la em breve e venho te contar o que achei! Adoro o modo como em tuas resenhas você consegue nos colocar no livro, sem precisar falar da história em si. Somente dando a tua opinião. Parabéns pelo seu trabalho sempre caprichado.Adorei a resenha!!! Ah propósito, eu já disse que o layout novo está lindo??rsrs. Bjokas... <3
    entreumlivroe-outro.blogspot.com

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    1. Anya, querida, eu nem preciso dizer o quanto ler teus comentários me deixa feliz, né? É sempre bom ter alguém que gosta do que a gente faz, e tu sempre deixa isso claro, o que é o máximo. É ótimo para mim saber que eu influencio a tua opinião de formas boas, e que eu te faço despertar o interesse pelos livros. A intenção de todas as minhas resenhas é exatamente essa. E muito obrigada pelo elogio ao layout, tu é uma fofa! Beijos <3

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