[RESENHA BOOK TOUR] Panlásia - Janaina Alves

Hey, pessoas!

Na postagem de hoje vocês conhecerão minhas impressões sobre o livro da autora nacional Janaina Alves, intitulado Panlásia, de cujo Book Tour o LV é participante.

Panlásia

TÍTULO: Panlásia
AUTOR: Janaina Alves
EDITORA: Independente
NÚMERO DE PÁGINAS: 311 páginas
SINOPSE: Um Reino onde nada é o que parece ser. Onde a paz foi conquistada à base de medo e muito sofrimento. Um lugar em que a harmonia não passa de fachada para esconder aqueles que realmente sofrem. Habitantes punidos por descenderem daqueles que foram considerados os vilões de uma guerra em que paz nunca foi o verdadeiro prêmio. Uma história em que o desentendimento de duas irmãs resulta na morte daquele que sustentava a ludibriosa paz, o grande Rei de todo um Reino. A filha mais velha é responsável pela morte do pai, com a intenção de se vingar da irmã, aquela que um dia lhe tirou o que lhe era mais precioso. Agora, ela precisa do poder da Coroa, o único capaz de trazer novamente à sua vida aquilo que mais ama. A filha mais nova, após ser acusada da morte do próprio pai, é banida do Reino, jogada sem remorsos na Cidade da Traição, lar daqueles que cometeram os maiores crimes contra a Coroa. Lugar conhecido por punir com a tortura eterna esses traidores. Quando as máscaras começam a cair, a verdade é finalmente revelada. Um ódio descomunal entre duas irmãs, nascido de uma relação repleta de amor. Um lugar de traições e torturas revela-se o único lugar onde uma princesa pode descobrir o que é o amor, o que é ser parte de uma família. Entre estranhos é que ela encontra dentro de si a força para fazer o que é certo, para tirar a Coroa daquela que um dia tanto amou, mas que a puniu além do que qualquer pessoa mereceria.

    

Panlásia é a Cidade-Mãe do reino de Kandil, dividido ainda em outras quatro cidades irmãs: Prisma, Pelini, Paudar e Beller, esta última conhecida como a Cidade da Traição, para onde são enviados os exilados do rei, por não concordarem com seus valores ou decisões. É em Panlásia que vivem Lavínia, Sara e seu pai, o rei Estevam. Sara é a filha preferida do rei, a mais sensata das irmãs, e é para ela que o rei pretende passar a coroa após sua morte. Mas Lavínia não aceita essa decisão, e em seu íntimo, guarda o desejo de usurpar para si a coroa e o poder sobre todo o reino, e ela está disposta a qualquer coisa para alcançar seu objetivo. Um segredo obscuro guardado a sete chaves e uma irmã capaz de tudo por ambição, é isso que Sara precisará enfrentar para conquistar sua tão sonhada liberdade e o amor que ela nem sabia desejar.

Recebi Panlásia há algum tempo atrás, num Book Tour do livro, e logo me apaixonei pelo cenário e toda a organização que a autora conseguiu imprimir à história. Os detalhes são precisos e tudo é construído de forma extremamente complexa, desde as divisões das cidades até as funções de cada uma das personagens dentro da hierarquia do reino. O sistema de governo é retratado exatamente como deve ser: o rei coordena tudo, toma todas as decisões, e o povo, submisso, precisa aceitar e fazer o que é ordenado pelo soberano. Beller não é apenas uma maneira de punir os rebeldes, mas é também uma forma de controle dos poderosos sobre os súditos, o que corresponde à dominação de uma classe sobre a outra, característica básica de qualquer governo.

Sara é uma protagonista forte e segura de si. Ela faz o possível para ser justa com todos, foi criada para ser uma governanta do povo e procura aprender todas as lições que seu pai tenta lhe passar. Ingênua, a garota não compreende exatamente todas as injustiças que são cometidas por trás das paredes do castelo, e tem em seu pai seu maior herói. O que mais gostei na personagem, no entanto, é a forma como ela aproxima-se de nós, meros mortais: Sara também esconde erros em seu passado, erros estes dos quais ela se arrepende e envergonha, que acabaram por determinar sua relação péssima com a irmã. Dessa forma, a autora consegue tornar a protagonista mais crível e real, saindo do nosso imaginário para que possamos realmente nos identificarmos com ela.

