[RESENHA] O Teorema Katherine - John Green

Hey, pessoas!

Faz algum tempo que as resenhas deixaram de aparecer por aqui, tudo isso porque eu não estava encontrando coragem para escrever elas para vocês. Minha culpa, admito! Mas hoje eu estou de volta, e no melhor estilo. O escolhido da vez é O Teorema Katherine, de John Green. Vamos conhecer um pouco mais sobre ele?


TÍTULO: O Teorema Katherine
AUTOR: John Green
EDITORA: Intrínseca
AVALIAÇÃO: 
SINOPSE: Após seu mais recente e traumático pé na bunda - o décimo nono de sua ainda jovem vida, todos perpetrados por namoradas de nome Katherine - Colin Singleton resolve cair na estrada. Dirigindo o Rabecão de Satã, com seu caderninho de anotações no bolso e o melhor amigo no carona, o ex-criança prodígio, viciado em anagramas e PhD em levar o fora, descobre sua verdadeira missão: elaborar e comprovar o Teorema Fundamental da Previsibilidade das Katherines, que tornará possível antever, através da linguagem universal da matemática, o desfecho de qualquer relacionamento antes mesmo que as duas pessoas se conheçam. Uma descoberta que vai entrar para a história, vai vingar séculos de injusta vantagem entre Terminantes e Terminados e, enfim, elevará Colin Singleton diretamente ao distinto posto de gênio da humanidade. Também, é claro, vai ajudá-lo a reconquistar sua garota. Ou, pelo menos, é isso o que ele espera.

Colin é um garoto prodígio, mais inteligente do que maioria. Desde muito pequeno seus pais o incentivaram a buscar conhecimento de todas as formas possíveis, e essa é a única vida que o garoto conhece. Colin tem um grande amigo, Hassan, que é seu oposto: engraçado e sociável, Hassan o complementa, e é um dos, senão o único, amigo de Colin. A vida do nosso personagem principal gira em torno de um triste carma: ele se apaixona por garotas, todas elas chamadas Katherine. Até aí não seria tão ruim, se não fosse pelo fato de que todas as garotas com quem se envolve acabassem terminando com ele. Depois de sua última perda amorosa, Colin fica tão deprimido que resolve cair na estrada com Hassan em seu velho carro, sem nenhum rumo em mente.

Foi assim que chegaram a Gutshot, e, consequentemente, à mercearia administrada por Lindsey Lee Wells. A garota logo faz amizade com os dois meninos, e sua mãe, a admirável e respeitada senhora Hollis, dona de quase todo o pequeno vilarejo, os convida a morar com as duas e trabalhar para ela. Como não tem muita opção, e não tem mesmo nada mais importante para ser feito, os meninos acabam aceitando a oferta. Os garotos então passam a percorrer a cidade no rabecão de Colin, a entrevistar pessoas mais velhas do que eles poderiam imaginar para a construção de um documentário sobre o início do vilarejo de Gutshot, que Hollis insistia em deixar registrado.


Colin, porém, mesmo com toda a aventura repentina que se descortina a sua frente, não consegue esquecer a K-19 (lê-se Katherine última). Mais ainda, ele não se conforma de não ser importante, não o tanto que sua inteligência permitiria. Colin queria ser famoso e grande, queria ser lembrado. E ele sabia que seu tempo de prodígio estava acabando, mas ainda não havia feito nada que guardasse seu nome na memória das pessoas.

É numa dessas andanças com Lindsey que Colin encontra realmente seu momento eureca (algo como uma grande feito, para ele): ele percebe que, com toda a sua experiência em relacionamentos fracassados, poderia criar um teorema para descobrir o futuro dos namoros, e ainda quem terminaria com quem, o garoto ou a garota. Por mais irracional ou utópica que essa ideia pudesse parecer, Colin acreditava piamente que conseguiria confirmar sua teoria. E foi assim que o seu tempo livre acabou sendo dedicado, ao invés de as saídas com Lindsey, Hassan e os amigos de Gutshot, ao seu caderninho o lápis, fiéis companheiros da vida toda.

Conforme o tempo foi passando, Colin percebeu que seu coração não continuava tão apertado quanto antes, e que agora ele não mais sentia o desejo de falar com a K-19 e de tê-la em seus braços novamente. O garoto percebeu que ele estava realmente divertindo-se, coisa muito rara na vida dele. Só então ele se deu conta de certos detalhes que estavam na frente do seu nariz, e apenas ele não conseguia enxergar. Se quiserem saber quais são as descobertas e emoções que Colin experimenta durante sua jornada, não deixe de ler o livro.


