[PROJETO] Eterno - Patrini Viero

Hey, pessoas!

Mais um dia de projeto, e espero que vocês estejam curtindo tanto quanto eu ;) Hoje conhecerão o terceiro capítulo da história de Emma. Todos prontos para embarcar?!

SINOPSE: Emma Banks não passava de uma garota normal de 16 anos. Ia à escola, tinha amigos, e um pai amoroso que se dedicava a ela ardentemente. Ela não podia desconfiar os segredos que cercavam sua vida. Desde que se lembrava, Emma havia crescido apenas com o pai, já que sua mãe falecera quando era muito pequena. Apesar de não falarem sobre ela, Emma sabia que seu pai a idolatrava, e que ela era uma pessoa muito importante. Depois do rapto de seu pai e do aparecimento misterioso de um estranho garoto em sua casa, Emma começou a desvendar um mundo ao qual nunca podia imaginar que pertencesse. E agora estava nas mãos dela não só a sobrevivência de seu pai, mas também o futuro de uma espécie e o verdadeiro amor. Até onde você iria por quem mais ama?

ETERNO - CAPÍTULO TRÊS

Por um instante, Isaac ficou confuso, sem saber qual reação devia ter. Se ele corresse atrás dela, só ia dar ainda mais razão pra ela descontar nele sua raiva contra tudo que estava acontecendo, e se não ficasse ali parado, então a probabilidade de ela cometer alguma loucura seria imensa. Por via das dúvidas, ele decidiu segui-la. 
Emma entrou em seu quarto, mas não se deteve por muito tempo ali. Pegou um casaco, por mais que não estivesse frio, talvez apenas por costume, e logo depois bateu a porta da sala e saiu pra rua. Isaac não queria que ela o visse, por isso teve o cuidado de ficar a certa distância da menina, mas sem deixar de avistá-la. 
Ela seguia a passos decididos pra uma casa no fim da rua, e Isaac não sabia o que iria encontrar lá. Na verdade, isso o assustava. Tudo isso. O fato de ter saído do conforto do seu mundo, um lugar seguro para ele e seus irmãos, o assustava. O trágico destino de seu povo se ele não conseguisse proteger aquela garota o assustava. A guerra que aguardava sua gente o assustava. O que eles não tinham certeza de que viria ainda o assustava. Mas, o assustava mais ainda, o sentido aguçado dentro dele sempre que estava na presença dela, que o fazia acreditar que ela não era, e jamais havia sido, apenas uma desconhecida para ele.
Emma não sabia exatamente o que estava fazendo parada ali naquela varanda velha, de paredes gastas, que parecia desabar a qualquer momento. Foi a única solução que pareceu plausível e possível naquele instante, naquela situação. Com certeza Nora saberia o que fazer. Ela havia ajudado seu pai a cria-la depois que sua mãe havia falecido. Nora sempre soubera o quê e quando dizer, não seria agora, que sua garotinha precisava tanto dela, que iria falhar. 
Emma tinha certeza absoluta de que estava fazendo a coisa certa ao sair de casa, mas ao colocar os pés na varanda da casa da babá já não sabia de mais nada. Se fosse mesmo perigoso, então ela não queria envolver Nora nisso, não queria correr o risco de perder duas pessoas queridas, ela não suportaria isso. Já estava se virando pra ir embora novamente quando o rosto enrugado e gentil da mulher que sempre a acolhera e consolara tão bem apareceu na janela. Emma sorriu, praguejando baixinho enquanto Nora se dirigia a porta para deixa-la entrar. 
Ao vê-la, o coração de Emma se franziu de dor e alívio ao mesmo tempo, sensações contrárias que vinham ocupando espaços iguais no pensamento da garota durante aqueles dias terríveis. Ela nem tentou resistir ao ímpeto de se jogar nos braços abertos e aconchegantes de Nora, que parecia já saber o que estava acontecendo sem nem mesmo Emma proferir uma palavra. Assim, segura nos braços da babá, sentindo o cheiro floral e adocicado demais de seu xale, Emma se sentiu à vontade para desabafar. E foi por isso que ela chorou.
