[RESENHA] A Menina Submersa: Memórias - Caitlín R. Kiernan

Hey, pessoas!

Voltei às postagens regulares no blog depois de muita prova no fim de semestre da faculdade. Estou cansada, mas vocês merecem o melhor, e por isso resolvi vir escrever o que eu achei de um livro maravilhoso, que ficou muito tempo na minha lista de desejados. Conheçam A Menina Submersa, de Caitlín R. Kiernan, e se apaixonem tanto quanto eu!

   

TÍTULO: A Menina Submersa
AUTOR: Caitlín R. Kiernan
EDITORA: Darkside
NÚMERO DE PÁGINAS: 317 páginas 
SINOPSE: 'A Menina Submersa - Memórias' é um verdadeiro conto de fadas, uma história de fantasmas habitada por sereias e licantropos. Mas antes de tudo uma grande história de amor construída como um quebra-cabeça pós-moderno, uma viagem através do labirinto de uma crescente doença mental. Um romance repleto de camadas, mitos e mistério, beleza e horror, em um fluxo de arquétipos que desafiam a primazia do 'real' sobre o 'verdadeiro' e resultam em uma das mais poderosas fantasias dark dos últimos anos. Considerado uma 'obra-prima do terror' da nova geração, o romance é repleto de elementos de realismo mágico e foi indicado a mais de cinco prêmios de literatura fantástica, e vencedor do importante Bram Stoker Awards 2013. 

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"Este livro é o que é, o que significa que ele pode não ser o que você espera dele." (CRK)

A Menina Submersa é incrivelmente magnífico. O livro me conquistou logo de cara, pela capa deslumbrante (bem melhor que a internacional), e depois que li a sinopse tive certeza que ele precisava ser lido. É como se me chamasse, e isso realmente se encaixa como uma luva na história. É impossível não se apaixonar, confesso que não sei exatamente o que colocar na resenha ainda, porque mesmo depois de já ter acabado a leitura há algum tempo, eu continuo com a sensação perdida e enevoada na mente, como se eu tivesse realmente me encontrado no interior da personagem. Por esse motivo, me desculpem se eu não me fizer entender, por enquanto ainda não consegui digerir a história por completo ou organizá-la na minha mente. Se por acaso lerem, entenderão.

Caitlín nos apresenta a India Morgan Phelps (vulgo Imp), uma jovem esquizofrênica, assim como sua avó e sua mãe, que se suicidaram. A mente de India é um emaranhado confuso de emoções e pensamentos contraditórios, e por isso ela não é a fonte confiável que se espera para contar a história. Isso, ao invés de deixar o livro confuso, só o transformou em algo ainda mais fascinante. A história contada por Imp, narradora e escritora do livro (sim, é um livro dentro de outro livro), é sobre experiências sobrenaturais que ela própria vivenciou. No decorrer da narrativa, vamos acompanhando os relatos de Imp, e nos afeiçoando a ela, muitas vezes querendo ajudá-la a entender todo esse mistério que assola seus dias e maltrata ainda mais sua cabeça já tão doente.

Não há uma forma coerente de escrever sobre a narrativa que Caitlín nos dá de presente, porque o livro em si é de uma incoerência indescritível. Para quem pensa que isso atrapalha na hora da leitura, engana-se: é impossível não se deixar levar pelo mar de ideias pelo qual a protagonista nos conduz. A leitura flui maravilhosamente bem, e confesso que, em alguns trechos, eu me identifiquei com a personagem, com suas dúvidas, medos e incertezas. Ela é uma retrato duro e cru de nossa mente, e a doença é só um fator para justificar toda essa confusão, com a qual nós todos estamos tão íntimos. India é uma protagonista e tanto. Ela é diferente de todas as mocinhas de qualquer livro que eu já tenha lido, e aposto que você também. Suas lembranças vão para o papel do jeito como ela as sente e vê, sem se importar com o fato de serem verídicas ou não. Aqui, o que importa mesmo é o quanto a protagonista acredita nas informações que nos dá. Em muitos momentos do livro ela conversa com ela mesma, chega até mesmo a escrever esses diálogos, e são nesses trechos que ela mais se contradiz. É uma batalha com seu eu interior, que parece disposto a tornar a história ainda mais complexa e difícil de compreender.


A grande sacada da autora, na minha opinião, foi focar mais em Imp do que no terror da história. É claro que em alguns momentos ficamos realmente arrepiados com as coisas doidas que acontecem na vida da protagonista, mas isso não se deve necessariamente ao terror, e sim a todas as coincidências que a levam sempre ao mesmo destino: Eva Canning. Não vou dar spoillers do livro, mas posso adiantar que toda a trama gira em torno dessa mulher misteriosa que aparece de repente, no acostamento de uma estrada deserta, no meio do nada, nua e indiferente a tudo que estava a seu redor. Abalyn também é bastante importante para Imp, e para a história, consequentemente, principalmente pela relação que existe entre as duas garotas.

