[SEMANA ESPECIAL] Uma Canção Para A Libélula, de Juliana Daglio

Hey, pessoas!

A Semana Especial de Uma Canção Para A Libélula, da querida parceira Juliana Daglio, continua até domingo, e hoje, como os livros são extremamente incríveis e me marcaram profundamente, vou repostar a resenha que já existe aqui no blog, da Parte I da duologia. Preparem os lencinhos!



TÍTULO: Uma Canção Para Libélula - Parte I
AUTOR: Juliana Daglio
EDITORA: Editora Deuses
NÚMERO DE PÁGINAS: 238 páginas
SINOPSE: Era uma comum primavera numa fazenda qualquer, mas um encontro inusitado aconteceu: a Menina e a Libélula se viram pela primeira vez. Assombrada por um medo irracional da Morte, a Menina é marcada por esse encontro para o resto de sua vida. Compõe então uma canção em seu piano, homenageando a misteriosa libélula. Os anos se passaram, Vanessa vivia em Londres e tinha a vida cercada por seu iminente sucesso como pianista, porém, algo aconteceu, mudando seu destino: Uma doença, uma viagem e um reencontro. Vanessa precisará encarar fantasmas que sequer lembrava um dia terem assombrado sua vida, tendo de relembrar a morte do irmão e reviver seu conflito com a mãe. E mais importante e mortal, conhecer a grande antagonista de sua vida, a quem chama de Vilã Cinzenta. De Londres a São Paulo, dos Palcos aos Lagos. “Uma canção para a Libélula” é a história de uma alma perdida e de sua busca por quebrar o casulo de sua existência, para só então compreender o sentido da própria vida. Este livro é um profundo mergulho em uma mente nebulosa, permeada por lagos obscuros e pela inusitada morte; não havendo sequer esperanças.

    

Vanessa é uma musicista: ela toca piano divinamente! Mas em seu íntimo, uma coisa que ninguém desconfia a perturba: uma tragédia ocorrida na sua infância, que a tirou de seu lar e deu seu pai amoroso, a levando a morar em Londres com sua tia, onde toda sua carreira desenvolveu-se. Independente do sucesso e admiração que Vanessa conquista por todos os palcos onde passa, a garota não consegue esquecer suas feridas doloridas e incuráveis de sempre. A volta ao Brasil, devido a uma doença de seu pai, só piora a situação. E a partir de então todas as lembranças vão torturá-la mais uma vez, intensificando a presença cinzenta que ela leva a seu lado, para qualquer lugar que vá.

Quando fechei parceria com a Ju, já conhecia o livro e tinha lido várias resenhas positivas sobre ele. Sabia que poderia esperar uma leitura emocionante, mas não estava preparada para tanta intensidade quanto a que encontrei ao correr os olhos pelas páginas e desvendar a história de Vanessa.

A escrita da Juliana é praticamente uma poesia. Em cada linha, nos deparamos com emoções tão explícitas que chegam a se tornar palpáveis. As palavras utilizadas, as expressões para definir cada sentimento e pensamento dos personagens, tudo isso nos remonta a uma situação onde vários julgamentos estão em jogo, e nós precisamos decidir de que lado ficar. Mas ao mesmo tempo somos levados por essa enxurrada de emoções a lugares que nem imaginamos, e conhecemos a fundo o psicológico de cada uma das pessoas envolvidas na história. Eu fui completamente tragada pela autora para dentro daquele universo, que poderia ser o de qualquer um de nós, e isso foi uma agradável surpresa.

Assim como a escrita, a construção dos personagens também se dá de maneira intensa. Vanessa é uma garota sofrida, que não consegue deixar para trás todo o sentimento de culpa que o passado traz à tona toda vez que ela lembra dele. Isso a torna uma pessoa frustrada, que apesar de conquistar o mundo com sua música, não vê todas as suas vitórias como deveria. Ela é triste, abatida, isolada e deprimida. Desde criança, convive com o desprezo de sua própria mãe, e tudo a leva para a situação em que se encontra agora, em estado praticamente depressivo. Seu único amigo é a presença cinzenta da tristeza que sempre a ronda, não deixando-a ser completamente feliz ou leve. A mãe de Vanessa é uma personagem completamente malvada. Aliás, essa não seria a palavra exata para descrevê-la: ela é mesmo cruel. Não suporta sua filha, pois a considera culpada por todos os infortúnios de sua vida, e faz questão de deixar isso claro desde o nascimento de Vanessa. Depois da tragédia ocorrida na família, o gênio da megera só piorou, e agora sua vida gira em torno da infelicidade de sua filha. Ela é um exemplo de como não ser uma mãe. O pai e o irmão de Vanessa, juntamente com sua tia que tão bem a acolheu como filha, são pessoas amorosas e muito dedicadas, que tornam a leitura mais leve e nos fazem ter esperanças de que a situação de Vanessa possa melhorar algum dia. Eles sim são uma verdadeira família para a menina.

Outro ponto que eu preciso destacar é a sutileza da qual Juliana se utilizou para ligar a libélula à sua trama. Eu achei lindo! O animal aparece como um símbolo de que nem tudo está perdido para Vanessa. A relação das duas é muito estreita, e elas possuem características em comum que são identificáveis no decorrer da narrativa. Eu nunca havia tido a experiência de ler um livro que associasse tão profundamente um personagem a uma simbologia, e eu achei genial o modo com a autora construiu isso. Preciso dar os parabéns a Ju, pois apesar de explícita, essa ligação foi emocionante e comovente. Com certeza o elemento que eu mais gostei no livro.

A diagramação da editora está impecável! Apesar de alguns erros de acentuação que encontrei na digitação e revisão, a capa é linda, combina perfeitamente com o enredo, e os detalhes das páginas são perfeitamente condizentes com a história, além de darem um charme a mais ao livro. As páginas são amareladas e a fonte usada é muito agradável à leitura.

Cheguei ao fim da leitura com uma sensação pesada e ao mesmo tempo leve no peito: pesada porque eu já passei pelo que a protagonista passa, e sei o quanto isso é complicado e delicado de se lidar. Leve porque sei que o livro realmente cumpriu seu papel, e me envolveu em suas páginas como poucos conseguem. Fico imensamente feliz em saber que a literatura nacional tem nomes como o da Ju, que é tão competente e talentosa no que faz.

E aí, curtiram ou não? Certeza que vocês já estão doidos para acompanhar a história inteira! Não percam que amanhã tem mais postagem exclusiva!

Beijos!

1 comentários:

  1. Olá!
    Eu já li O Lago Negro da Ju e imagino que este livro deve ser tão bom quanto.
    Fiquei muito curiosa, pois ainda não li este, mas já pretendo.

    Beijinhos.
    www.cantinhogeek.com

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