A essas alturas, Isaac já não sabia se invadia a residência da velha, ou se continuava esperando Emma sair lá de dentro. Alguma coisa dentro dele dizia que ele devia estar com ela naquele momento, mas o outro lado, mais forte talvez, sabia que ela precisava de um tempo sozinha pra digerir toda a situação. Foi por isso que ele fechou mais o casaco, deixando o ar cortante e gélido do lado de fora, e ficou ali, escondido na escuridão do poste queimado, aguardando a volta daquela que, por algum motivo que ele ainda não sabia, sentia que precisava proteger.
Nora trouxe chá de cidreira, aquele que, desde pequena, Emma ouvia que “curava tudo”. Apesar de não acreditar naquelas palavras, diante de tudo o que estava acontecendo era bom ouvir algo familiar. E não havia nada mais familiar do que aquele olhar que Nora estava lançando em sua direção. Ela aguardava pacientemente a hora exata em que a garota ia decidir contar tudo o que estava acontecendo, e a simples presença dela fazia tudo parecer mais fácil aos olhos de Emma.
- E então, querida, quando pretende me contar o que a trouxe até aqui? – apesar de tentar parecer calma, Nora deixava a ansiedade transparecer em sua voz – Não que não seja bem-vinda aqui, pequena, mas eu sinto que está acontecendo algo, e pra eu conseguir te ajudar, você precisa me contar.
- Eu sei, Nora, mas é difícil, as coisas não são tão simples, e eu estou completamente confusa... – eu não conseguia raciocinar direito, meus pensamentos corriam soltos, e eu não tinha controle para organizar minhas ideias.
- Querida, você sabe que pode me contar qualquer coisa, sempre tivemos essa confiança uma na outra, se eu puder fazer algo por você, não pensarei duas vezes e...
Nora parou de falar, por ter percebido que eu balançava a cabeça compulsivamente.
- Bem, Nora, é o seguinte: meu pai sumiu, a casa está uma bagunça, e eu simplesmente acordei numa bela manhã com um estranho invasor deitado ao meu lado. Nem sequer sei de onde ele veio, e ele me contou uma história doida sobre meu pai ter o mandado para me proteger, disse que eu precisava confiar nele, mas como eu posso fazer isso, Nora? Eu não sei mais o que pensar. Eu só queria dormir, abrir os olhos no outro dia e perceber que toda essa confusão não passou de um sonho ruim, que meu pais está de volta, que nunca mais vai me deixar, que a minha vida voltou ao normal e que eu posso ser feliz de novo, levar meus dias como uma garota normal, e ter dúvidas apenas sobre a roupa que eu vou usar no baile de formatura, e não com relação a quem eu sou de verdade.
Então, eu desabei de novo. Nora estava ali, e eu sabia que podia desabafar com ela, sabia que ela me entenderia, ela sempre entendeu. Ela me abraçou e me fez sentir confortável, por um milésimo de segundos eu consegui esquecer de todos os problemas e sentir realmente o carinho maternal que ela me passava. No momento em que nos afastamos, a realidade caiu sobre mim como uma tempestade furiosa, sem dó, sem compaixão, e minha paz se foi novamente. Pude ver lágrimas nos olhos de minha babá, e me pareceu que uma sombra de medo transpassou sua visão, sempre tão firme e delicada ao mesmo tempo.
Isaac esperou pacientemente Emma chegar até ele, na mesma posição em que permaneceu por horas. Apesar de sua vontade mandá-lo correr, gritar com ela por ter demorado, por não ter dito onde iria quando saiu de perto dele, apesar de ele querer apertá-la forte pra ter certeza que estava tudo bem, aguentou firme sua compulsão, e apenas seguiu ao lado dela no momento em que passou por ele, com passos decididos até a casa de onde haviam saído no início da tarde. Alguma coisa dizia a ele que Emma estava melhor agora, mais leve, e, inconscientemente, ele agradecia aquela mulher por isso: por tê-la feito se acalmar, por tê-la deixado mais confiante. Mas no fundo de sua mente ele sabia que quem devia assumir esse papel era ele próprio, e o medo de jamais conseguir transmitir a força que ela precisava era constante dentro do garoto.

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