Caitlín foi magistralmente impecável na condução de seu enredo. Não existem pontas soltas no decorrer da narrativa, e a cada linha ficamos mais envolvidos com a história, ao mesmo tempo querendo saber de uma vez por todas seu desfecho e não querendo que o livro acabe. Eu, particularmente, creio que ainda vou demorar algum tempo para me desligar completamente do livro, ele me marcou de uma forma complicada de explicar, e se tornou com certeza um dos meus preferidos. Em momento nenhum eu fiquei decepcionada com relação às enormes expectativas que eu tinha antes de começar a leitura. A autora superou todas elas, e mais: me surpreendeu, o que é muito positivo a meu ver. Tudo dentro da história acontece por algum motivo, nada é em vão, e isso faz com que a trama ligue-se de uma forma inimaginável, te fazendo suspirar a cada nova reviravolta. Quando tudo se encaixa, finalmente, tua mente está um pouco pior que a de Imp. A Menina Submersa não é uma história feita para ser compreendida, mas com certeza deve ser apreciada.


O cenário do livro é a própria vida de Imp, incluindo sua cidade, seu apartamento, seus lugares preferidos, museus e todo o canto que a garota gosta de frequentar. Isso, a meu ver, deixou o livro ainda mais pessoal, o que eu acho que talvez tenha sido realmente a intenção da autora, visto que a narradora do livro é a protagonista ao mesmo tempo. É muito fácil identificar-se e afeiçoar-se a India, e em várias passagens conforme o livro ia andando eu me peguei querendo adentrar na história para poder fazer algo por ela. Imp é, com certeza, uma das personagens mais marcantes e bem construídas que eu já tive a oportunidade de conhecer.

Outra sacada genial da autora foram as referências feitas a vários autores, pinturas e até mesmo artistas no decorrer da trama. O livro ficou, assim, ainda mais enriquecido, e a personagem se tornou mais palpável, como se pudéssemos conhecê-la de dentro para fora, com todos os seus gostos, personalidade e preferências. Além disso, essa escolha ajudou muito na hora de compreender a história, principalmente se você já teve contato com algum ou vários dos autores e artistas mencionados. Todos eles seguem a mesma linha de gênero, independente da área artística a qual pertencem, e isso, pelo menos para mim, deixa mais clara a proposta da autora para seu livro.

A escrita de Caitlín tem algo que te prende, do início ao fim. É impossível desgrudar das páginas antes de a última linha da história ter chegado ao seu fim. E mesmo assim, ainda ficamos sedentos por mais. Caitlín escreve de forma completamente diferenciada de todos os outros autores aos quais estou acostumada, ela nos passa uma verdade incontestável em cada uma de suas palavras, e nos vemos tentados a acreditar até mesmo nas contradições que ela coloca dentro da narrativa. Para mim, é imprescindível que o escritor se diferencie dos tantos outros que existem por aí afora para que ele seja realmente marcante, e Caitlín conseguiu essa façanha com apenas um livro. Eu com certeza vou guardar seu nome, e me sinto ansiosa para ler qualquer outra coisa que ela escreva. Com a facilidade da autora em nos passar sentimentos reais e duradouros em suas palavras, ela se torna inesquecível, de modo irreversível.


Eu não poderia terminar essa resenha antes de falar do trabalho no mínimo maravilhoso que a editora fez no livro. A capa é simplesmente magnífica, e o interior do livro não deve nada a ela. Os detalhes são em abundância, e cada página é cuidada com minúcia, não há como encontrar nenhum descuido no livro inteiro. Os desenhos são elementos constantes dentro da narrativa, e acompanham cada parte da história, encaixando-se perfeitamente na trama. Além disso, as páginas são de um amarelado muito gostoso de se ler, e as letras facilitam a leitura, por serem de tamanho mediano. Não é possível passar através de palavras toda a complexidade e esmero que a editora teve no tratamento com o livro, mas se eu tivesse que escolher uma palavra para descrever a diagramação, essa palavra não teria como ser outra a não ser perfeita.

Fico por aqui, e sinceramente, espero ter conseguido a clareza necessária para que vocês compreendam a genialidade por trás de cada linha do livro. Garanto que não há meios de arrepender-se da decisão de conferir a história com a qual Caitlín nos conquista. Recomendo o livro, como leitora e, principalmente, como admiradora completamente encantada por uma verdadeira obra de arte. Até a próxima postagem!

Beijos 

2 comentários:

  1. Primeiramente quero te parabenizar pela tua resenha esclarecedora e tão detalhada sobre o livro! Ficou linda! Realmente essa capa chama muito a atenção, e eu fiquei MORRENDO de vontade de ler ele agora!!! E essas fotos que você botou, do livro, são lindaaaaas! Amei!
    Bjokas. entreumlivroe-outro.blogspot.com

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    1. Anya, meu bem, tu não faz ideia do quanto teu elogio é importante, fiquei com muito receio de não conseguir ser clara durante a resenha e de alguma forma desmerecer o trabalho maravilhoso da autora e editora. Mas é bom saber que eu te instiguei a ler o livro. A capa e páginas são de uns detalhes incríveis, você vai amar! Beijos, querida <3

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