Estevam é o rei de todos os povos, e coordena com autoridade e poderio seus súditos. Imperioso e cheio de si, aparenta ser justo e honrado perante suas filhas, mas na verdade toma atitudes convenientes a seus próprios ideais e objetivos. Seu lado amoroso vem à tona, no entanto, quando se trata de Sara, que ele protege e mima mais do que a Lavínia, visivelmente deixada de lado pelo pai, que, apesar de tentar ao máximo dar atenção e carinho igualitariamente a ambas as garotas, não consegue disfarçar sua preferência. Estevam é uma moeda de dois lados, o bom e o mau, assim como qualquer outro ser humano, e independente de reconhecermos o quão errado ou cruel ele possa ter sido em algumas circunstâncias, não nos sentimos no direito de julgá-lo, talvez por enxergar a nós mesmos em seu caráter ambíguo.

Lavínia é a vilã da história, literalmente. A menina não consegue perdoar sua irmã por uma atitude dela no passado, e é a partir daí que torna-se amarga e cheia de rancor, o que transformar em pedra seu coração. Cruel, vingativa e extremamente inteligente, não mede consequências para alcançar o que deseja, e não se importa em usar as pessoas que a amam como degrau em sua subida. O que sinto depois de ter lido o livro, é que Lavínia não é exatamente ruim: ela está machucada, e não sabe lidar com a dor que sente. Sua dificuldade em perdoar Sara e a incompreensão que sente emanando de seu pai mergulham seu peito em trevas, e ela não consegue enxergar outra alternativa senão externalizar toda a mágoa que guarda em si. Lavínia, na verdade, é apenas uma garota perdida, precisando urgentemente de amor, carinho e atenção (e umas boas palmadas, é verdade).

A família de Laura, Pedro, Guilherme e Daniel aparece de repente na vida de Sara, e acaba tornando-se peça fundamental de sua personalidade. Daniel é seu grande amor, e a relação entre eles é construída de forma gradual: as coisas acontecem aos poucos, os dois vão se conhecendo devagar, e o sentimento cresce no coração dos dois sem que eles nem percebam. Essa é a forma mais bonita de acompanhar um casal, na minha opinião. Guilherme é uma criança extremamente ativa, divertida, esperta e amorosa, e faz a alegria não só da família, mas também do palácio onde Sara reside. O menino nutre um grande afeto por Sara, e com ela não é diferente: a garota o ama profunda e completamente, e faz questão de deixar isso bastante explícito em todas as suas atitudes. Laura e Pedro são o casal mais fofo do livro e o suporte para a família e, posteriormente, os maiores exemplos para Sara. A união e amor que existe entre eles, aliada à cumplicidade sempre aparente e ao grande carinho com que se tratam são realmente inspiradores e conseguem nos arrancar os mais profundos suspiros, nos fazer acreditar no amor verdadeiro e, mais do que isso, desejar uma relação como aquela. Sara e a Família de Pedro protagonizam as cenas mais marcantes do livro, e são parte essencial do sucesso da história. Juntos, eles tornam um ao outro mais fortes e capazes de enfrentar o mundo e todas as provações que vierem dele.

Com relação à diagramação, ela é bastante simples, mas delicada e bonita. No rodapé de todas as páginas existe o símbolo da coroa, junto à numeração. As folhas são brancas, o que cansa um pouco os olhos na hora da leitura, mas o enredo é tão interessante que este detalhe quase passa despercebido. Não encontrei erros de revisão, o que é sempre um ponto positivo para mim.

Conspiração, vingança, traição, amizade, lealdade, amor e responsabilidades são alguns dos temas tratados com muita propriedade ao longo da narrativa. O livro em si é extremamente denso, é necessário atenção para se compreender todas as reviravoltas e detalhes significantes da trama, mas com o desfecho fantástico, toda a exigência vale a pena. Janaina conseguiu realmente criar um complexo cenário, com personagens marcantes, várias lições a serem aprendidas e emoções a serem sentidas. Se você ainda não se aventurou pelas ruas de Panlásia e pelos mistérios de Beller, recomendo que faça isso de imediato!

E vocês, já conheciam o livro? Me contem nos comentários o que acharam da resenha! Beijos! 😙😙

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