Os livros de John Green são sempre uma obra de arte à parte. A escrita dele é envolvente, e com isso o autor nos prende do início ao fim. O Teorema Katherine é aquele tipo de livro que te seduz pela capa. Eu, particularmente, acho a arte dela maravilhosa, e penso que combina muito com o conteúdo do livro. Mérito da editora! Mas é claro que, nesse caso, a capa fica em segundo plano assim que você começa a desvendar as páginas do livro. E que história elas escondem. Colin é o típico nerd adolescente, que não se dá bem em relacionamentos e quer ser importante para a humanidade, como se esse fosse seu destino desde que veio ao mundo. Porém ele ignora tudo de bom que acontece ao seu redor, e, pensando ser esse o seu carma, só consegue enxergar Katherines na sua frente. Talvez esse seja seu maior erro. 

O livro é narrado em terceira pessoa, e assim temos uma visão bem geral da história, e não o ponto de vista dos personagens. Eu acredito que Green possa ter pecado um pouco por esse lado, mas isso não pode vir a ser considerado um problema, pois o narrador está ciente de todos os sentimentos e situações pelas quais os personagens passam, então acabamos conhecendo-os assim mesmo. É apenas uma questão de gosto, na verdade. Eu prefiro narrativas em primeira pessoa.

Gostei bastante do enredo, primeiro porque nunca tinha lido uma história onde o personagem principal fosse um cara inteligente (me identifiquei rs) e segundo porque a trama foi muito bem desenvolvida, e realmente conseguiu me prender, tanto que eu ficava torcendo para Colin perceber logo os seus verdadeiros sentimentos e preocupações. Acredito que envolver o leitor seja essencial para qualquer tipo de livro, e, da minha parte, gosto muito mais daquelas obras que te fazem se apegar a cada personagem (ou odiar alguns) e torcer para o final feliz deles.

Colin foi um personagem muito bem construído, com todas as sacadas de gênio e dificuldade em se relacionar com o mundo à sua volta. Hassan é contrário dele: engraçado e despreocupado, foi ele quem me fez rir na maior parte do livro. Lindsey é uma daquelas personagens que entra no momento certo, da maneira exata. Gostei muito da garota, pelo seu jeito descontraído de ser. Ela conseguiu arrancar de Colin reações e segredos que ninguém mais conseguiu no decorrer do livro. Além disso, é uma garota decidida, e com medos. Aliás, todos os personagens tem seus próprios medos e enfrentam suas dificuldades com relação ao seu futuro, o que torna-os muito mais reais, a meu ver.


A história em si foi uma grande surpresa para mim, confesso que esperava algo mais complexo, com várias referências intelectuais que eu, por mais nerd que fosse, não conseguisse entender. Mas Green conseguiu, mais uma vez, superar todas as minhas expectativas, e ao invés de uma narrativa complicada, ele nos deu uma trama elaborada e trabalhada de uma forma que fosse acessível e próxima a todos os leitores. Isso foi uma das coisas que eu achei mais incríveis do livro: ele é simples, e nem por isso destoa do tema proposto (o garoto prodígio).

Quando à diagramação, ela é delicada, e bastante simples também, sem muitos adereços. Ao longo das páginas podemos encontrar alguns gráficos, que fazem parte da teoria de Colin, e além disso temos as notas de rodapés super inteligentes e divertidas que acompanham praticamente todos os episódios da história. Isso foi uma sacada de gênio, fala a verdade! Ao final do livro, ainda podemos nos deleitar com uma explicação para a teoria de Colin! Sim, o amigo matemático de Green, Daniel Biss, nos coloca por dentro do raciocínio de Colin de um jeito fácil, que fará até pessoas completamente avessas à matemática (como eu) se apaixonar. Final perfeito para um livro que chega muito perto disso.


Existe apenas uma coisa da qual eu senti falta na história: sentimento. Ok, Colin é uma fábrica deles. Mas eu estou falando de sentimentos que o livro desperta no leitor. Eu, apesar de me envolver com a história e dar algumas boas risadas com ela, não consegui me sentir profundamente tocada ao final do livro. Talvez seja exigência demais, mas as minhas quatro estrelas foram exatamente por causa desse detalhe. Para mim, livros cinco estrelas são aqueles que mudam algo em ti depois que você os termina, e O Teorema Katherina, infelizmente, não me marcou tanto assim.

Não por isso, porém, eu deixo de indicar o livro. A leitura é fluida e divertida, dá para ler em um dia só (eu fiz isso). Tenho certeza que vocês também vão se deliciar com as peripécias e trapalhadas de Colin, e gargalhar bastante com todas as situações inusitadas em que os personagens se colocam. Fica aqui a minha recomendação, o livro vale a pena! Depois de lerem não esqueçam de vir me contar suas impressões. Até a próxima postagem!

Beijos 

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